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Interciencia

versión impresa ISSN 0378-1844

INCI v.34 n.5 Caracas mayo 2009

 

Crodowaldo Paván, um dos grandes, nos deixou

Nos primeiros dias de abril falece, no Brasil, quem fora um dos homens de ciência mais importantes da segunda metade do século XX. Destacado genetisista, dirigente e divulgador da ciência, apreciado por seus dotes intelectuais e humanos, Crodowaldo Paván deixa uma marca profunda no transcorrer da história da ciência na região.

Descendente de imigrantes italianos, Paván mudou, ainda joven, um caminho natural para as engenharias por um entusiasta transcorrer pelas ciências naturais. Na Universidade de São Paulo (USP), influenciado pelo importante professor da genética brasilera André Dreyfus e por seu colega Theodosius Dobzhansky da Universidade de Columbia, Paván conduziu sua faina profissional para o estudo do mistério dos gens e sua utilização para o bem da humanidade.

Não demorou em fazer parte de atividades relacionadas com a fomentação da ciência. Presidiu a diretiva da Sociedade Brasileira de Genética e participou do início da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Em três ocasiões teve de viver e trabalhar nos Estados Unidos; durante sua estadia pós-doutoral na Universidade de Columbia, como investigador da divisão de biologia do Laboratório Nacional de Oak Ridge e, ao realizar carreira acadêmica na Universidade de Texas.

Após voltar para sua cátedra na USP, nos anos oitenta, Paván desenvolveu um intenso labor a favor do desenvolvimento de seu país e do setor científico-tecnológico, do qual foi destacado líder e mobilizador. Coube-lhe presidir a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 1981 e 1986, e exercer a presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre 1986 e 1990, deixando en ambas as instituições uma marca indelével de entusiasmo, equidade e equilíbrio. Convencido da importância da cooperação internacional em matéria de ciência e tecnologia, participou ativamente na programação setorial e presidiu o Comitê Interamericano de Ciência e Tecnologia da Organização de Estados Americanos.

No entanto, sua grande paixão foi a investigação científica, fruto da qual são seus numerosos estudos e publicações que o convertiram em um pioneiro da genética moderna no Brasil e América Latina. Entre seus trabalhos destacam o descobrimento, na mosca Rhynchosciara angelae, do processo de amplificação gênica de cromosomos gigantes ao duplicar segmentos discretos de DNA, abrindo um novo campo de indagação genética e citológica; os estudos a respeito do controle biológico de pragas; e, já no final de sua vida, sobre a ação de bactérias endossimbióticas em sementes e em ovos de aves.

Paván foi um grande impulsador da disseminação e popularização da ciência. Nos últimos anos, como professor emérito da USP e da Universidade de Campinas, dedicou-se a isto com grande intensidade, desempenhando-se como coordenador de divulgação científica do Núcleo José Reis da Escola de Comunicações e Artes na primeira de estas casas de estudos e como presidente da Asociação Brasileira de Divulgação Científica (Abradic).

Crodowaldo Paván foi consequente amigo da Asociação Interciência e tomou parte no Comitê Editorial de nossa revista. Colaborou ao longo dos anos nos esforços para modelar ambas, consciente do importante fórum que representa essa federação de sociedades para o progresso da ciência e sua relevância, pela participação dos científicos brasileros e da ciência brasileira, assim como por contar com um meio regional trilingue de alto nível de comunicação científica. Ao registrar sua partida, lamentamos profundamente a perda de um de nossos mais prezados colaboradores e um dos mais ilustres homens de ciência da América Latina.

Miguel Laufer, Diretor