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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><b><font size="4">O FUTURO: DISSEMINAÇÃO ELECTRÔNICA DA CIÊNCIA</font></b></P>     <P ALIGN="JUSTIFY">As publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas peri&oacute;dicas tradicionais, impressas em papel, se enfrentam por m&uacute;ltiplas raz&otilde;es a um gradual, ainda que lento, processo de desapari&ccedil;&atilde;o. Entre os fatores que levam a isto est&atilde;o os custos crescentes do papel e da distribui&ccedil;&atilde;o postal, a lentid&atilde;o dos processos de impress&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, e a dificuldade do acesso a documentos em papel e seu arquivo. Tudo isso contrasta poderosamente com a velocidade, economia e efici&ecirc;ncia dos meios eletr&ocirc;nicos que, al&eacute;m disso, fazem poss&iacute;vel o sonho do livre acesso de todos, em todas partes, o conhecimento.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">A progressiva incorpora&ccedil;&atilde;o dos meios eletr&ocirc;nicos na dissemina&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica tem ido penetrando os &acirc;mbitos acad&ecirc;micos de Latino Am&eacute;rica e o Caribe, ainda que a um ritmo muito mais lento que nos pa&iacute;ses do primeiro mundo, onde se tem adiantado importantes experi&ecirc;ncias neste sentido.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Os investigadores, tanto no seu papel de autores que buscam a melhor localiza&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel de seus trabalhos como no papel de leitores, tem sido menos reativos &agrave; situa&ccedil;&atilde;o existente que os respons&aacute;veis de bibliotecas. Tem-se estruturado diversas formas de publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica e arquivo como o Arquivo de Borradores de Los &Aacute;lamos, hoje em Cornell, o SPIRES em Stanford, ou o <I>PubMed Central</I> no NIH. Outras iniciativas como a <I>Public Library of Science</I> (PLoS) e a <I>Budapest Open Access Initiative</I> (BOAI) buscam fomentar e incentivar a publica&ccedil;&atilde;o por meios eletr&ocirc;nicos com livre acesso.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">A raiz da crise que se vem produzindo desde faz mais de uma d&eacute;cada nas bibliotecas das institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior e investiga&ccedil;&atilde;o como resultado dos pre&ccedil;os, inel&aacute;sticos e sempre crescentes, das publica&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas, aquelas t&ecirc;m formado cons&oacute;rcios editoriais como SPARC e <I>HighWire Press</I> para a publica&ccedil;&atilde;o, aquisi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de revistas, que permitam estabelecer um fluxo adequado dos documentos requeridos sem a interfer&ecirc;ncia das empresas editoriais comerciais.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">As editoriais comerciais, por sua parte, t&ecirc;m assumido a meta de trabalhar com os meios eletr&ocirc;nicos e oferecem servi&ccedil;os de grande utilidade e importante valor agregado em forma de pacotes de publica&ccedil;&otilde;es e buscadores. N&atilde;o obstante, no fundo seguem sendo empresas de neg&oacute;cios orientadas a obter a maior gan&acirc;ncia poss&iacute;vel com o que deve ser propriedade de seus geradores ou das institui&ccedil;&otilde;es que auspiciam e financiam as investiga&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o das casas editoriais.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Nos pa&iacute;ses em desenvolvimento de nossa regi&atilde;o s&atilde;o poucas as revistas cient&iacute;ficas de alta qualidade que se produzem e contad&iacute;ssimas aquelas pelas que casas editoriais internacionais se interessam, dada a insignificante gan&acirc;ncia, se a tem, que produzem ao comercializar-las. Faz um par de d&eacute;cadas uma grande editorial do momento assumiu os custos de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de <I>Interci&ecirc;ncia</I>, ainda nos tempos em que era toda de papel, com a finalidade de usa-la como palanca para penetrar o mercado latino americano, mas a aventura durou apenas um par de anos. N&atilde;o era negocio.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Na medida em que as revistas cient&iacute;ficas publicadas na regi&atilde;o s&atilde;o revistas institucionais, como &eacute; o caso de quase todas elas, pertencentes a institui&ccedil;&otilde;es ou sociedades profissionais que cobrem os gastos de seus escrit&oacute;rios editoriais, o passo &agrave; publica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica exclusivamente leva uma importante redu&ccedil;&atilde;o dos custos de impress&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o adicionais a &agrave;queles da produ&ccedil;&atilde;o editorial, que se mant&ecirc;m.</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Para <I>Interci&ecirc;ncia</I>, no entanto, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente complexa. Ao n&atilde;o contar com uma institui&ccedil;&atilde;o que respalde financeiramente &agrave; revista, sua subsist&ecirc;ncia depende dos ingressos pr&oacute;prios e de subven&ccedil;&otilde;es. Os ingressos pr&oacute;prios s&atilde;o na sua maior parte, provenientes de subscri&ccedil;&otilde;es, que desapareceriam ao ser uma revista de livre acesso na Internet, e de cargos por p&aacute;gina, para os que ainda n&atilde;o se t&ecirc;m uns mecanismos eficientes. As subven&ccedil;&otilde;es, que prov&ecirc;m do Programa de Publica&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas do FONACIT de Venezuela e cobrem parte da metade dos gastos totais da revista, n&atilde;o contemplam outros gastos que os de edi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o impressa e da montagem do material na <I>Scientific Electronic Library on Line </I>(SciELO).</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">A busca de bases econ&ocirc;micas est&aacute;veis para a produ&ccedil;&atilde;o editorial, tanto da vers&atilde;o tradicional impressa ou da eletr&ocirc;nica, continua sendo uma necessidade primaria.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="JUSTIFY"></P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Miguel Laufer</P>     <P ALIGN="JUSTIFY">Diretor Interci&ecirc;ncia</P>       ]]></body>

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