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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A artilharia brasileira e a defesa de Fernando de Noronha durante a 2ª Guerra Mundial]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[With Brazil's entry into the World War Two, in 1942, the possibility of an invasion of northeastern Brazil presented in vivid and real colors. In the context of Northeast Operations Theatre, the Fernando de Noronha archipelago represented a defense of the so-called strategic triangle vertices, and to defend him, the Brazilian Army organized a Joint Detachment, strong in artillery units, able to cope with an atack. This article aims to revisit the history of the presence of the Brazilian Army on the island during the 2nd World War and analyze the role of artillery units on the defensive device.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Con la entrada de Brasil en la Segunda Guerra Mundial, en 1942, la posibilidad de una invasión del Nordeste de Brasil se presentó en colores vivos y reales. En el contexto del Teatro de Operaciones del Nordeste, el archipiélago de Fernando de Noronha representó la defensa de uno de los vértices del llamado triángulo estratégico, y que para defenderlo, el Ejército de Brasil organizó un destacamento conjunto, fuerte en las unidades de artillería, capaz de hacer frente a un ataque. Este artículo tiene como objetivo revisar la historia de la presencia del Ejército de Brasil en las islas durante la Segunda Guerra Mundial y analizar el papel de las unidades de artillería en el dispositivo defensivo.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font face="Verdana"><b>A artilharia brasileira e a defesa de  Fernando de Noronha durante a 2ª Guerra Mundial</b></font></p>     <p align="center"><font face="Verdana"><b>Brazilian artillery and the defense of  Fernando de Noronha during the 2nd World War</b></font></p>     <p align="center"><font face="Verdana"><b>La artilharia brasileña y la defensa  de Fernando de Noronha durante la 2ª Guerra Mundial</b></font></p>     <p align="center"><font face="Verdana" size="2"><b>Carlos Roberto Carvalho Daróz</b></font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Mestre em Operações Militares  pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército Brasileiro, mestrando em  História do Brasil pela Universidade Salgado de Oliveira, especialista em  História Militar pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e pelo  Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, licenciado em História pela  Universidade Salgado de Oliveira. Professor da Universidade do Sul de Santa  Catarina. E-mail: <a href="mailto:cdaroz@yahoo.com.br">cdaroz@yahoo.com.br</a></font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Resumo:</b> Com a entrada do  Brasil na 2ª Guerra Mundial, em 1942, a possibilidade de uma invasão ao Nordeste  brasileiro apresentava-se em cores vivas e reais. No contexto do Teatro de  Operações Nordeste, o arquipélago de Fernando de Noronha representava um dos  vértices do chamado triângulo estratégico de defesa e, para defendê-lo, o  Exército Brasileiro organizou um Destacamento Misto, forte em unidades de  artilharia, capazes de fazer frente a um ataque. O presente artigo tem como  propósito revisitar a história da presença do Exército Brasileiro na ilha  durante a 2ª Guerra Mundial e analisar o papel das unidades de artilharia no  dispositivo defensivo.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras chave:</b>  Artilharia, defesa do litoral, 2ª Guerra Mundial</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Abstract:</b> With Brazil's  entry into the World War Two, in 1942, the possibility of an invasion of  northeastern Brazil presented in vivid and real colors. In the context of  Northeast Operations Theatre, the Fernando de Noronha archipelago represented a  defense of the so-called strategic triangle vertices, and to defend him, the  Brazilian Army organized a Joint Detachment, strong in artillery units, able to  cope with an atack. This article aims to revisit the history of the presence of  the Brazilian Army on the island during the 2nd World War and analyze the role  of artillery units on the defensive device.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> Artillery,  coastal defence, World War Two</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Resumen:</b> Con la entrada  de Brasil en la Segunda Guerra Mundial, en 1942, la posibilidad de una invasión  del Nordeste de Brasil se presentó en colores vivos y reales. En el contexto del  Teatro de Operaciones del Nordeste, el archipiélago de Fernando de Noronha  representó la defensa de uno de los vértices del llamado triángulo estratégico,  y que para defenderlo, el Ejército de Brasil organizó un destacamento conjunto,  fuerte en las unidades de artillería, capaz de hacer frente a un ataque. Este  artículo tiene como objetivo revisar la historia de la presencia del Ejército de  Brasil en las islas durante la Segunda Guerra Mundial y analizar el papel de las  unidades de artillería en el dispositivo defensivo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Palabras clave:</b>  Artillería, defensa de la costa, Segunda Guerra Mundial.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Recibido: 2/10/2016</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Aceptado: 5/11/2016</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Introdução</b></font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Quando se estuda a 2ª Guerra  Mundial (1939-1945), são de conhecimento geral os combates no Oceano Pacífico,  onde forças anfíbias norte-americanas assaltaram ilhas isoladas na imensidão do  oceano, fortemente defendidas pelos japoneses. Nomes como Guadalcanal, Midway,  Saipan, Iwo Jima e Okinawa – todas ilhas – são uma referência no imaginário  coletivo do conflito. Da mesma forma, é bem conhecida a defesa da ilha de Malta  pelas tropas da <i>Commonwealth</i><sup>1</sup>, que impediu o domínio do  Mediterrâneo pelas forças alemãs e italianas. O que pouca gente sabe, contudo, é  que, durante a guerra, o Exército Brasileiro teve que defender um arquipélago,  Fernando de Noronha, para que não viesse a cair em mãos inimigas.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">O presente trabalho tem por  propósito revisitar esse episódio e analisar como as unidades de artilharia  foram empregadas para defender o arquipélago de um possível ataque procedente do  mar ou do ar. Busca responder também a indagações como: de que forma os soldados  brasileiros, muitos recém-convocados e sem experiência, superaram uma imensa  quantidade de obstáculos e instalaram-se no arquipélago, ponto mais avançado do  dispositivo defensivo do Nordeste brasileiro, para defendê-lo de um ataque que  nunca veio? Essa é a história dos homens e seus canhões que defenderam Fernando  de Noronha entre 1942 e 1945.</font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">A  guerra chega ao Brasil </font></span></b></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Nos  primeiros anos da guerra, a Alemanha venceu praticamente todas as campanhas de  que tomou parte na Europa Ocidental, isolando a Grã-Bretanha que, privilegiada  por seu território insular, continuou resistindo. Em seguida, em junho de 1941,  rompendo o pacto de não agressão<sup>2</sup> que havia firmado menos de dois  anos antes, Hitler invadiu a União Soviética, abrindo a Frente Oriental. Na  África do Norte, os alemães foram em socorro a seus aliados italianos com seu </font><i><font size="2">Afrika Korps</font></i></span><sup><i><span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">3</font></span></i></sup><span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">,  dando início à Campanha do Deserto. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Inicialmente, o Brasil permaneceu neutro, embora muitos integrantes do governo –  inclusive o próprio presidente Getúlio Vargas – e oficiais do Exército  Brasileiro nutrissem evidente simpatia pelo regime nazista da Alemanha. O  governo dos Estados Unidos (EUA), principal potência das Américas também  permaneceu em posição de neutralidade, pressionado por sua opinião pública que  considerava a guerra um assunto essencialmente europeu. No entanto, aos poucos,  os EUA passaram a apoiar, com equipamentos militares, a Grã-Bretanha em sua  resistência contra a Alemanha. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">A  guerra, no entanto, não tardaria a chegar ao Atlântico Sul. O episódio do  afundamento do encouraçado de bolso alemão <i>Graf Spee </i>pela Marinha Real  britânica, a 17 de dezembro de 1939, diante de Montevidéu, na foz do Rio da  Prata, demonstrou que a manutenção da neutralidade seria tarefa difícil.<sup>4</sup></font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Em  julho de 1940, na conferência de Havana, as nações americanas firmaram um  compromisso estabelecendo que um ato de agressão contra um de seus países seria  considerado um atentado contra toda a América. Assim, o Brasil precisou tomar  uma posição após o ataque japonês contra a Esquadra do Pacífico norte-americana  no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e a subsequente declaração de guerra dos EUA  contra o Japão, a Alemanha e a Itália, no dia seguinte. Como participante desta  cúpula, o país se solidarizou com os EUA e, “honrando seus compromissos no plano  internacional”, apoiou a decisão rompendo as relações diplomáticas com o Eixo  durante a Terceira Reunião dos Chanceleres, em janeiro de 1942.<sup>5</sup> </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Encerrada a via diplomática, de meados de junho até fins de julho de 1942 as  marinhas de guerra da Itália e da Alemanha respeitaram uma trégua unilateral, na  expectativa de uma mudança de posição do Governo brasileiro. Todavia, o intenso  comércio do país com os EUA, assim como a cooperação militar, prosseguiram em  ritmo acelerado. Para o Eixo, não havia mais esperanças e, em fins de julho, os  submarinos alemães e italianos foram autorizados a intensificar as operações  contra os navios mercantes brasileiros, e, a partir do mês seguinte, foram  desencadeados os mais violentos ataques contra a Marinha Mercante brasileira.<sup>6</sup>  Em apenas sete meses, dezenove navios nacionais foram afundados pelos <i>u-boat </i>alemães e submarinos italianos, ceifando a vida de mais de 900 brasileiros,  o que gerou grande comoção e clamor popular.<sup>7</sup> Em resposta, no dia 22  de agosto de 1942 o Brasil decretou o estado de guerra contra os governos da  Alemanha e da Itália.<sup>8</sup> </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Parceria no Atlântico Sul </font></span></b></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2">Antes mesmo de o Brasil entrar efetivamente no conflito, o  governo dos EUA procurou se aproximar das autoridades brasileiras,  particularmente em função do valor militar do nordeste brasileiro para o  controle do Atlântico Sul, área de importância geopolítica fundamental para o  esforço de guerra estadunidense.<sup>9</sup> Além disso, a instalação de bases  aeronavais dos EUA no saliente nordestino – localizadas no ponto de menor  distância entre as Américas e o norte da África – possibilitaria o abastecimento  dos aviões que mantinham a linha de suprimentos para as tropas lá desdobradas.<sup>10</sup>  Nesse sentido, depois de complexas tratativas diplomáticas entre EUA e Brasil,  que incluíram a visita do presidente Franklin Delano Roosevelt a Natal, em 23 de  julho de 1941, os dois países firmaram um acordo de cooperação econômica e  militar. Conforme observa Moura, </font></span></font></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">[...] a aliança Brasil–Estados Unidos não era o resultado  	natural de elos históricos culturais comuns entre os dois países, nem era um  	exemplo de boa vontade unilateral. Ela resultou de um processo de  	negociações árduas e contínuas entre os dois países.<sup>11</sup> </font> 	</span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">A  Comissão Militar Mista Brasil-EUA<sup>12</sup>, constituída por oficiais de  estado-maior brasileiros e estadunidenses, passou a gerenciar a vertente militar  do acordo, que definia claramente as responsabilidades de ambos os signatários,  conforme assinala Duarte: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">O Brasil prometia auxiliar com todas as suas forças e meios  	disponíveis a defesa comum do continente americano; construir bases aéreas e  	navais, permitindo sua utilização às outras nações americanas; organizar e  	defender sua costa e as ilhas ao longo do litoral, bem assim, as estradas e  	os meios de comunicação do país. Por seu turno, os Estados Unidos prometiam  	não só o emprego de suas forças armadas em auxílio do Brasil, na defesa  	contra ataque de força armada de Estado extracontinental, com a obtenção de  	armamento e todos os meios materiais de que pudesse necessitar o Brasil para  	a meta em questão, bem como fornecer o que este país declarasse necessitar.<sup>13</sup> 	</font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2">Em decorrência desse acordo, foram organizados a Força  Expedicionária Brasileira (FEB) e o 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea  Brasileira (FAB), que combateriam na Itália. Além disso, os EUA forneceram  expressiva quantidade de material de guerra, armamento, viaturas, navios e  aviões. Para a defesa do litoral do Nordeste e do Atlântico Sul, o acordo  possibilitou a construção de bases aéreas e navais, quartéis, o fornecimento de  material e equipamentos de guerra e a instalação, com base no Recife, da 4ª  Esquadra da Marinha dos EUA, à qual ficou subordinada a Força Naval do Nordeste  brasileira. No segundo semestre de 1941, com a situação da África do Norte ainda  indefinida, a ameaça de um ataque alemão contra o litoral nordestino era  bastante plausível.</font></span><sup><span lang="PT-BR"><font size="2">14</font></span></sup><span lang="PT-BR"><font size="2"> </font></span></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Organizando a defesa do nordeste </font></span></b></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Ainda em meados do ano de 1941, ou seja, antes mesmo do ataque japonês à base da  Marinha dos EUA, em Pearl Harbor, e da entrada do Brasil na guerra, o governo  brasileiro criou o Teatro de Operações (TO) Nordeste, que, por sua vez, era  dividido em dois setores de defesa, cada qual compreendendo dois estados da  federação e mobiliados com uma divisão de infantaria (DI), ainda a serem  organizadas. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  Setor Sul englobava os estados de Pernambuco e Alagoas e ficou sob a  responsabilidade da 7ª DI, com quartel-general (QG) no Recife, posto que também  era sede da 4ª Esquadra da Marinha dos EUA e da base aérea do Ibura<sup>15</sup>,  construída pela engenharia do Exército dos EUA. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">A  14ª DI, com QG em João Pessoa, era responsável pela defesa do Setor Norte, que  abrangia os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Próximo a Natal, na  localidade de Parnamirim, foi construída uma imensa base aeronaval  norte-americana</font></span><sup><span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">16</font></span></sup><span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">,  ponto de partida das patrulhas antissubmarino e com instalações de  reabastecimento de aviões e navios em trânsito dos EUA para a África</font></span><sup><span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">17</font></span></sup><span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">.</font></span></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig1.gif" width="494" height="335"></p>     
<p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> Complementando o dispositivo de defesa do saliente nordestino, decidiu-se pela  ocupação militar do arquipélago de Fernando de Noronha, que, juntamente com  Natal e Recife, passou a formar o triângulo estratégico de defesa sul do  continente americano.</span></font></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig2.gif" width="558" height="229"></p>     
<p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2">Com o estabelecimento do TO Nordeste, foram iniciadas as  providências efetivas para prover a devida defesa da região. Diversas unidades  do exército baseadas nas regiões Sul e Sudeste foram transferidas para completar  as novas DI e outras tantas foram criadas e organizadas localmente. O novo TO  requeria um comandante com boa capacidade organizacional e, em janeiro de 1942,  o experiente General Estevão Leitão de Carvalho<sup>18</sup> foi nomeado  comandante do 1º Grupo de Regiões Militares (1º GRM) e, um mês depois,  comandante dos TO Este e Nordeste, cuja área de responsabilidade se estendia  desde o estado da Bahia até o Piauí. </font></span></font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Uma  das primeiras providências tomadas pelo novo comandante foi realizar uma viagem  de reconhecimento ao Nordeste, com o objetivo de conhecer o valor e o poder de  combate das tropas à sua disposição, bem como identificar as possibilidades  defensivas e vulnerabilidades do terreno do TO. Como resultado dessa viagem de  inspeção, o General Leitão de Carvalho elaborou um Plano de Manobra para a  defesa do Nordeste, que, dentre outras disposições, definia como missão que </font></span></p>     <blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">A defesa do Nordeste far-se-á mediante grupamentos de força,  	concentrados em torno dos portos marítimos e das bases aéreas da região,  	competindo a esses grupamentos: </font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">[...] </font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">- impedir o estabelecimento do inimigo no Arquipélago de  	Fernando de Noronha; </font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">[...]<sup>19</sup> </font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  plano, protocolado no Ministério da Guerra em 30 de maio de 1942, propunha a  seguinte composição de forças: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">- uma DI com sede em Natal; </font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">- uma DI com sede no Recife; </font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">- uma DI em reserva; </font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">- um Centro de Resistência em Fernando de Noronha; </font> 	</span></p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">- uma rede de postos de vigilância ao longo do litoral.<sup>20</sup> 	</font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Mesmo com modificações e vencidas algumas resistências, o plano foi adotado,  dando início à ocupação militar de Fernando de Noronha, objeto do presente  trabalho. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Defendendo a ilha: o exército brasileiro em Fernando de Noronha </font></span> </b></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2">Composto por 21 ilhas e ilhotas de origem vulcânica, o  arquipélago de Fernando de Noronha dista 345 km de Natal e 545 km do Recife. A  ilha de Fernando de Noronha é a mayor do arquipélago, tendo uma área de 17 km² e  algumas elevações, que podem ser avistadas a distância.<sup>21</sup> Em meados  de 1941, a ilha abrigava um presídio com cerca de 400 detentos, que eram  guardados por uma força policial de 165 homens. Um relatório da época aponta as  deficiências de infraestrutura da ilha: </font></span></font></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Uma informação procedente da ilha, datada dos últimos dias de  	1941, e assinada por Coriolano Monteiro de Oliveira, endereçada ao QG da 7ª  	Região Militar, adiantava que “existia um grande campo de aviação cimentado,  	com possibilidade de alongamento por ambos os lados, tendo nas proximidades  	um poço artesiano, produzindo 3.200 litros d´água por hora; que o presídio  	possuía uma lancha de alto-mar e grandes jangadas para desembarque de  	pessoal e material, além de dois caminhões, fabricação de 1939; que a  	energia elétrica era assegurada por um motor Wortington, de 100 HP, e dois  	outros de 36 e 24 HP; a voltagem do primeiro era de 2.300 volts, passando  	por uma transformação para corrente de 220 volts alternada, com  	possibilidade de ampliação”.<sup>22</sup> </font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Uma  rápida leitura do relatório permite verificar a precariedade da infraestrutura  da ilha, particularmente no que diz respeito à obtenção de água potável, um  enorme desafio para as forças de ocupação. O contato com o continente era  efetuado por intermédio de uma estação radiotelegráfica de alta potência, de  prefixo PYV-2, que operava na faixa de 32 metros. Para minimizar os problemas  estruturais e planejar as tarefas de ocupação da ilha, uma comissão da 7ª Região  Militar (7ª RM) visitou a ilha para verificar as necessidades logísticas da  operação. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">No  decorrer do ano de 1941 discutiu-se a respeito de qual força poderia ocupar  Fernando de Noronha, a Marinha ou o Exército. Em uma longa carta pessoal enviada  ao Presidente Getúlio Vargas, o Almirante Alberto Lemos Bastos, comandante do 2º  Distrito Naval, com sede em Salvador, queixou-se da falta de disposição do  Ministro da Marinha em enviar os Fuzileiros para a missão: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"> 	<span lang="PT-BR">[...] O Fuzileiro Naval deve ser especialista em  	operações de desembarque. Os nossos nunca praticaram essas coisas, nem têm  	os meios necessários para fazê-los e não se os quiseram ter. Não têm  	armamento, nem barracas, nem cozinhas de campanha. A ocupação de Fernando de  	Noronha deveria, penso, ter sido feita pela Marinha. Quando nisto falei ao  	Ministro, ele me disse que a Marinha não tinha como fazê-la.<sup>23</sup> 	</span></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Apesar dos lamentos do comandante naval, a realidade é que os Fuzileiros Navais  não teriam condições para cumprir uma missão com a envergadura que a ocupação  exigia. Assim, no final do ano, o Conselho de Segurança Nacional decidiu que o  arquipélago seria ocupado por uma força do Exército Brasileiro. </font></span> </p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">A  necessidade de incluir o arquipélago no sistema defensivo do Nordeste já era  evidente em meados de 1941, de acordo com estudos realizados pelo Comandante  Paulus Powel, integrante da Missão Naval dos EUA no Brasil, que se baseava nas  ameaças existentes e nos meios disponíveis para a defesa, ressaltando que </font> </span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Devido a não haver comunicações terrestres regulares,  	ferroviárias ou rodoviárias, entre o norte e o sul do país, o efeito  	imediato da ocupação de Fernando de Noronha, por um inimigo que tivesse  	superioridade aérea, seria o isolamento dos estados setentrionais, da Bahia  	para o norte, dos meridionais, onde está concentrado o poder político e  	econômico do Brasil.<sup>24</sup> </font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">De  acordo com a estimativa do oficial da Marinha dos EUA, se Fernando de Noronha  caísse em poder do inimigo e fosse utilizada como base aérea para ataque ao  continente e à navegação de cabotagem, o Brasil corria o risco de ser dividido  em dois. Concluía seu estudo ressaltando a importância estratégica da ilha e a  necessidade de ocupá-la, ainda que houvesse enormes dificuldades logísticas. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Com  seu imenso litoral, o Brasil era, em fins de 1941, bastante vulnerável a ataques  provenientes do mar – particularmente desfechados por submarinos, que já  operavam amplamente no Atlântico – e do ar. Com a premissa de enfrentar tais  ameaças, foi preparada a defesa de Fernando de Noronha. Para guarnecer o  arquipélago, em 13 de janeiro de 1942 foi formalmente criado o Destacamento  Misto de Fernando de Noronha, sob o comando de um oficial general, e composto  por unidades de infantaria, artilharia de campanha, artilharia de costa e  artilharia antiaérea, com seus respectivos apoios.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  primeiro boletim interno do Destacamento Misto resumia o valor militar de  Fernando de Noronha para o sistema defensivo do Nordeste: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">A existência dessa ilha, indefesa, em posição dominante sobre  	o litoral, é um ponto fraco em qualquer organização defensiva costeira, e,  	nas mãos do inimigo, uma ameaça permanente e séria a essa defesa. </font> 	</span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Realmente, grande é o valor do arquipélago por sua singular  	posição geográfica e a sua queda hoje em mãos estranhas poria em perigo  	nossa linha de comunicações marítima, além de proporcionar ao invasor a  	faculdade de aproveitá-la como base avançada, de onde se preparariam  	operações preliminares para a posse de outras no litoral do Nordeste.<sup>25</sup> 	</font></span></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">A  ameaça era bastante clara: se Fernando de Noronha caísse em mãos inimigas, a  navegação aliada no Atlântico Sul estaria comprometida e o litoral nordestino  ameaçado. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Para o comando do Destacamento Misto, foi designado o General-de-Brigada  Francisco Gil Castelo Branco, que, juntamente com seu estado-maior, realizou uma  viagem de reconhecimento e inspeção ao arquipélago na primeira semana de  fevereiro de 1942 e, posteriormente, tomou as providências para reunir os meios  alocados para seu comando e coordenou com a Marinha do Brasil o transporte das  unidades com as devidas escoltas. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Como os meios de transporte marítimo disponíveis eram escassos, foi necessário  planejar a ocupação do arquipélago em diferentes escalões, seguindo, em primeiro  lugar, as tropas necessárias para estabelecer sua defesa imediata. A respeito da  prioridade de embarque das unidades, o General Castelo Branco definiu sua  intenção: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Parece-me que a primeira tropa combatente a seguir deva ser a  	infantaria, para tomar posse efetiva da ilha e evitar qualquer golpe de mão.  	[...] Com o primeiro BC [batalhão de caçadores] a embarcar, poderá seguir a  	bateria de obuses que já se acha no Recife.<sup>26</sup> </font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2">Após dois dias de navegação, com escolta e obedecendo à  disciplina de luzes no período noturno, em 16 de abril de 1942 chegou a Fernando  de Noronha o primeiro contingente, composto pelo Comando e estado-maior do  Destacamento, 30º Batalhão de Caçadores (30º BC), 1ª Bateria Independente de  Obuses (1ª Bia Indep O) e elementos de apoio. O 30º BC havia sido organizado em  dezembro de 1941, na cidade de Olinda<sup>27</sup>, e possuía em seu efetivo  expressiva quantidade de soldados recrutas, com pouca instrução militar. A 1ª  Bia Indep O fora organizada no Rio de Janeiro, na mesma época do BC<sup>28</sup>,  e deslocou-se para o Recife, por via marítima, em fevereiro de 1942, antes de  seguir para Fernando de Noronha. Seu armamento consistia em obuseiros Krupp C/14  de 105mm. </font></span></font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Quase um mês depois, no dia 18 de maio, o segundo contingente chegou no  transporte <i>Itapura</i>, com o comando e uma bateria do 1º Grupo Móvel de  Artilharia de Costa (1º GMAC), um destacamento de pontoneiros, e outro de  transmissões. O 1º GMAC era uma unidade nova, criada há apenas quatro meses na  cidade do Rio de Janeiro<sup>29</sup>, e possuía duas baterias de canhões, cada  qual dotada de duas peças Vickers-Armstrong<sup>30</sup> calibre 152,4mm (6  polegadas), e uma seção de projetores Modelo Sperry, destinados a iluminar os  alvos. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  terceiro contingente chegou em 10 de julho, a bordo do navio <i>Santarém</i>,  trazendo a bateria restante do 1º GMAC e o 1º Grupo do 2º Regimento de  Artilharia Antiaérea (I/2º RAAAe), unidade originalmente sediada em Quitaúna-SP  e que permaneceria na ilha por quase dois anos e meio<sup>31</sup>. O I/2º RAAAe  era dotado dos modernos canhões antiaéreos Krupp Flak 18 de 88mm, de fabricação  alemã (que angariariam fama nos combates da 2ª Guerra Mundial por sua precisão e  capacidade de destruição), tracionados por viaturas meia-lagartas Sdkfz 7, e  tinha por missão realizar a defesa da ilha contra possíveis ataques de aeronaves  inimigas. Todo o material do Grupo havia sido adquirido dos alemães antes da  declaração de o Brasil declarar guerra à Alemanha. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  quarto e último contingente também chegou à Fernando de Noronha a bordo do <i> Santarém</i>, no dia 9 de julho, com o 31º Batalhão de Caçadores (31º BC),  unidade organizada </font></span><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2">no Recife, em fins de 1941<sup>32</sup>, além de alguns elementos  de apoio. Com a chegada dessa unidade, completava-se o dispositivo do  Destacamento Misto de Fernando de Noronha, que ficou assim constituído:</font></span></font></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig3.gif" width="454" height="262"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  grupo de apoio abrangia pequenas unidades logísticas, administrativas e de apoio  ao combate, dentre as quais figuravam o Serviço de Saúde da 7ª RM, Serviço de  Veterinária, Serviço de Intendência, Serviço de Material Bélico, Companhia de  Transmissões, Serviço de Polícia, Depósito de Material de Engenharia, Serviço  Religioso, prefeitura militar e o Conselho Extraordinário de Justiça, além do  destacamento de pontoneiros. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Tão  logo foram vencidas as dificuldades relativas ao desembarque do material pesado  na ilha – não havia porto ou local de atracação, o que obrigou os pontoneiros a  construírem um trapiche – deu-se prosseguimento ao Plano de Defesa nº 1, datado  de 20 de julho de 1942, elaborado pelo estado-maior do General Castelo Branco. O  QG do comandante do Destacamento Misto foi instalado na antiga casa paroquial,  ao lado da igreja da Vila dos Remédios, principal centro populacional da ilha,  onde também permaneceram acantonadas quase todas as unidades de apoio. O 30º BC  construiu um quartel no largo da antiga usina<sup>33</sup>, enquanto o 31º BC  ficou responsável pela defesa da porção sueste da ilha.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Com  tanto litoral e possíveis áreas de desembarque a defender, o 1º GMAC  desdobrou-se em diferentes locais, ficando seu comando na antiga diretoria do  presídio, a 1ª Bateria de Canhões no Hospital Velho, a 2ª Bateria na antiga  prefeitura e a Seção de Projetores distribuída pela ilha, nas alturas que  dominavam as praias adjacentes<sup>34</sup>. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">No  intuito de cooperar com a Artilharia de Costa, a 1ª Bia Indep O ocupou posição  na vila do Porto de Santo Antônio e, mais tarde, foi deslocada para as  proximidades do Forte da Conceição. O I/2º RAAAe ocupou posições elevadas do  terreno, para otimizar os campos de tiro de seus canhões Krupp 88mm contra  possíveis ataques aéreos, destacando suas baterias para o Morro do Curral e o  Morro Dois Irmãos.</font></span></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig4.gif" width="474" height="324"></p>     
<p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> Complementavam o sistema defensivo os Núcleos de Segurança, constituídos por  postos de observação e vigilância, localizados no Porto de Santo Antônio,  estação da Air France, Fortaleza dos Remédios, Morro do Pico, Praia da Quixaba,  Praia do Boldró, Baía do Sancho, Baía Sueste, Praia do Leão, Morro do Espinhaço  e Praia do Atalaia. A missão dos núcleos era dar o alerta antecipado no caso de  uma tentativa de invasão ou localização de aeronaves suspeitas.</span></font></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig5.gif" width="558" height="277"></p>     
<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Dadas as imensas dificuldades logísticas – foi necessário desembarcar mais de  quarenta canhões e viaturas sem porto ou atracadouro adequado – e as carências  normais de uma ilha localizada na imensidão do oceano, o plano foi executado com  bastante rapidez e eficiência e logo as unidades puderam entrar em operação e  participar de inúmeros exercícios coordenados de defesa. O Major José Campos  Aragão, primeiro comandante do I/2º RAAAe, descreveu um desses treinamentos que  simulavam ataques aéreos e tentativas de desembarque inimigos no arquipélago: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">[...] um foguete, de lagartas amarelas, subiu ao céu no Alto  	da Floresta. Seguiu-se o badalar constante dos sinos e silvos estridentes de  	sirenes [...] Incontinenti, o grupamento de defesa contra aeronaves  	aprontou-se para a ação simulada. Canhões esticavam os longos tubos, de boca  	aberta, farejando o ar. Metralhadoras contra aviões em voo baixo, também  	foram acionadas. Da posição da bateria pudemos ver o desencadeamento do  	alarme em todos os pormenores. Correria interessante para as trincheiras  	antiaéreas. No aquartelamento do 30º BC tinha-se a impressão de colmeia  	atacada.<sup>35</sup> </font></span></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  soldado Ayrton Guimarães também registrou suas impressões sobre um desses  treinamentos: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"> 	<span lang="PT-BR">Trabalhávamos dia e noite na fortificação da ilha e logo  	iniciaram os treinamentos antiaéreos. A ilha, quase sempre, era um eterno  	black-out. Apagavam toda a iluminação existente; até o cigarro era proibido.  	Quando tocava a sirene de alarme, todos corriam para os abrigos, armados até  	os dentes, e os faróis de longo alcance entravam em ação, vasculhando todo o  	céu. Quando se descobria o avião, todos os faróis ficavam dirigidos para o  	céu, até que soltasse uma sinalização em cores e codificada, secretamente  	para o Brasil, avisando ser avião aliado e autorizado a voar sobre a ilha.  	Então, cessava o alarme e voltava ao normal a situação.<sup>36</sup> </span> 	</font></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Para reforçar ainda mais as defesas da ilha, em outubro de 1942 foi criado o 1º  Grupo Independente de Artilharia<sup>37</sup> (1º GIA), dotado de canhões de  tiro rápido Saint-Chamond 75mm C/36 TR, de fabricação francesa. A unidade, no  entanto, teve vida curta na ilha, sendo, posteriormente, transferida para  Niterói, contando apenas quatro meses de serviço no Destacamento Misto. No  período em que esteve na ilha, o 1º GIA permaneceu aquartelado no Hospital  Velho. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Um  rochedo duro - problemas enfrentados pelos soldados </font></span></b></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Mesmo antes de enviar as tropas, os planejadores da ocupação militar de Fernando  de Noronha puderam visualizar a dificuldade que teriam para alojar e abastecer  mais de 2.500 homens em um território de apenas 17 km<sup>2</sup> e com escassas  edificações construídas. Nesse sentido, uma das primeiras providências adotadas  foi transferir todos os presos políticos e a maioria dos detentos comuns para o  continente, com o objetivo de diminuir a população da ilha. Para um melhor  controle da tropa, ficou determinado que, para servir no Destacamento Misto, os  homens deveriam ser, prioritariamente, solteiros ou, se casados, não terem  filhos.</font></span></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig6.gif" width="535" height="223"></p>     
<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Com  o propósito de manter a motivação e a saúde física e mental dos homens, foi  estabelecido um período de serviço de seis meses na ilha, após o qual os  soldados seriam substituídos em sistema de rodízio. Em meados de 1943, o tempo  de permanência foi estendido para dez meses de serviço ininterrupto. Dada a  carência de meio de transporte aéreo ou marítimo, é possível avaliar as  dificuldades enfrentadas pelos comandos para colocar em prática esse sistema,  mas, em que pese as limitações, os rodízios foram realizados com relativo  sucesso. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">O  trabalho de preparação dos quartéis e das posições de combate foi bastante árduo  e exigia muito dos homens, conforme testemunhou o soldado Ayrton Guimarães: </font></span></p>     <blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Durante o dia, nosso trabalho era o de preparara o terreno da  	ilha para a nossa defesa. Trincheiras e casamatas, que eram lugares que  	agasalhavam os combates, em local de difícil acesso ao inimigo, em caso de  	invasão. Como a ilha era uma rocha só, as escavações foram penosas e nossas  	mãos ficavam cheias de calos. O arquipélago não tinha nenhuma defesa e, pela  	gravidade da situação e riscos ao nosso continente, havia a necessidade do  	exército estar aquartelado e fortificando-a para a defesa de todos.<sup>38</sup> 	</font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> Um problema que perseguia o soldado e a administração militar era a obtenção de  água potável. Embora houvesse algumas fontes naturais – a principal delas era a  Cacimba do Padre, que abastecia a ilha – o súbito crescimento da população no  arquipélago levou os soldados ao expediente de cavarem poços, onde a água era,  frequentemente, salobra e de qualidade duvidosa. Não raro os soldados  enfrentavam situações de sede e precisavam de muita criatividade para atender às  suas necessidades. Mais uma vez nos reportamos ao depoimento do soldado Ayrton  Guimarães, que exemplifica a dificuldade para se obter água na ilha: </span> </font></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Tive minha primeira sede na ilha. Como achar água? Perguntei  	a um colega que estava ali há mais tempo, como encontrar água para beber.  	Ele respondeu: </font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">- Rapaz, você vai ter que fazer o seu “poço” também. [...] 	</font></span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Vim a saber que o “poço” a que ele se referia era feito da  	seguinte maneira: cada um possuía um litro, de vidro, tampado por uma  	cortiça. A garrafa era amarrada a um cordão grosso no gargalo e marcada com  	o nome de cada um, para não ser tirada pelos outros, e atirada ao mar. No  	outro dia pescava-se a garrafa e, dentro dela, vinha uma água salobra, para  	beber e lavar o rosto.<sup>39</sup> </font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">É  oportuno observar que, decorridos setenta anos da ocupação militar de Fernando  de Noronha, o abastecimento de água potável continua a ser um dos maiores  problemas de infraestrutura da ilha. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Obter alimentos frescos, especialmente a carne verde, era outro desafio. A  carne, normalmente, vinha do Recife, por via marítima, procedente do matadouro  de emergência construído pelo Serviço de Subsistência da 7ª RM, mas as entregas  eram bastante irregulares, em função da dificuldade em realizar, em ambiente de  guerra, o transporte marítimo para o arquipélago. No intuito de ter uma reserva  alimentar para ser consumida em caso de emergência, o Serviço de Veterinária do  Destacamento Misto mantinha a criação de um rebanho na ilha que, em fins de  1943, compreendia 558 bovinos, 238 suínos, 400 caprinos e 27 ovinos<sup>40</sup>. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">As  carências de água e alimentação de boa qualidade, associadas ao próprio  isolamento na imensidão do Atlântico, tinham um peso na saúde dos homens,  provocando doenças físicas e mentais que os soldados apelidavam, genericamente,  de “fernandite”. O relatório anual de 1943, elaborado pelo Estado-Maior da 7ª RM,  alertava para os problemas sanitários da tropa: </font></span></p>     <blockquote> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"> 	<span lang="PT-BR">As condições de vida da ilha, alimentação incompleta e  	escassa, deficiência de água para beber e higiene individual não permitiam,  	como não permitem, que se exijam grandes esforços dos homens. Isso se  	acentuou com o incremento dos casos de carência (avitaminose) e beribéri  	havidos.<sup>41</sup> </span></font></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Diversas ações foram realizadas no sentido de minimizar as doenças e os  problemas sanitários da tropa. Foram implantadas rigorosas normas de higiene  individual e coletiva, com particular atenção para os alojamentos da tropa. O  lixo passou a ser enterrado e uma equipe do Serviço de Febre Amarela deslocou-se  do Recife para a ilha, para tentar erradicar os mosquitos e ratos, bastante  comuns em Fernando de Noronha.</font></span></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig7.gif" width="474" height="219"></p>     
<p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> É interessante observar que, no auge da ocupação militar, em meados de 1943, o  Destacamento Misto reunia aproximadamente 2.600 homens. A eles, somavam-se quase  300 militares da base da Marinha dos EUA existente nas proximidades da Baía de  Sueste.</span></font></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig9.gif" width="442" height="247"></p>     
<p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Novo comando, novos planos </font></span></b></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">No  princípio de 1943, o General Francisco Gil Castelo Branco foi substituído no  comando do Destacamento Misto pelo General-de-Brigada Ângelo Mendes de Morais,  que havia sido promovido ao generalato recentemente. Em março, logo após a posse  do novo comandante, o Destacamento recebeu da 7ª RM a Instrução nº 2, que  atualizava a missão das tropas: </font></span></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">– Manter o arquipélago contra as investidas por mar,  	organizando-se na ilha de Fernando de Noronha, sobretudo diante da Baía de  	Santo Antônio, de sorte a impedir qualquer tentativa de desembarque; </font> 	</span></p> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">– precaver-se contra os bombardeios navais e aéreos e atuar  	contra as tropas ou agentes vindos por ar e que desçam no arquipélago,  	destruindo-os ou aprisionando-os; em qualquer caso, impedir que a ilha seja  	utilizada como base aérea de operações contra o continente.<sup>42</sup> 	</font></span></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Com  base nessas instruções, o General Morais emitiu uma nova ordem de operações<sup>43</sup>,  que estabelecia um novo dispositivo defensivo. A ilha foi dividida em dois  quarteirões defensivos de infantaria, cujo limite era materializado, no terreno,  pela linha Pico – Morro da Boa Vista – Morro do Macedo. O Quarteirão Leste ficou  sob a responsabilidade do 30º BC (menos uma companhia) e o Oeste passou a ser  defendido pelo 31º BC, também desfalcado de uma subunidade. As duas companhias  subtraídas dos BC passaram a constituir a reserva móvel, juntamente com a tropa  de choque do QG do Destacamento. Tal organização tinha por objetivo implantar  uma defesa mais flexível, capaz de responder rapidamente a ataques em qualquer  ponto da ilha.</font></span></p>     <p style="text-align: center"> <img border="0" src="/img/fbpe/te/v27n67/art02fig10.gif" width="486" height="306"></p>     
<p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> Redução dos efetivos e o fim do destacamento misto </font></span></b></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Com  a derrota das forças do Eixo na África do Norte, a ameaça de uma invasão contra  o Nordeste e contra o arquipélago diminuiu consideravelmente. Com efeito, o  governo brasileiro deu início a um processo gradual de redução das unidades  desdobradas em Fernando de Noronha e, em meados de 1943, foram transferidos da  ilha para o continente o 1º GIA, que permaneceu apenas quatro meses subordinado  ao Destacamento Misto, e o 31º BC, que passou a ocupar aquartelamento em Campina  Grande, na Paraíba. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Na  primeira semana de agosto de 1943, o General Ângelo Mendes de Morais partiu para  o Rio de Janeiro e o comando do Destacamento passou a ser exercido,  interinamente, pelo Coronel Tristão de Alencar Araripe. Um mês depois, no dia 6  de setembro, foi criado o Território Federal de Fernando de Noronha<sup>44</sup>,  e o Coronel Araripe foi nomeado governador do Território e efetivado como  comandante do Destacamento Misto, acumulando as funções de comandante militar e  gestor administrativo do arquipélago. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Uma  das providências tomadas pelo novo comandante foi expedir o Plano Defensivo nº 3  que, com a volta de algumas unidades para o continente, teve que atender ao  princípio de economia de meios e passou a ser baseado em um centro de  resistência, na Vila dos Remédios e adjacências, e uma rede de postos de  observação e postos de vigilância. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> Na segunda metade de 1944 a situação estratégica da guerra tinha-se modificado  completamente em favor dos Aliados, eliminando, na prática, a ameaça de invasão  ao arquipélago. As tropas anglo-americanas haviam invadido a Sicília e a  Normandia, os soviéticos pressionavam as forças nazistas na Frente Oriental  europeia e a 4ª Esquadra dos EUA dominava o Atlântico Sul. Pouco a pouco, as  unidades do Destacamento Misto foram sendo desmobilizadas ou transferidas para o  continente. Com o fim da guerra na Europa, no entanto, não havia mais razão para  manter em Fernando de Noronha um contingente tão numeroso, e, em agosto de 1945,  o Destacamento Misto foi extinto, dando lugar à Guarnição de Fernando de  Noronha, ato regulamentado pelo Aviso nº 1.732, de 13 de agosto de 1945: </span> </font></p>     <blockquote> 	    <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> 	<span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"> 	<font size="2">Fica criada, na conformidade do Art 2º do Decreto-Lei nº  	19.116, de 6 do corrente, a Guarnição de Fernando de Noronha, em  	substituição ao Destacamento Misto de mesmo nome, extinto pelo referido  	decreto. A citada Guarnição terá efetivo em pessoal constante do quadro  	aprovado pela Portaria nº 21/21, de 13 de julho de 1945 (Reservada). Em  	consequência da alteração supra, ficam extintos o QG do Destacamento, a 1ª  	Cia Independente de Infantaria, tipo especial, e o Hospital Militar de  	Fernando de Noronha.<sup>45</sup> </font></span></p> </blockquote>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">É  oportuno observar que, por ocasião da extinção do Destacamento Misto,  praticamente todas as suas unidades originais já haviam sido desmobilizadas ou  transferidas. A Guarnição de Fernando de Noronha permaneceu sob a  responsabilidade do Exército até 1981, quando passou à jurisdição do Ministério  da Aeronáutica. </font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"><b> <span style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Considerações  finais </font></span></b></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Por  ocasião do ingresso do Brasil na guerra o arquipélago foi incluído como um dos  vértices do triângulo estratégico de defesa do Nordeste, pois sua queda poderia  resultar na divisão do território brasileiro em dois, segregando o  Norte–Nordeste do Centro-Sul do país. Para tal, o governo brasileiro decidiu por  enviar um Destacamento Misto, forte em unidades de artilharia, para estabelecer  a defesa de Fernando de Noronha, tarefa que não foi realizada sem dificuldades.  Unidades recém-formadas, compostas em grande parte por recrutas; dificuldades de  transporte e abastecimento; além do enorme desafio logístico de praticamente  quintuplicar a população da ilha foram alguns dos obstáculos superados. No  entanto, a tropa enviada cumpriu sua missão da melhor maneira possível,  estabelecendo um dispositivo defensivo de 360º ao redor da Vila dos Remédios e  da pista de pouso.</font></span></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> Embora o esperado ataque não tenha se concretizado, as unidades do Exército  Brasileiro estiveram prontas para o combate durante dois anos e oito meses.  Encerrava-se, assim, a história do Destacamento Misto de Fernando de Noronha,  grande unidade que atuou, na imensidão e no isolamento do Oceano Atlântico, como  ponta de lança do dispositivo da defesa do Nordeste brasileiro.</span></font></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><b> <span lang="PT-BR">Notas</span></b></font></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2"><sup>1</sup> Comunidade Britânica das nações. &nbsp;</font></span></font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>2</sup> O pacto de não agressão, também conhecido como Pacto  Molotov-Ribbentrop, foi firmado entre a Alemanha e a União Soviética em 23 de  agosto de 1939, às vésperas da 2ª Guerra Mundial e definia um período de cinco  anos de paz entre os dois países e a invasão da Polônia (que seria divida entre  ambos), dos países Bálticos e da Finlândia. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>3</sup> Corpo Expedicionário Africano, comandado pelo General Erwin Rommel,  a “Raposa do deserto”. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>4</sup> COSTA, Octávio. <i>Trinta anos depois da volta. </i>Rio de Janeiro:  Biblioteca do Exército, 1976, p.16.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>5</sup> MASCARENHAS DE MORAES<b>, </b>João Batista. <i>A FEB pelo seu  comandante</i><b>. </b>Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 2005, p.23. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>6</sup> SEITENFUS<b>, </b>Ricardo. <i>O Brasil vai à Guerra: </i>O processo  de envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Manole, 2003,  p.295. </font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>7</sup> Os afundamentos de navios brasileiros resultaram na cifra de 972  mortos (dos quais 470 tripulantes e 502 passageiros) de um total de 1.889  brasileiros mortos em função da guerra, perfazendo cerca de 51% das baixas  fatais. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>8</sup> COSTA, Octávio. <i>Trinta anos depois da volta...</i>, p.16.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>9</sup> ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO. <i>História do Exército Brasileiro. </i> Brasília: IBGE, 1972, p.826. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>10</sup> LAVENÈRE-WANDERLEY, Nelson Freire. <i>História da Força Aérea  Brasileira. </i>Belo Horizonte: Itatiaia, 1975. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>11</sup> MOURA, Gerson. <i>Sucessos e ilusões: Relações internacionais do  Brasil durante e após a Segunda Guerra Mundial</i>. Rio de Janeiro: FGV, 1991,  p.13. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>12</sup> A Comissão Militar Mista Brasil-EUA resultava das bases firmadas  no Acordo de Cooperação entre EUA e Brasil, de 29 de outubro de 1940. </font> </span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>13</sup> DUARTE, Paulo. <i>O Nordeste na II Guerra Mundial</i>. Rio de  Janeiro: Record, 1971, p.131.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>14</sup> MCCANN, Frank. <i>Aliança Brasil-Estados Unidos, 1937-1945</i>.  Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1995. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>15</sup> Atual Aeroporto Internacional dos Guararapes / Gilberto Freire,  que serve à capital pernambucana, e Base Aérea do Recife, da FAB. </font></span> </p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>16</sup> Atual aeroporto internacional de Natal / Augusto Severo e Base  Aérea de Natal, da FAB. </font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>17</sup> DUARTE, Paulo. <i>O Nordeste na II Guerra Mundial</i>..., p.92.</font></span></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2"><sup>18</sup> O Geral Estevão Leitão de Carvalho foi um dos  fundadores da revista <i>A defesa nacional</i>. Adido militar no Chile  (1918-21), membro da delegação na V Conferência Pan-Americana (Chile); consultor  militar na IV Assembleia da Liga das Nações (Genebra 1923-1936), consultor  militar da delegação do Brasil à Conferência do Desarmamento (Genebra, 1932),  chefe da delegação brasileira na Comissão Militar Neutra incumbida de executar o  acordo de Paz entre o Paraguai e a Bolívia (Questão do Chaco, 1935), chefe da  delegação brasileira na Conferência de São Francisco (EUA), que elaborou a Carta  das Nações Unidas.</font></span></font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>19</sup> CARVALHO, Estevão Leitão. <i>A serviço do Brasil na Segunda Guerra  Mundial</i>. </font></span><span style="font-family: Verdana; color: black"> <font size="2">Rio de Janeiro: Edições d´A Noite, 1952. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>20</sup> DUARTE, Paulo. <i>O Nordeste na II Guerra Mundial</i>..., p.144.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>21</sup> Para simplificar o entendimento e adotando a linguagem corrente no  Brasil, a partir daqui designaremos de Fernando de Noronha tanto a ilha maior,  única habitada, quanto o arquipélago no todo. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>22</sup> DUARTE, Paulo. <i>O Nordeste na II Guerra Mundial</i>..., p.155.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>23</sup> Carta do Almirante Alberto Lemos Bastos ao Presidente Getúlio  Vargas, de 2 de março de 1943. </font></span> <span style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2">Acervo da  Diretoria de Patrimônio Histórico da Marinha. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>24</sup> DUARTE, Paulo. <i>O Nordeste na II Guerra Mundial</i>..., p.153.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>25</sup> DUARTE, Paulo. <i>O Nordeste na II Guerra Mundial</i>...,  p.161-162. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>26</sup> Ibid, p.157.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>27</sup> O 30º BC foi criado por intermédio do Aviso Reservado nº 556-491,  de 23 de dezembro de 1941. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>28</sup> A 1ª Bia Indep O foi criada pelo Decreto-Lei nº 3.959, de 19 de  dezembro de 1941, e foi organizada, inicialmente, no quartel do 1º Grupo de  Obuses (1º GO), em São Cristóvão, na Capital Federal. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>29</sup> O 1º GMAC foi criado pelo Decreto-Lei nº 4.074, de 31 de janeiro  de 1942, e também viu seus primeiros dias no quartel do 1º GO, no Rio de  Janeiro. </font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>30</sup> De acordo com Duarte (1971, p.23), o Brasil adquiriu nos EUA, no  final da década de 1930, 99 canhões de artilharia de costa Vickers-Armstrong, ao  custo apenas do preço do transporte e que terminaram por artilhar diversos  pontos do litoral brasileiro. Para utilizá-los efetivamente, a Diretoria de  Material Bélico determinou que uma empresa particular projetasse uma plataforma  visando aumentar-lhes o campo horizontal. O primeiro modelo de plataforma,  contudo, foi rejeitado pelo Exército Brasileiro, mas estas foram distribuídas  aos canhões que constituíram a defesa de Fernando de Noronha. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>31</sup> O I/2º RAAAe havia sido criado pelo Decreto-Lei nº 2.830, de 3 de  dezembro de 1940, sendo, das unidades presentes em Fernando de Noronha, a que  existia há mais tempo. É interessante observar que possuía menos de dois anos de  funcionamento, quando foi enviada para o arquipélago.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>32</sup> O 31º BC foi criado pelo Decreto-Lei nº 3.992, de 30 de dezembro  de 1941, e foi organizado, inicialmente, no Colégio Padre Machado, na capital de  Pernambuco. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>33</sup> Localidade atualmente conhecida como Vila do Trinta, que teve seu  nome originado do número “30”, pintado no telhado do quartel que abrigou o 30º  BC.</font></span></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> <sup>34</sup> Alto da Ponta da Sapata, Ponta da Pedra Alta e Alto da Viração.</span></font></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2"><sup>35</sup> ARAGÃO, José Campos. <i>Guardando céu nos trópicos</i>:  Ilha de Fernando de Noronha. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1950.</font></span></font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>36</sup> GUIMARÃES, Ayrton Vianna Alves. <i>Do teatro ao teatro de guerra: </i>caminhos e descaminhos de um pracinha pernambucano na Segunda Guerra  Mundial. </font></span><span style="font-family: Verdana; color: black"> <font size="2">Recife: Gráfica e Editora do Nordeste, 2001. </font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>37</sup> O 1º GIA foi criado pelo Decreto-Lei nº 4.798, de 6 de outubro de  1942.</font></span></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana"><span lang="PT-BR"> <font size="2"><sup>38</sup> GUIMARÃES, Ayrton Vianna Alves. </font><i> <font size="2">Do teatro ao teatro de guerra.., p.25.</font></i></span></font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"><sup>39</sup>  Ibid. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>40</sup> DUARTE, Paulo. <i>O Nordeste na II Guerra Mundial</i>..., p.167.</font></span></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> <sup>41</sup> Arquivo Histórico do Exército. Acervo da 7ª Região Militar.</span></font></p>     <p style="text-align: justify; text-autospace: none"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>42</sup> Arquivo Histórico do Exército. Acervo do Destacamento Misto de  Fernando de Noronha. </font></span></p>     <p style="text-align: justify"> <span lang="PT-BR" style="font-family: Verdana; color: black"><font size="2"> <sup>43</sup> Ordem Geral de Operações nº 2 para Instalação Defensiva, de 26 de  março de 1943. Arquivo Histórico do Exército. Acervo do Destacamento Misto de  Fernando de Noronha.</font></span></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> <sup>44</sup> O Território foi criado por intermédio do Decreto-Lei nº 5.718, de  6 de setembro de 1943.</span></font></p>     <p style="text-align: justify"><font face="Verdana" size="2"><span lang="PT-BR"> <sup>45</sup> Aviso nº 1.732, de 13 de agosto de 1945.</span></font></p>       ]]></body>

</article>
