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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Epidemiologia da obesidade abdominal em mulheres adultas residentes no sul do Brasil]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro Instituto de Nutrição Josué de Castro Departamento de Nutrição Social e Aplicada]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this study was to investigate the risk factors associated with abdominal obesity in women. A cross-sectional population based study was carried out on 981 women aged 20 to 60 years living in Southern Brazil. Abdominal adiposity was assessed by waist circumference (WC) = 88 cm. Poisson regression models were used to obtain prevalence ratios (PR) and their confidence intervals. The abdominal obesity prevalence was 23,3% (IC95%: 20,7-26,0). The main factors associated with the outcome were: having low education level, being unemployed, being more than 40 years old, having family obesity history, and being married. Adjusted analyses showed increased obesity prevalence in hypertensive women (Prevalence Ratio - PR=2,06; CI95%: 1,58 - 2,69) and those having higher number of children (PR=1,17; CI95% 1,00 - 1,37). Later menarche, at 12-13 years and at 14 years of age, protected against obesity comparing to women with earlier menarche at 8-11 years, respectively, 31% and 46% of protection. The understanding of how the abdominal obesity is distributed among the population allows effective planning and action implementation towards the reduction rates of this nutritional and public health problem.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><b><font face="Verdana" size="3"><font COLOR="#231f20">Epidemiologia da obesidade abdominal em mulheres adultas</font> <font COLOR="#231f20">residentes no sul do Brasil</font></font></b></p>     <p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana"><b>Maria Teresa Anselmo Olinto, Juvenal Soares Dias da Costa, Gilberto Kac, Marcos Pascoal Pattussi</b></font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS, Brasil. Departamento de Nutrição Social e Aplicada,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Instituto de Nutrição Josué de Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil Estudo financiado pela FAPERGS (proc. N. 02/0645.9) e CNPq (proc. N. </font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">473478/2003-3)</font> </p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><b><font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">RESUMO. </font></b></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">Foi realizado um estudo transversal de base populacional</font> <font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">com uma amostra representativa de 981 mulheres de 20 a 60 anosresidentes no sul do Brasil para investigar o efeito de fatores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">socioeconômicos, demográficos e do estilo de vida na ocorrência deobesidade abdominal. Adiposidade abdominal foi avaliada através da circunferência da cintura (CC) em centímetros (cm). Para descrevera amostra CC foi agrupada em três categorias: adequada (CC &lt; 80</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">cm), adiposidade abdominal nível I (circunferência da cintura: 80 =</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">CC = 87,9 cm) e adiposidade abdominal nível II (circunferência da</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">cintura: CC = 88 cm) - considerada como obesidade abdominal. Para</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">as outras análises, CC foi tratada como dicotômica: ausência ou</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">presença de obesidade abdominal, respectivamente, CC &lt; 88 cm e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">CC = 88 cm. A análise multivariada foi realizada com Regressão de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Poisson. As prevalências de adiposidade abdominal foram 23% (IC95%:</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">20,5-25,8) e 23,3% (IC95%: 20,7-26,0), respectivamente, nível I e nivel</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">II. Ter baixa escolaridade, não estar trabalhando, idade superior a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">40 anos, história de obesidade familiar e estar casada/união foram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">fatores de risco para obesidade abdominal. Houve maior risco também</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">para a presença de hipertensão arterial (Prevalence Ratio - PR=2,06;</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">CI95%: 1,58-2,69) e mulheres com maior número de filhos (PR=1,17;</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">CI95% 1,00 – 1,37). Menarca tardia, aos 12-13 anos e aos 14 anos, foi</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">fator protetor para obesidade abdominal comparada com mulheresque tiveram menarca entre 8 e 11 anos de idade, respectivamente,proteções de 31% e 46%. A compreensão de como a obesidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">abdominal se distribui na população permite o planejamento de ações</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mais efetivas para a redução deste relevante problema de nutrição e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">saúde pública</font></p> <b>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">Palavras chave: </font></b><font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">Obesidade abdominal, adiposidade abdominal,</font> <font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">mulheres, fatores de risco, menarca, estudo de base populacional.</font></p> <b>     <p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana"> Abdominal obesity epidemiology amongst adult</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">women resident in Southern Brazil.</font></p>     <p ALIGN="left" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">SUMMARY.&nbsp;</font></p> </b>      <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">The objective of this study</font> <font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">was to investigate the risk factors associated with abdominal obesity</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">in women. A cross-sectional population based study was carried out</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">on 981 women aged 20 to 60 years living in Southern Brazil. Abdominal</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">adiposity was assessed by waist circumference (WC) = 88</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">cm. Poisson regression models were used to obtain prevalence ratios</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(PR) and their confidence intervals. The abdominal obesity prevalence</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">was 23,3% (IC95%: 20,7-26,0). The main factors associated with</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">the outcome were: having low education level, being unemployed,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">being more than 40 years old, having family obesity history, and</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">being married. Adjusted analyses showed increased obesity prevalence</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">in hypertensive women (Prevalence Ratio - PR=2,06; CI95%:</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">1,58 – 2,69) and those having higher number of children (PR=1,17;</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">CI95% 1,00 – 1,37). Later menarche, at 12-13 years and at 14 years of</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">age, protected against obesity comparing to women with earlier</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">menarche at 8-11 years, respectively, 31% and 46% of protection.</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">The understanding of how the abdominal obesity is distributed among</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">the population allows effective planning and action implementation</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">towards the reduction rates of this nutritional and public health problem.</font></p> <b>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">Key words: </font></b> <font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">Abdominal obesity, abdominal adiposity, women, risk</font> <font COLOR="#231f20">factors, menarche, populational based-study.</font></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana"><font COLOR="#231f20"><b>Recibido:</b> 30-07-2007</font> <font COLOR="#231f20"><b>Aceptado:</b> 08-11-2007</font></font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><b><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">INTRODUÇÃO</font></b> </p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Nos últimos anos a atenção dos pesquisadores tem se</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">voltado para compreender o efeito da distribuição da gordura corporal como fator de risco para doenças crônicas. Aadiposidade central, ou seja, o acúmulo de gordura na regiãoabdominal tem se mostrado como fator de risco independentepara aumento de doenças cardiovasculares (1), diabetes</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mellitus tipo 2 (2), hipertensão arterial (3), dislipidemias (4) e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">alguns tipos de câncer (5).</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A obesidade abdominal está entre os nove mais importantes</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">fatores de risco para infarto agudo do miocárdio. Segundo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">um estudo caso controle recente, realizado em 52 países,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">observou-se que esses nove fatores juntos eram responsáveis</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">por 90% e 94% do risco atribuível populacional para mulheres</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">e homens, respectivamente. A obesidade abdominal apresentou</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">um risco atribuível de 20,1%. Os demais fatores estudados</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">foram fumo, elevadas concentrações de apolipoproteínas,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">hipertensão, diabetes, fatores psicossociais, consumo de frutase vegetais e prática regular de atividade física (6).</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">No Brasil alguns estudos já identificaram a obesidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">abdominal como preditor do maior risco para hipertensão</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">arterial (7,8) e no maior risco para doença coronariana (9).</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Segundo estudo recente, em uma amostra de 1935 adultos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">residentes em Pelotas a prevalência de obesidade abdominal</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">era de 62% em mulheres e 37% em homens[10]. Entre os</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">diversos fatores de risco, a escolaridade tem sido identificada</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">como uma das mais importantes variáveis preditoras da</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal (10,11).</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Ainda são escassos na América Latina estudos sobre fatores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">determinantes da obesidade abdominal em adultos. Embora</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">já existam métodos mais sofisticados de avaliação da gordura</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">abdominal, deve-se considerar que do ponto de vista</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">epidemiológico a circunferência da cintura é a medida fácil e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de baixo custo para uso em estudos populacionais (10,12).</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Além disso, comparada com outros indicadores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">antropométricos é o melhor preditor da gordura visceral</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">localizada na região abdominal (13) que se mostra fortemente</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">correlacionada a maioria dos fatores de risco metabólico (14)</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">. Nesse sentido, o presente estudo buscou investigar o efeitode diversos fatores socioeconômicos e do estilo de vida na</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">maior ocorrência de obesidade abdominal em mulheres adultas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">estudadas em uma cidade do sul do Brasil.</font></p> <b>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">MATERIAIS E METODOS</font></b> </p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">O trabalho apresenta a epidemiologia da obesidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">abdominal em uma amostra representativa de 981 mulheres</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">adultas (20 a 60 anos), residentes no município de São</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Leopoldo, que apresenta 99% da população residente na zona</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">urbana e localiza-se na região metropolitana de Porto Alegre,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">no sul do Brasil. Este projeto fez parte do estudo &quot;Condições</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de saúde de mulheres adultas residentes na região do Vale do</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Rio dos Sinos, RS&quot;.</font> </p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">O tamanho de amostra foi calculado para a investigação</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de diversos desfechos em saúde - escolhendo-se o maior</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">tamanho de amostra – no caso o estudo da prevalência de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">diabete mellitus. Assim, essa amostra permitiria identificar uma</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">razão de risco de 2,0, com um nível de confiança de 95%,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">com um poder estatístico de 80% e mantida uma razão de não</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">expostos:expostos de 1:3 para a variável classe econômica. O</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">processo de amostragem visou a representatividade e incluiu</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">escolha sistemática dos setores, seguido de sorteio aleatório</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">simples de quadras e domicílios em cada setor. Na definição</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">do número de domicílios a serem visitados, considerou-se uma</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">proporção de mulheres na faixa etária de interesse de 28,2% e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">um número médio de pessoas por domicílios de 3,35 (Instituto</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Brasileiro de Geografia e Estatística:http://www.ibge.gov.br,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">acessado em 30/Mar/2004). Assim, foram incluídos 36</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">domicílios por setor em 40 dos 270 setores da zona urbana do</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">município (15). As casas foram alternadamente selecionadas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(uma casa sim, uma casa não) para o estudo até completar o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">número de domicílios necessário em cada setor. Todas as</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mulheres de 20 a 60 anos residentes nestes domicílios foram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">convidadas a participar do estudo. As mulheres grávidas foram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">excluídas da investigação de obesidade abdominal.</font> </p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A amostra foi avaliada segundo características</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">socioeconômicas, demográficas, reprodutivas, de morbidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">e comportamentais por meio de questionários padronizados,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">pré-codificados e pré-testados, aplicados por entrevistadores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">submetidos a um programa de treinamento. As seguintes</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">variáveis socioeconômicas e demográficas foram utilizadas:</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">idade em anos completos no momento da entrevista e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">categorizada em faixas etárias de 10 anos; classe econômica,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">segundo classificação da Associação Nacional de Empresas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de Pesquisaç (16), renda familiar per capita, pela informação</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">da renda de cada componente da família no último mês e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">categorizada em salários mínimos per capita (valor da época:</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">R$ 240,00 -reais); escolaridade, coletada em anos completos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de estudo e categorizada (0 a 4; 5 a 7; 8 a 10 e 11 a 23 anos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">completos de estudo); cor da pele observada pelo entrevistador</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(branca, parda, preta); estado civil, informado pela entrevistada</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(casada, solteira, separada/viúva); e, situação de emprego, por</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">meio de informações sobre atividade remunerada (trabalhando</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">ou não no momento). As variáveis reprodutivas investigadas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">foram número de gestações e menarca, ambas como coletada</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">como discretas. A menarca foi posteriormente agrupada em 3</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">categorias com os pontos de corte (8-11; 12-13; e = 14 anos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de idade) que permitissem a comparabilidade com outros</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">estudos (11,17); já o número de gestações foi trabalhado como</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">uma variável discreta e agrupada em 4 categorias (nulígesta;</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">1-2; 3-4; e = 5 gestações).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">As variáveis hereditárias foram história paterna e/ou</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">materna de obesidade. As variáveis que representaram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">morbidades foram: hipertensão arterial, diabetes mellitus e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">distúrbios psiquiátricos menores (DPM). Hipertenão e diabetes</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mellitus foram diagnosticados por médico e informada pelas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mulheres durante a entrevista. Para a avaliação de DPM</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">utilizou-se o Self Report Questionnaire (SRQ-20) com o ponto</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de corte para a presença de DPM = sete (18), aplicado pelas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">entrevistadoras. Trata-se de um questionário validado na</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">populaçãobrasileira para a identificação de distúrbios</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">psiquiátricos &quot;neuróticos&quot; em nível de atenção primária (18).</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A prática de atividade física foi avaliada por meio de um</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">instrumento adaptado utilizado em outra publicação (19).</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Sendo que, foram classificadas como sedentárias, ou seja, sem</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">prática de atividade física, aquelas mulheres que referiam nãorealizar atividade física no lazer ou informaram fazer apenasalguma atividade leve uma vez por semana. Também foi</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">coletado o número total de refeições realizadas por dia.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A circunferência da cintura (CC) foi medida com uma</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">fita métrica não flexível diretamente sobre a pele na região</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mais estreita entre o tórax e o quadril. Em recente estudo, o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">ponto mais estrito da cintura mostrou-se como melhor</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">correlacionado com medidas de risco cardiovascular do que a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">circunferência na cicatriz umbilical (20). No caso de não haver</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">ponto mais estreito, no ponto médio entre a última costela e acrista ilíaca, sendo a leitura feita no momento da expiração. Para essa medição foi realizado um intenso treinamento depadronização visando a redução do erro intra e interobservador.</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">As entrevistadoras eram estudantes do curso de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">nutrição e todas participaram do treinamento tanto para as</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">medidas antropométricas como para a aplicação dos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">questionários. Em cada mulher foram realizadas duas medidas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">em momentos diferentes durante a entrevista. Para construção</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">do desfecho utilizou-se a média entre essas duas medidas. Para</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">descrever a distribuição da obesidade abdominal de acordocom as características da amostra, a medida de circunferência</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">da cintura foi agrupada em três categorias: circunferência da</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">cintura adequada (CC &lt; 80 cm), adiposidade abdominal nível</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">I (circunferência da cintura: 80 = CC = 87,9 cm) e adiposidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">abdominal nível II (circunferência da cintura: CC = 88 cm) -</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">considerada como obesidade abdominal. Para a análise das</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">medidas de efeito brutas e ajustadas a variável CC foi tratada</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">como dicotômica, ou seja, ausência ou presença de obesidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">abdominal, respectivamente, CC &lt; 88 cm e CC = 88 cm.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Para assegurar o controle de qualidade das informações,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">foram refeitas 10% das entrevistas, utilizando-se um</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">questionário simplificado. Neste questionário algumas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">questões perenes, ou seja, com resposta sem possibilidade de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">alteração no espaço de tempo da realização da pesquisa, foram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">refeitas pelo supervisor de campo. A codificação das</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">informações foi realizada pelos entrevistadores e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">supervisionada pela coordenação da pesquisa. A digitação dos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">dados seguiu o procedimento de dupla entrada, sendo realizada</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">no programa EPI-INFO 6.0 (Centers for Disease Control,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Atlanta, US). Também, foram realizadas comparações das</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">digitações e análise de consistência entre elas. As análises</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">bivariada e multivariada foram realizadas nos Programas SPSS</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">versão 11.0 (SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos) e STATA</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">7.0 (Stata Corp.,College Station, Estados Unidos), de acordo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">com um plano de análise pré-estabelecido.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A análise bivariada incluiu o cruzamento da variável</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal em três categorias com as características</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">da amostra, por meio do teste de qui-quadrado. O efeito das</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">características da amostra sobre a obesidade abdominal foi</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">calculado por meio das razões de prevalências com seus</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">intervalos de confiança de 95%.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A análise multivariada seguiu um modelo conceitual</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">definido a ‘priori’ (21) (<b><a href="#fig1">Figura 1</a></b>). Neste modelo, a decisão</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">das variáveis a serem incluídas na análise seguiu a hierarquia</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">na relação entre elas. As variáveis que pertencem ao Bloco I</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">na determinação da obesidade abdominal foram as primeiras</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">a serem incluídas no modelo, uma vez que atuariam sobre o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">desfecho, mas não seriam determinadas pelas variáveis</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">proximais ao desfecho. Neste primeiro bloco (Bloco I) foram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">incluídas as variáveis demográficas e as socioeconômicas. No</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">bloco seguinte (Bloco II), foram incluídas as variáveis</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">reprodutivas e hereditárias que poderiam ser determinadas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">pelas variáveis do bloco superior (i.e. distal). No Bloco III</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">foram incluídas as variáveis de morbidade que podem ser</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">determinadas também por fatores genéticos e, ao mesmotempo, determinar hábitos alimentares e de atividade física</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">presentes no Bloco IV, considerados fatores proximais ao</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">desfecho, ou seja, a ocorrência de obesidade abdominal. Para</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">qualquer variável ser incluída e/ou permanecer no modelo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">multivariado deveria no teste Wald apresentar pelo menos uma</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">categoria com significância estatística de p-valor &lt; 0,20, sendo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">assim, considerada um potencial fator de confusão para o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">próximo bloco de análise. Por se tratar de um desfecho</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">freqüente na população, utilizou-se Regressão de Poisson no</font> <font face="Verdana" size="2" COLOR="#231f20">programa Stata. O efeito do desenho (ED) neste estudo foi de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">1,15, portanto, não se considerou a necessidade de controlar</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">o ED na análise estatística.</font></p>     <p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><a name="fig1"><img border="0" src="/img/fbpe/alan/v57n4/art07fig1.jpg" width="510" height="670"></a></p>     
<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">O projeto desta pesquisa foi submetido e aprovado pelo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Medicina da</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul. Na coleta</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de dados os aspectos éticos foram preservados por meio de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">do Termo de Consentimento Informado.</font></p> <b>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">RESULTADOS</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"></b><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Foram localizadas 1086 mulheres elegíveis para o estudo,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">sendo que 5,6% foram perdas ou recusas. Além disso, para o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">estudo especifico da obesidade abdominal foram excluídas as</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mulheres grávidas (n = 32) e aquelas que não permitiram a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">aferição das medidas antropométricas (n = 13).</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A maioria das 981 mulheres da amostra tinha idade entre 20</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">a 49 anos (81,9%), 84% tinham a cor da pele branca e 64% eram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">casadas ou viviam em união estável (<b><a href="#tab1">Tabela 1</a></b>). Aproximadamente</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">45% da amostra tinham sete anos ou menos de escolaridade e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">37% apresentavam renda per capita igual ou inferior a um salário</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mínimo. Quarenta e três por cento da amostra reportou não estar</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">trabalhando no momento da entrevista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><a name="tab1"><img border="0" src="/img/fbpe/alan/v57n4/art07tab1.jpg" width="555" height="986"></a></p>     
<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">As características reprodutivas, de morbidade e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">comportamentais das mulheres podem ser observadas na Tabela2. A maior parte da amostra (63%) eram nulígestas ou tiveram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">no máximo duas gestações. A história de obesidade entre os</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">pais foi relatada em 47,3% da amostra. A prevalência de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">hipertensão, diabetes mellitus e distúrbios psiquiátricos menores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">foram, respectivamente, 19,1%, 3,8% e 42,0%. Dois terços das</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mulheres da amostra foram avaliadas como sedentárias, ou seja,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">não realizavam nenhuma atividade física no lazer, ou apenas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">faziam alguma atividade física leve uma vez por semana.</font> </p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A prevalência de obesidade abdominal (CC = 88 cm) na</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">amostra foi de 23,3% (IC95%: 20,7-26,0). Mulheres comadiposidade abdominal considerada nível I, ou seja, com</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">circunferência entre 80 e 87,9 cm foram 226 (23%; IC95%: 20,5-25,8). As maiores prevalências de obesidade abdominal foram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">encontradas em mulheres com idade entre 50 e 60 anos (44%),</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">viúvas (43%), com menor escolaridade (0 a 4 anos de estudos)</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(37%), pertencentes a classes econômicas D e E (30%), que não</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">estavam trabalhando (32%) e com cinco ou mais gestações</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(45,5%) (Tabelas 1 e 2). A prevalência de obesidade abdominal</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">foi a mesma para mulheres brancas e pardas ou pretas. A menarca</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">precoce e história de obesidade nos pais, foram característicasque também apareceram associadas com obesidade abdominal</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(<b><a href="#tab2">Tabela 2</a></b>). Saliente-se que, 25% das mulheres com menarca =</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">14 anos apresentaram CC nível I. Mais de 50% das mulheres</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">com relato de hipertensão ou diabetes mellitus apresentavam</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal.</font></p>     <p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><a name="tab2"><img border="0" src="/img/fbpe/alan/v57n4/art07tab2.jpg" width="508" height="1004"></a></p>     
<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Mulheres em piores condições socioeconômicas,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">traduzidas por baixa escolaridade, baixa inserção em classe</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">social e pior nível de renda, mostraram maiores prevalência</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de obesidade abdominal. Por outro lado, condições adversas,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mas não extremas, mostraram maiores prevalências de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">circunferência da cintura nível I. Maiores quartis de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">escolaridade, maior renda e mulheres pertencentes a classes</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A e B apresentaram as menores prevalências, independente</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">do nível da adiposidade abdominal (<b><a href="#tab1">Tabela 1</a></b>).</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">As Tabelas 3 e 4 mostram os efeitos brutos e ajustados dos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">preditores ou fatores de risco para obesidade abdominal. Após o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">ajuste para as variáveis do Bloco I, idade acima de 40 anos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mostrou risco de desenvolver obesidade abdominal superior a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">duas vezes. Estar casada ou em união permaneceu como fator</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de risco, comparado com as mulheres solteiras (RP = 1,83; IC95%:</font> <font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">1,15-2,92). Observa-se que o maior risco de obesidade abdominal</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">nas mulheres viúvas ficou no limiar da significância após o ajuste</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">para os fatores de confusão. Houve redução na magnitude do</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">efeito das características socioeconômicas após o ajuste no</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">modelo multivariado. Na <b><a href="#tab3">tabela 3</a></b> observam-se efeitos de risco</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">limítrofes em categorias como menor quartil de escolaridade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(RP = 1,48; IC95%: 1,03-2,12) e para classes econômicas D e E</font> <font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">(RP = 1,82; IC95%: 0,99-3,34). Saliente-se, a permanência do</font> <font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">efeito protetor para obesidade abdominal das mulheres que</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">trabalham, em relação àquelas que relataram não estar</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">trabalhando no momento da entrevista.</font></p>     <p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><a name="tab3"><img border="0" src="/img/fbpe/alan/v57n4/art07tab3.jpg" width="537" height="1176"></a></p>     
<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A <b><a href="#tab4">Tabela 4</a></b> demonstra que após o ajuste no modelo, maior</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">número de gestações e menarca tardia mantiverem-se,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">respectivamente, como fator de risco e fator de proteção para</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal. Ter pai, mãe ou ambos obesos aumentou</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">em 64% o risco de desenvolver obesidade abdominal. A</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">hipertensão arterial referida foi a única variável de morbidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">que manteve uma associação significativa com o desfecho no</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">modelo multivariado. Nem atividade física, tão pouco número</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de refeições mantiveram seus efeitos. A Figura 2 mostra o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">modelo final de determinação para obesidade abdominal em</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">mulheres adultas de São Leopoldo, Rio Grande do Sul.</font></p>     <p ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><a name="tab4"><img border="0" src="/img/fbpe/alan/v57n4/art07tab4.jpg" width="542" height="1092"></a></p> <b>     
<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">DISCUSSÃO</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"></b><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Este estudo de base populacional foi desenhado para</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">investigar a distribuição de diversas morbidades crônicas não</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">transmissíveis em mulheres adultas do município de São</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Leopoldo, localizado no sul do Brasil. A distribuição</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">percentual de mulheres nas faixas etárias utilizadas de 20 a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">60 anos foi semelhante à aquela encontrada para o censo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Demográfico de 2000 na cidade de São Leopoldo, conferindo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">representatividade para a população amostrada (Instituto</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Brasileiro de Geografia e Estatística: http://www.ibge.gov.br,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">acessado em 15/Abr/2005). Para a presente análise, foram</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">incluídas 981 mulheres que não estavam grávidas no momento</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">da entrevista e tiveram suas medidas antropométricas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">realizadas. O poder do estudo foi recalculado e com um nível</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de confiança de 95% obteve-se um poder de 80% para detectar</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">diferença significativa de 1,46 ou maiores nas razões de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">prevalência, considerando a categoria de menor quartil de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">escolaridade como exposta.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">A prevalência de 23% de circunferência de cintura nível I</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(80 a 87,9 cm) em nossa amostra foi a mesma encontrada</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">para mulheres adultas de Pelotas, RS, no ano de 1999/</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">2000[10]. Inclusive com similar distribuição entre os grupos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">etários estudados. Entretanto, a prevalência de obesidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">abdominal (CC = 88 cm) deste atual estudo foi inferior a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">pesquisa realizada em Pelotas (23,0 versus 38,7%). Esta</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">diferença pode, em parte, ser atribuída ao fato de que a atual</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">pesquisa incluiu mulheres com idade até 60 anos e o estudo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de Pelotas até 69 anos, justamente, a faixa etária com maior</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">prevalência de obesidade abdominal. Independente deste fato,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">comparando-se os dois estudos, observa-se em todas as faixas</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">etárias, maior prevalência de obesidade abdominal na amostra</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de Pelotas.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">O presente estudo foi consistente em encontrar maiores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">prevalências de obesidade abdominal em mulheres, acima de50 anos, com menor escolaridade, menor renda e viúvas ou</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">em união estável. No estudo realizado com uma amostra</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">representativa de mulheres adultas de Pelotas, RS,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">encontraram-se as mesmas tendências nestes sub-grupos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">populacionais (10). O estudo de Castanheira e colaboradores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">(22), também realizado em Pelotas, com outra amostra</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">representativa de adultos, apontou distribuição similar de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal em mulheres adultas. Assim como nos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">outros estudos, no presente trabalho foi observado um</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">gradiente de aumento no risco de obesidade abdominal entre</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">as categorias de escolaridade, de renda e de idade.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Nossos resultados não encontram diferença</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">estatisticamente significativa entre obesidade abdominal e corda pele. Ambos os estudos com amostras de Pelotas também</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">não encontraram diferenças entre as mulheres brancas e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">pardas/negras (10,22). Por meio de investigação dos bancos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de First National Health Examination Survey (NHES 1960-</font> <font COLOR="#231f20" face="Verdana" size="2">1962), do Third National Health Examination Survey(NHANES III 1988-1994) e do National Health and NutritionExamination Survey (NHANES 1999-2000), observou-se queno primeiro estudo não havia diferença entre a circunferência</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">das cinturas das mulheres brancas em relação às negras no</font> <font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">Estados Unidos (23)</font>. <font COLOR="#231f20">Já nos dois últimos inquéritos, observase</font></font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">tendência ao aumento na circunferência das cinturas tanto</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">das mulheres brancas como nas negras, com maior incremento</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">nas negras, sendo que em ambos os estudos existem diferenças</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">estatisticamente significativas. Saliente-se ainda que, embora</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">haja um relativo consenso acerca dos pontos de corte que estão</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">sendo utilizados em diversas partes do mundo, existem</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">pesquisas que sugerem a necessidade de menores pontos de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">corte para a circunferência da cintura como preditor de risco,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">como no caso de populações orientais (24,25).</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">No modelo final de determinação da obesidade abdominal</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">em mulheres adultas, permaneceram como fator de risco a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">baixa escolaridade, aumento da idade, estar casada ou viver</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">em união, ter história de obesidade nos pais e ter maior número</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de gestações. Todos esses achados são consistentes com</font> <font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">estudos já citados</font>. <font COLOR="#231f20">Entretanto, a presente investigação</font></font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">encontrou como fator de proteção para obesidade abdominal</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">a situação de emprego e a menarca.</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">O fato de a mulher estar empregada e trabalhando, além</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de proteger do acúmulo de adiposidade abdominal, pode</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">significar ter melhores condições de saúde. Sabe-se que a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal aumenta o risco de doenças crônicas,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">que por sua vez aumentam o absenteísmo, que pode levar ao</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">desemprego. Também, não se pode descartar a possibilidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de discriminação na contratação de mulheres com obesidade</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">seja ela na região abdominal ou geral.</font> </p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Não há referências na literatura sobre o efeito protetor de</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">menarca tardia para obesidade abdominal. A associação com</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade global, avaliada por meio do Índice de Massa</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Corporal tem sido registrada (17,26) e há plausibilidadebiológica. A massa de gordura corporal seria precursora do</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">início da puberdade por meio da síntese de leptina pelos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">adipócitos, que aceleraria a maturação do tecido e a funçãoreprodutiva. Especificamente, quanto a gordura na regiãocentral, mais estudos devem ser realizados. Em nossos dados</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">contatou-se maior efeito protetor de menarca tardia para</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal do que para obesidade global (dados</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">não mostrados).</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">O estudo investigou a associação de diabetes mellitus,distúrbios psiquiátricos menores e hipertensão com aobesidade abdominal. As três morbidades mostram-seassociadas positivamente com o desfecho, entretanto, após o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">ajuste, no modelo multivariado, apenas a hipertensão mantevea significância estatística. Saliente-se, entretanto, que tantopara diabetes mellitus como para distúrbios psiquiátricosmenores, o estudo não teve poder para detectar comosignificante o efeito após o ajuste no modelo. Isso pode ser</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">corroborado pelos valores dos limites inferiores dos intervalos</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de confiança, 0,90 e 0,94, respectivamente, para o efeito dodiabetes mellitus e dos distúrbios psiquiátricos menores. A</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">associação de obesidade abdominal com diabetes mellitus tem</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">sido reportada na literatura científica (2) .</font></p>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">Por meio de um estudo transversal de base populacional e</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">posterior análise multivariada dos dados, foi possível estimar</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">a prevalência de obesidade abdominal e identificar os fatores</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">associados em mulheres adultas. A compreensão de como a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal se distribui na população permite o</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">planejamento de ações mais efetivas para a redução deste</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">relevante problema de nutrição e saúde pública. Entretanto,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">para a proposição de ações efetivas é necessária a compreensão</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">de que, embora praticamente todos os fatores associados a</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">obesidade abdominal sejam considerados modificáveis,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">observa-se diferentes níveis de ações para reverter esse quadro.</font> <font color="#231f20" size="2" face="Verdana"> O estudo identificou fatores que exigem medidas disseminaçãode conhecimento e ações especificas na população, ao mesmo</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">tempo, identificou fatores distais na cadeia de determinação,</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">como a escolaridade e a situação de emprego, que exigem a reestruturação</font> <font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">das macro-políticas sociais existentes neste país.</font></p> <b>     <p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">REFERÊNCIAS</font></p> </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">1. Haffner SM, Despres JP, Balkau B, et al. Waist circunferemce</font> <font COLOR="#231f20">and body mass index are both independently associated with</font> <font COLOR="#231f20">cardiovascular disease: The International Day for the Evaluation</font> <font COLOR="#231f20">of Abdominal Disease, in J Am Coll Cardiol. 2006. p. Abstract</font> <font COLOR="#231f20">842-6.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482968&pid=S0004-0622200700040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font COLOR="#231f20" size="2" face="Verdana">2. Wang Y, Rimm EB, Stampfer MJ, Willett WC, Hu FB. Comparison of abdominal adiposity and overall obesity inpredicting risk of type 2 diabetes among men. Am J Clin Nutr 2005; 81(3): p. 555-63.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482969&pid=S0004-0622200700040000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">3. Okosun IS, Boltri JM, Hepburn VA, Eriksen MP, Davis-Smith</font> <font COLOR="#231f20">M. Regional fat localizations and racial/ethnic variations in oddsof hypertension in at-risk American adults. J Hum Hypertens,</font> <font COLOR="#231f20">2006; 20(5): p. 362-71.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482970&pid=S0004-0622200700040000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">4. Ferreira MG, Valente JG, Goncalves-Silva RM, Sichieri R.</font> <font COLOR="#231f20">[Accuracy of waist circumference and waist-to-hip ratio as predictorsof dyslipidemia in a cross-sectional study among blooddonors in Cuiaba, Mato Grosso State, Brazil.]. Cad Saude Publica</font> <font COLOR="#231f20">2006; 22(2): p. 307-14.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482971&pid=S0004-0622200700040000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">5. Moore LL, Bradlee ML, Singer MR, Splansky GL, Proctor</font> <font COLOR="#231f20">MH, Ellison RC, et al. BMI and waist circumference as predictorsof lifetime colon cancer risk in Framingham Study adults.</font> <font COLOR="#231f20">Int J Obes Relat Metab Disord 2004; 28(4): p. 559-67.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482972&pid=S0004-0622200700040000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">6. Gyarfas I, Keltai M, Salim Y. [Effect of potentially modifiable</font>  <font COLOR="#231f20">risk factors associated with myocardial infarction in 52 countriesin a case-control study based on the INTERHEART study]. Orv Hetil 2006; 147(15): p. 675-86.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482973&pid=S0004-0622200700040000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">7. Velasquez-Melendez G, Kac G, Valente JG, Tavares R, Silva</font> <font COLOR="#231f20">CQ, Garcia ES. Evaluation of waist circumference to predictgeneral obesity and arterial hypertension in women in Greater</font>  <font COLOR="#231f20">Metropolitan Belo Horizonte, Brazil. Cad Saude Publica 2002; 18(3): p. 765-71.</font></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482974&pid=S0004-0622200700040000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2"><font COLOR="#231f20">8. Olinto MTA, Nacul LC, Gigante DP, Costa JS, Menezes AM,</font> <font COLOR="#231f20">Macedo S. Waist circumference as a determinant of hypertensionand diabetes in Brazilian women: a population-based study. 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Critériode classificação econômica Brasil. http//:www.anep.org.br.(cited 2003 13/Dez.).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=482983&pid=S0004-0622200700040000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p ALIGN="justify" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">17. Teichmann L, Olinto MTA, Dias-da-Costa JS, Ziegler D. (Associatedfactors to overweigth and obesity in women in thesouth of Brazil). 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