Interciencia
versión impresa ISSN 0378-1844
INCI v.33 n.1 Caracas ene. 2008
Impacto e Influencia
Na América Latina resulta muito difícil, para não dizer impossível, alcançar uma determinação quantitativa da importância ou da abragência da difusão das revistas científicas. A existência do chamado fator de impacto utilizado pelo Science Citation Index (SCI) que produz o Institute for Scientific Information (ISI) tem sido criticado e até objetado por numerosos científicos por diversas razões, muitas delas válidas. No entanto, este índice não tem deixado de ser utilizado por uma clara maioria das instituições como principal barema na medição da inserção dos investigadores na chamada ciência de corrente principal. O domínio do mundo anglo-saxão nessa ciência é tal que os científicos de outras latitudes, especialmente aqueles que publicam em um idioma diferente ao inglês, têm sido marginalizados injustamente.
As medições do ISI, quando efetuadas sobre as revistas que estão incluídas no SCI e no SSCI, deixam de lado a consideração de numerosas revistas de qualidade, as quais existem, produzidas na América Latina e no Caribe. Nossos bons investigadores, que também existem, obviamente se vêm prejudicados. Os organismos governamentais ou universitários que fomentam a investigação têm se encontrado na necessidade de estabelecerem listados de revistas "aceitáveis" para a avaliação do pessoal científico.
Graças ao esforço daqueles que vem trabalhando em sua produção, Interciência tem estado presente, ininterruptamente, no SCI desde 1978, a dois anos regulamentares de seu aparecimento. Seu fator de impacto tem sido sumamente estável, oscilando em torno de um valor histórico médio, ainda que com anos excepcionais em que chegou a ser o dobro daquele, ou a metade, como é o caso matematicamente obvio do ocorrido ao passar de bimestral a mensal, quando o número de trabalhos publicados (denominador da fórmula empregada) se duplicou. Naturalmente, esse fator de impacto não podia mais do que ser muito discreto, devidos ao caráter multidisciplinário da revista e o fato de que os trabalhos são publicados, majoritariamente, na língua castelhana, com um número menor em inglês ou em português.
O acompanhamento da influência ou da visibilidade das revistas científicas produzidas na região se restringe a dois sistemas de arquivos e difusão de versões eletrônicas de revistas, estabelecidos recentemente, que fazem medição de citações, em um caso, e das visitas, no outro, a trabalhos de ditas versões. O primeiro destes sistemas, SciELO, leva as estatísticas a nível nacional. Desafortunadamente, o componente de medição da versão venezuelana, que integra atualmente 35 revistas certificadas, tem descontinuado temporalmente o módulo de medições e estatísticas.
O segundo sistema, RedALyC, reúne 495 revistas de todo o continente e tem um módulo estatístico muito completo e de uso amigável. Nele, Interciencia sempre se mantêm entre as dez revistas mais acessadas da rede, das quais somente duas estão incluídas no ISI, e é a oitava na atualidade. Recebe 6,8 vezes a média global de visitas das outras revistas incluídas, e um 70% em relação àquela revista que ocupa o primeiro lugar. No entanto, entre o grupo da área na qual está classificada, a de revistas multidisciplinares, é a que mais visitas recebe, registrando 4,7 vezes a média de acessos do grupo.
Ainda que a atual valorização de mérito efetuada pelos organismos oficiais venezuelanos coloca a Interciência em uma posição muito baixa, depois de ter ocupado uma posição muito alta em anteriores avaliações, é interessante notar a aparente incongruência implícita em que sua visibilidade tenha sido julgada como baixa, ainda que a versão eletrônica pareça ser visitada de maneira importante e a versão impressa da revista se encontra em bibliotecas de instituições de investigação de 37 países. Esta situação é razão suficiente para incrementar nossos esforços na procura de uma crescente qualidade e visibilidade.
O impacto, como fator determinado pelas medições do ISI poderá ser baixo, mas sua influência e o serviço que presta às comunidades científicas dos países da região, que não é desprezível até onde se pode quantificar, proporcionam uma clara opção de superação e grande orgulho.
Miguel Laufer
Diretor











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