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</front><body><![CDATA[   <B><FONT SIZE=4>     <P ALIGN="center">A CONCI&Ecirc;NCIA DO DADO</P> </FONT> </B>     <P ALIGN="JUSTIFY">Os pa&iacute;ses da nossa regi&atilde;o, em boa medida, compartilham limita&ccedil;&otilde;es significativas no que concerne a dispor de informa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica confi&aacute;vel e atualizada exigida pelo desenvolvimento de suas sociedades. Contrariamente ao que acontece no primeiro mundo, pareceria que grande parte dos respons&aacute;veis da condu&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e particulares, acad&ecirc;micas ou n&atilde;o, n&atilde;o designam a devida import&acirc;ncia &agrave; recopila&ccedil;&atilde;o e processamento de dados (&quot;data&quot;, segundo um anglicismo muito usado) que s&atilde;o, definitivamente, vitais para suas respectivas fun&ccedil;&otilde;es e para a planifica&ccedil;&atilde;o de suas futuras a&ccedil;&otilde;es. Isto traz como conseq&uuml;&ecirc;ncia uma not&aacute;vel falta de interesse em todos os n&iacute;veis institucionais pelo subministro, recolhimento, ordenamento e preserva&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, existente ou em produ&ccedil;&atilde;o, que pudesse ser de utilidade. Chama, portanto a aten&ccedil;&atilde;o, em primeiro lugar, a falta de consci&ecirc;ncia que se observa sobre o valor do dado como elemento fundamental do conhecimento sobre diversos aspectos da sociedade e, em segundo lugar, mas ainda mais importante, a pouca aten&ccedil;&atilde;o ou a pouca &ecirc;nfase que boa parte das institui&ccedil;&otilde;es, tanto p&uacute;blicas como particulares, tem proporcionado para apoiar as iniciativas tendentes &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;sticas apropriadas. Em outras palavras n&atilde;o existe ou, &eacute; muito pobre, ao menos na Venezuela, a &quot;consci&ecirc;ncia ou cultura do dado&quot;.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Obviamente existem exce&ccedil;&otilde;es que correspondem a atividades que requerem for&ccedil;osamente contar com informa&ccedil;&atilde;o confi&aacute;vel. No mundo dos neg&oacute;cios, nas depend&ecirc;ncias oficiais relacionadas com a produ&ccedil;&atilde;o, o com&eacute;rcio e as finan&ccedil;as, nos bancos, etc. a manipula&ccedil;&atilde;o das estat&iacute;sticas &eacute; algo imprescind&iacute;vel e rotineiro. No entanto, em outras &aacute;reas de import&acirc;ncia para o desenvolvimento n&atilde;o se considera priorit&aacute;ria a gera&ccedil;&atilde;o de essa consci&ecirc;ncia e os frutos que a mesma poderia produzir. </P>     <P ALIGN="JUSTIFY">No campo que em particular nos interessa, o da ci&ecirc;ncia e a tecnologia, &eacute; especialmente not&oacute;ria a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o estruturada, inclusive nos organismos que deveriam estar na obriga&ccedil;&atilde;o de oferec&ecirc;-la de maneira r&aacute;pida e simples. Consideremos alguns exemplos neste sentido. Desde faz tr&ecirc;s anos existe na Venezuela um Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e, previamente, existiu desde 1.969 o Conselho Nacional de Investiga&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas e Tecnol&oacute;gicas (CONICIT), organismos oficiais ambos reitores das atividades de C. e T. Pois bem, podemos afirmar que o pa&iacute;s n&atilde;o sabe, com certeza, com quantos investigadores conta, nem em total, nem em cada &aacute;rea do conhecimento, nem sobre sua distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, por sexo ou por idade. Talvez o organismo que disp&otilde;e da maior quantidade de informa&ccedil;&atilde;o sobre parte dos investigadores venezuelanos &eacute; a Funda&ccedil;&atilde;o Programa de Promo&ccedil;&atilde;o do Investigador (PPI), desenhada para fornecer os ingressos complementares aos investigadores ativos. No entanto, e este &eacute; outro exemplo, se desejamos pesquisar, digamos, quantos f&iacute;sicos est&atilde;o no programa nos topamos com dificuldades s&eacute;rias.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Em institui&ccedil;&otilde;es particulares ocorre outro tanto. Como amostra, temos que na Venezuela existe uma Associa&ccedil;&atilde;o para o Avance da Ci&ecirc;ncia (AsoVAC), organiza&ccedil;&atilde;o sem fins de lucro que tem mais de 50 anos de vida e mais de 4.000 membros. Nestes momentos, apesar dos esfor&ccedil;os realizados por diretivos da Associa&ccedil;&atilde;o para que se disponha de dados estat&iacute;sticos elementares sobre a composi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de seus membros, &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o, correio eletr&ocirc;nico, etc., tal informa&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o existe, com as conseq&uuml;&ecirc;ncias que isto implica. &Agrave; falta de empenho institucional tem que acrescentar a aus&ecirc;ncia da &quot;consci&ecirc;ncia do dado&quot; entre os pr&oacute;prios interessados, o qual dificulta ainda mais a elabora&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;sticas &uacute;teis.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Duas publica&ccedil;&otilde;es recentes, a respeito do custo de fazer ci&ecirc;ncia por J. Requena (<I>Interci&ecirc;ncia 28</I>: 21-28, 2003) e sobre a emigra&ccedil;&atilde;o de cient&iacute;ficos e tecn&oacute;logos por I. De la Vega (<I>Interci&ecirc;ncia 28</I>: 259-267, 2003) tamb&eacute;m ilustram a situa&ccedil;&atilde;o existente.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Os exemplos podem se multiplicar e n&atilde;o tem a inten&ccedil;&atilde;o de fazer um estudo exaustivo. A disponibilidade de informa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, confi&aacute;vel e atualizada n&atilde;o poder&aacute; se alcan&ccedil;ar de maneira natural e cont&iacute;nua se n&atilde;o se consegue criar antes a &quot;consci&ecirc;ncia do dado&quot;. Isto &eacute; muito mais importante que contar com as ferramentas mais modernas oferecidas pela tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o as quais, de outro modo, seriam utilizadas para manipular dados inexistentes.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY"></P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Manuel Bemporad</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY">Diretor Executivo</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">AsoVAC - Caracas</P>       ]]></body>

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