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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font face="Verdana"><b>O neocolonialismo do ouro verde</b></font></p>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">Faz pouco tempo, os altos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo foram atribuidos em parte a necessidade das empresas transnacionais que exploram o petr&oacute;leo de realizar grandes invers&otilde;es para a explora&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo dif&iacute;cil, aquele localizado em lugares de dif&iacute;cil acesso (em alto mar ou no permafrost). E agora, ser&aacute; que a abrupta queda nos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo indica que as transnacionais ja n&atilde;o querem seguir investindo na explora&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo dif&iacute;cil?</font></P>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">Uma explica&ccedil;&atilde;o que pudera ser a mais acertada &eacute; que a queda dos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo foi motivada pela crise econ&ocirc;mica a ra&iacute;z dos problemas do financiamento hipotec&aacute;rio nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos.</font></P>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">O consumo mundial de petr&oacute;leo &eacute; de 30 Gbbl/ano, e segundo a teoria da curva de Hubbert, ficariam ~50 anos de reservas convencionais de petr&oacute;leo. Tais reservas s&atilde;o definidas como aquelas jazidas econ&ocirc;micamente explor&aacute;veis por m&eacute;todos convencionais. Ficam fora, al&eacute;m das jazidas em alto mar e no permafrost, o petr&oacute;leo remanente em po&ccedil;os esgotados, o petr&oacute;leo pesado, as areias betuminosas e os dep&oacute;sitos afastados de g&aacute;s natural (<I>stranded gas</I>). Estes &uacute;ltimos poderiam ser reservas muito importantes quando possam ser implementados novos processos para a obten&ccedil;&atilde;o <I>in situ</I> de GTL (g&aacute;s natural transformado em l&iacute;quido).</font></P>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">O baixo pre&ccedil;o do petr&oacute;leo limita a oferta. As transnacionais n&atilde;o t&ecirc;m interesse em que o petr&oacute;leo seja vendido a um pre&ccedil;o muito baixo, e mesmo que os pa&iacute;ses produtores (OPEP) poderiam estar tentados a controlar a produ&ccedil;&atilde;o, parecem carecer do &quot;know-how&quot; necess&aacute;rio para pressionar as teclas apropriadas para aumentar seus ingressos, al&eacute;m do temor de que ser&aacute; consumido o pouco que resta.</font></P>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">A inibi&ccedil;&atilde;o da oferta de petr&oacute;leo favorece o aumento da produ&ccedil;&atilde;o de outro tipo de combust&iacute;vel n&atilde;o f&oacute;ssil: os biocombust&iacute;veis. Lamentavelmente, o aumento de sua produ&ccedil;&atilde;o poderia afetar o abastecimento aliment&aacute;rio no caso de realizada em pa&iacute;ses com agricultura pouco desenvolvida. Al&eacute;m disso, pode causar a destrui&ccedil;&atilde;o de selvas tropicais ao serem convertidas em monocultivos de mat&eacute;rias primas para biocombust&iacute;veis (palma, cana de a&ccedil;&uacute;car, etc.), j&aacute; que nas regi&otilde;es tropicais &eacute; onde se encontram as melhores condi&ccedil;&otilde;es para seu cultivo. A transforma&ccedil;&atilde;o de selvas tropicais com fins de produ&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria prima para biocombust&iacute;veis j&aacute; tem se iniciado em grande escala em regi&otilde;es tropicais asi&aacute;ticas (na Malasia e Indon&eacute;sia, cultivos de palma cobrem 2/3 da terra cultivada) colocando muitas esp&eacute;cies em perigo de extin&ccedil;&atilde;o. A febre do ouro verde se intensifica na Asia, enquanto que grandes extens&otilde;es de selvas tropicais na &Aacute;frica Central e  Amazonas permanecem propensas ao cont&aacute;gio.</font></P>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">A s&iacute;ndrome de Bambi, que mostra todo desenvolvimento do tr&oacute;pico como catastr&oacute;fico, parece acentuar-se com as previs&otilde;es de expans&atilde;o de tais monocultivos. A maioria das selvas tropicais est&atilde;o em pa&iacute;ses em desenvolvimento que, para poder aumentar o consumo energ&eacute;tico associado a esse desenvolvimento (acesso a eletricidade, transporte automotor, etc.) poderiam ver-se tentados a cultivar mat&eacute;ria prima para biocombust&iacute;veis, para seu pr&oacute;prio consumo e para satisfazer as reservas estrat&eacute;gicas de combust&iacute;veis l&iacute;quidos de pa&iacute;ses mais desenvolvidos, as quais, no futuro talvez n&atilde;o sejam mais de petr&oacute;leo, e sim de biocombust&iacute;vel. Considerando que um hectare de palma africana ou cana de a&ccedil;&uacute;car pode produzir uma m&eacute;dia de 30 bbl/ano de biodiesel ou bioetanol, a &aacute;rea selv&aacute;tica global entre os tr&oacute;picos de C&aacute;ncer e de Capric&oacute;rnio (~1Gha) seria suficiente para substituir por biocombust&iacute;veis a produ&ccedil;&atilde;o global de petr&oacute;leo acima indicada.</font></P>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">O passado e o presente do continente Americano tem se caracterizado pela sucess&atilde;o de colonialismos: primeiro o causado pelo ouro buscado nas cordilheiras pelos conquistadores provenientes dos imp&eacute;rios europeos, e depois o causado pelo ouro negro, encontrado primeiro nas plan&iacute;cies norteamericanas, e enseguida no Lago de Maracaibo, no Golfo do M&eacute;xico, etc. Parecera que nos dirigimos para um novo colonialismo, o do ouro verde, localizado nas selvas tropicais.</font></P>     <P align="center"><font face="Verdana" size="2"><b>Jorge Laine</b></font></P>     <P align="justify"><font face="Verdana" size="2">Instituto Venezuelano de Investiga&ccedil;&otilde;es Cient&iacute;ficas.  Venezuela</font></P>    ]]></body>
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