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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Efeito da interação abelha-flor na produção de frutos em cultura de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objectives of this work were to study the floral biology, biodiversity and behavior of pollinators in flowering orange (Citrus sinensis L. Osbeck), variety “Pera-Rio”, in six different places, in six years, and its effect on fruit production. The frequency of insects was obtained by counting the fi rst 10 minutes at a time, from 7h00 to 18h00, with three replications. For fruit set, 300 fl ower buds were marked, 150 discovered and 150 of them kept covered, preventing the visit of the insects. Fruits were evaluated for count, number of buds and seeds, weighed (g), height (cm), width (cm), flesh thickness (mm), volume (ml) and pH juice. The insects more frequent observed were honeybees Apis mellifera, others Hymenoptera, Lepidoptera, Vespidea and Coleoptera (beetles). Africanized bees preferred to collect nectar compared to pollen. Trigona spinipes bees preferred to collect pollen compared to nectar and Lepidoptera (butterfl ies) feeding on nectar. It was observed 9.6% increase in fertilization of the fl owers and 7.35% in fruit production visited freely. The Africanized honeybee was more frequent species in the fl owers. There was an increase in fruit set of flowers with the presence of insects. The fruits that were visited by pollinators were higher, sweeter, with more seeds and quantity of juice.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Los objetivos de este trabajo fueron estudiar la biología floral, la biodiversidad y el comportamiento de los polinizadores en la floración de naranja (Citrus sinensis L. Osbeck), variedad Pera-rio, en seis diferentes lugares, en seis años y su efecto en la producción de fruta . La frecuencia de los insectos se obtuvo contando los primeros 10 minutos de cada hora, de 7h00 a 18h00, con tres repeticiones. Para el porcentaje de yemas fructíferas fueron marcados e selecionados 300 botones florales, 150 descubiertos y 150 cubiertos, evitando las visitas de los insectos. Se evaluó la cantidad de frutos, número de brotes y las semillas, de ensayo (g), altura (cm), anchura (cm), espesor de la pulpa (mm), pH y volumen de jugo (ml). Los insectos más frecuentes observados fueron la abeja Apis mellifera, otros Hymenoptera, Lepidoptera, Vespidea y Coleoptera. Las abejas africanizadas colectaron principalmente néctar que polen, mientras que las Trigona spinipes, colectaron prioritariamente polen que néctar y los lepidópteros (mariposas) se alimentan de néctar. Hubo un aumento del 9,6% en la fecundación de las flores y 7,35% en la producción de frutas libremente visitadas. Las abejas africanizadas fueron más frecuentes en las flores. Hubo un aumento en el porcentaje de flores frutales, con la presencia de insectos. Los frutos que fueron visitadas por los polinizadores eran más grandes, más dulce, con más semillas y contenido de jugo.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b><font face="Verdana">Efeito da interação abelha-flor na  produção de frutos em cultura de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck)</font></b></p>     <p align="center"><b><font face="Verdana">Effect of bee-flower interaction on  fruit production in orange sweet crop (Citrus sinensis L. Osbeck)</font></b></p>     <p align="center"><b><font face="Verdana">Efecto de las interaccion abeja-flor  en la producción de naranja (Citrus sinensis L. Osbeck)</font></b></p>     <p align="center"><b><font face="Verdana" size="2">Darclet Teresinha Malerbo-Souza<sup>1</sup>*  e André Luiz Halak<sup>2</sup></font></b></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">1 Centro Universitário da  Fundação Educacional de Barretos. Departamento de Ciências Agrárias. Av. Prof.  Roberto Frade Monte, 389, Bairro Aeroporto, 14783-226, Barretos, SP.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">*Correo electrónico: <a href="mailto:darcletmalerbosouza@gmail.com">darcletmalerbosouza@gmail.com</a>.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">2 Universidade Estadual de  Maringá, PR.</font></p>     <p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Os objetivos deste trabalho  foram estudar a biologia floral, a biodiversidade e comportamento de  polinizadores em florada de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck), variedade  “Pera-rio”, em diferentes localidades e anos e seu efeito na produção dos  frutos. A frequência dos insetos foi obtida por contagem nos primeiros 10  minutos de cada horário, das 7h00 às 18h00, com três repetições. Para a  porcentagem de frutifi cação, foram marcados 300 botões florais, sendo 150 deles  mantidos descobertos e 150 cobertos, impedindo a visita dos insetos. Os frutos  foram avaliados quanto a contagem, número de gomos e sementes, pesagens (g),  altura (cm), largura (cm), espessura da polpa (mm), pH e volume do suco (ml). Os  insetos mais frequentes observados foram abelhas africanizadas Apis mellifera,  seguidas por outras espécies de himenópteros, lepidópteros, vespídeos e  coleópteros. As abelhas africanizadas preferiram coletar néctar comparado ao  pólen e preferiram visitar as flores no período da manhã. Foi observado aumento  de 9,6% na fecundação das flores e de 7,35% na produção de frutos livremente  visitadas. A abelha africanizada foi espécie mais frequente e constante nas  flores. Houve aumento na porcentagem de frutificação das flores, com a presença  dos insetos. Os frutos que receberam a visita dos polinizadores foram maiores,  mais doces, com maior número de sementes e quantidade de suco.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b>: abelhas,  insetos, laranja, polinização</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">The objectives of this work  were to study the floral biology, biodiversity and behavior of pollinators in  flowering orange (Citrus sinensis L. Osbeck), variety “Pera-Rio”, in six  different places, in six years, and its effect on fruit production. The  frequency of insects was obtained by counting the fi rst 10 minutes at a time,  from 7h00 to 18h00, with three replications. For fruit set, 300 fl ower buds  were marked, 150 discovered and 150 of them kept covered, preventing the visit  of the insects. Fruits were evaluated for count, number of buds and seeds,  weighed (g), height (cm), width (cm), flesh thickness (mm), volume (ml) and pH  juice. The insects more frequent observed were honeybees Apis mellifera, others  Hymenoptera, Lepidoptera, Vespidea and Coleoptera (beetles). Africanized bees  preferred to collect nectar compared to pollen. Trigona spinipes bees preferred  to collect pollen compared to nectar and Lepidoptera (butterfl ies) feeding on  nectar. It was observed 9.6% increase in fertilization of the fl owers and 7.35%  in fruit production visited freely. The Africanized honeybee was more frequent  species in the fl owers. There was an increase in fruit set of flowers with the  presence of insects. The fruits that were visited by pollinators were higher,  sweeter, with more seeds and quantity of juice.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Key words</b>: bees, insects,  orange, pollination.</font></p>     <p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">RESUMEN</font></b></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Los objetivos de este trabajo  fueron estudiar la biología floral, la biodiversidad y el comportamiento de los  polinizadores en la floración de naranja (Citrus sinensis L. Osbeck), variedad  Pera-rio, en seis diferentes lugares, en seis años y su efecto en la producción  de fruta . La frecuencia de los insectos se obtuvo contando los primeros 10  minutos de cada hora, de 7h00 a 18h00, con tres repeticiones. Para el porcentaje  de yemas fructíferas fueron marcados e selecionados 300 botones florales, 150  descubiertos y 150 cubiertos, evitando las visitas de los insectos. Se evaluó la  cantidad de frutos, número de brotes y las semillas, de ensayo (g), altura (cm),  anchura (cm), espesor de la pulpa (mm), pH y volumen de jugo (ml). Los insectos  más frecuentes observados fueron la abeja Apis mellifera, otros Hymenoptera,  Lepidoptera, Vespidea y Coleoptera. Las abejas africanizadas colectaron  principalmente néctar que polen, mientras que las Trigona spinipes, colectaron  prioritariamente polen que néctar y los lepidópteros (mariposas) se alimentan de  néctar. Hubo un aumento del 9,6% en la fecundación de las flores y 7,35% en la  producción de frutas libremente visitadas. Las abejas africanizadas fueron más  frecuentes en las flores. Hubo un aumento en el porcentaje de flores frutales,  con la presencia de insectos. Los frutos que fueron visitadas por los  polinizadores eran más grandes, más dulce, con más semillas y contenido de jugo. </font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2"><b>Palabras clave</b>: abejas,  insectos, naranja, polinización</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Recibido: 20/05/13 Aprobado:  18/11/13</font></p>     <p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">O papel funcional dos serviços  ecossistêmicos prestados por polinizadores é fundamental na manutenção da  biodiversidade e da composição florística e a sua conservação é de valor  incalculável, pois atua na base da cadeia alimentar dos biomas (Imperatriz-Fonseca  et al., 2012). Sem polinizadores muitas plantas não se reproduzem nem produzem  sementes, e as populações que delas dependem também declinam. Cerca de 75% da  alimentação humana depende direta ou indiretamente de plantas polinizadas ou  benefi ciadas pela polinização animal (Klein et al., 2007).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Gallai et al. (2009) demonstrou  a importância econômica das abelhas como polinizadoras de plantas que servem  como alimento para o homem, assim como a vulnerabilidade da produção de alimento  ao declínio de polinizadores no mundo. Ainda segundo esses autores, as verduras  e frutas lideram as categorias de alimento que necessitam de insetos para a  polinização, ressaltando que o declínio de polinizadores pode ter como  consequência a redução da produção de frutas, verduras e estimulantes, como o  café, por exemplo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Dentre as espécies frutíferas  que se benefi ciam dos insetos, aumentando a produção, está à laranjeira (Citrus  sinensis L. Osbeck). Esta espécie tem importância alimentícia, industrial,  melífera e medicinal. Seus frutos são muito apreciados tanto in natura, quanto  em forma de sucos, sorvetes, pudins e doces. São fabricados sucos concentrados  para consumo interno e para exportação, além de se fazer doces com as cascas,  usando-se como matériaprima, a laranja amarga. As flores, folhas, brotos e  cascas fornecem óleos essenciais e aromáticos que são empregados nas indústrias  farmacêuticas e perfumaria. Na medicina popular, as flores e as folhas da  laranjeira são como sedativo do sistema nervoso (Pinto e Zaccaro, 2008).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">O Brasil é responsável por 50%  da produção mundial de suco de laranja e exporta 98% do que produz. Em São Paulo  (SP), nas safras 1996/97 e 1997/98, a produção de limas ácidas atingiu 28,26 e  31,82 milhões de caixas de 25,0 kg, respectivamente. O valor desta produção foi  estimado ao redor de 119 e 76 milhões de reais, respectivamente. Isto  corresponde a 1,17% e 0,67% do valor de toda a atividade agropecuária do Estado  de São Paulo, superando assim a cultura do amendoim, da melancia, da uva fina de  mesa, do arroz em casca, da mandioca para mesa, do tomate para indústria e do  trigo. Por esses números, o Estado de São Paulo é o grande produtor brasileiro  de “Tahiti”, em torno de 73% da safra brasileira (Donadelli et al., 2000).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Um pomar florescendo, com sua  abundância de flores, atraem as mais diferentes espécies de insetos,  principalmente, as abelhas. Essa atração traz lucros não só para os apicultores,  mas também para os citricultores (Malerbo-Souza e Halak, 2008). Devido à  quantidade e qualidade altamente apreciada do mel de laranjeira pela população,  pelo seu agradável sabor, muitos apicultores colocam suas colmeias no interior  ou nas proximidades dessas culturas.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Dentre os insetos, as abelhas  da espécie Apis mellifera tem sido utilizadas com sucesso na polinização de  várias culturas. De acordo com Free (1993), essas abelhas são responsáveis por  80% das visitas as flores de citros. </font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Com relação à importância  dessas abelhas no aumento de produção, vários autores comprovaram a eficiência  da abelha A. mellifera. No Brasil, Trevisan (1983) relatou que usando 10  colmeias por hectare, em Barretos (SP), obteve aumentos na produção de laranjas  de 36,4% e 15,5% nas variedades “Hamlin” e “Natal”, respectivamente, e em  Olímpia (SP), 43,0% na variedade “Pera-Rio”. E que esta diferença entre as três  variedades pode ser atribuída a variáveis tais como: topografia, diferenças da  idade, ventos e características genéticas. </font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em experimento realizado em  Piracicaba (SP), Pasini (1989), estudando a variedade “Piralima”, verifi cou que  a presença das abelhas provocou aumentos do número de frutos, da quantidade de  suco e do teor de acidez dos frutos; entretanto, não houve diferença signifi  cativa no peso dos frutos por planta na colheita, no formato dos frutos, no  numero e peso das sementes e na porcentagem de sólidos solúveis do suco. Em  Jaboticabal (SP), Malerbo (1991) obteve um aumento na produção de laranjas de,  em média, 18,5%, 25,6% e 14,0% nas variedades “Pera-Rio”, “Valência” e “Natal”,  respectivamente. Observou ainda que, nas variedades “Pera-Rio” e “Valência”, os  frutos que não receberam a visita das abelhas foram menores (13,3%), mais ácidos  (5,7%), com menor número de sementes (50,5%) e com menor quantidade de vitamina  C (13,0%) do que aqueles que receberam a visita das abelhas.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">De acordo com Malerbo-Souza et  al. (2003), a presença de abelhas nos pomares de citros, além de trazerem  benefícios aos apicultores, também aumentam a produção frutos, benefi ciando  citricultores. Os botões florais visitados pelos insetos frutifi caram mais que  os aqueles onde a visita dos insetos é impedida, isto é, ocorre aumento na  porcentagem de frutifi cação das flores da laranja com a presença das abelhas.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Os objetivos deste trabalho  foram estudar a biologia floral, a biodiversidade e comportamento de  polinizadores em florada de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck), variedade  “Pera-rio”, em diferentes localidades e anos e seu efeito na produção dos  frutos.</font></p>     <p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">MATERIAL E MÉTODOS</font></b></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">O presente experimento foi  conduzido em seis localidades e em seis anos, no estado de São Paulo, como  mostra a <a href="#tab1">Tabela 1</a>. Todos os dados foram coletados no período  de florescimento de pomares de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck), variedade  “Pera-rio”, que normalmente ocorre entre agosto e novembro. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="tab1"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08cua1.gif" width="527" height="258"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em cada localidade, os insetos  mais frequentes foram fotografados e, posteriormente, identificados em  comparação com coleção entomológica do Centro Universitário Moura Lacerda, em  Ribeirão Preto (SP).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Foram avaliados a frequência  das visitações e o tipo de coleta (néctar e/ou pólen) desses insetos, nas flores  da laranjeira, no decorrer do dia. Esses dados foram obtidos por contagem nos  primeiros 10 minutos de cada horário, das 7h00 às 18h00 (07h00 às 07h10, 08h00  às 08h10 e assim por diante até às 18h00), com três repetições (três dias  distintos), em cada localidade, por meio de observação visual. Essa contagem foi  realizada percorrendo-se aleatoriamente as linhas da cultura, durante 10  minutos, em cada horário, anotando-se os insetos presentes nas flores e o que  eles estavam coletando. O número de insetos observados durante os 10 minutos em  cada hora foi utilizado para estimar o número de insetos nas flores em uma hora.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">O comportamento forrageiro das  espécies visitantes também foi observado durante todo o período experimental. A  constância (C) desses insetos foi obtida por meio da fórmula: C = (P x 100)/N,  onde P é o número de coletas contendo a espécie estudada e N é o número total de  coletas efetuadas.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em duas localidades, para se  observar a porcentagem de frutifi cação, foram marcados 300 botões florais,  aleatoriamente, em diversas laranjeiras do pomar, sendo que 150 deles  permaneceram descobertos e 150 foram cobertos com armações de arame revestidas  com clarite, impedindo a visita dos insetos, durante a fase de botão até o  murchamento. A partir desses dados, foi estimada a taxa de frutifi cação da  cultura para as flores cobertas (sem acesso de polinizadores) e para as flores  descobertas (acessíveis aos polinizadores).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">A colheita dos frutos foi  realizada quando os mesmos formação dos frutos, nos diferentes tratamentos,  desde botão até a colheita. A forma e coloração dos frutos foram observadas, nos  diferentes tratamentos.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Foram feitas contagens dos  frutos, dos gomos e das sementes, pesagem (g), altura (cm), largura (cm),  espessura da polpa (mm), pH e volume do suco (ml) de frutos procedentes do  tratamento coberto (sem polinização entomófi la) e descoberto, com 10 repetições  em cada análise. As análises foram realizadas na Estação Experimental do Pólo  Regional da Alta Mogiana, Colina (SP), unidade da Agência Paulista de Tecnologia  dos Agronegócios (APTA).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">O delineamento utilizado foi o  inteiramente casualizado e os dados foram analisados através de análises de  variância, no programa SAS, que inclui teste de Tukey para comparação de médias  de todas as variáveis e análises de regressão por polinômios ortogonais, para  testar cada variável no tempo. Os dados foram considerados ao nível de 5% de  signifi cância.</font></p>     <p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">RESULTADOS E DISCUSSÃO</font></b></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Na <a href="#fig1">Figura 1</a>,  podem ser observadas as fases de desenvolvimento das flores da laranjeira, desde  botão até o murchamento e/ou frutifi cação. A duração da flor de Citrus sinensis  L. Osbeck, var. Pera, nas condições desse ensaio, desde a abertura do botão até  o murchamento e, consequente ou não, de frutifi cação, foi em média de 25 horas,  concordando com Malerbo- Souza et al. (2003).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="fig1"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig1.gif" width="495" height="173"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em Bebedouro, em 2001, os  insetos observados nas flores da laranjeira foram abelhas africanizadas Apis  mellifera (74,2%), e abelhas sem ferrão Trigona spinipes (16,85%) e Tetragonisca  angustula (8,35%), como pode ser visto na <a href="#tab2">Tabela 2</a>.</font></p>     <p align="center"><a name="tab2"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08cua2.gif" width="508" height="750"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em Porto Ferreira, em 2003, os  insetos observados visitando as flores de laranjeira foram abelha africanizada  A. mellifera (95,8%), Chloralictus sp. (2,27%), insetos da ordem Vespidae  (0,91%), Diptera (0,91%) e a abelha sem ferrão T. spinipes (0,11%).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em Viradouro, em 2008, os  visitantes florais observados na cultura de laranja foram: abelhas africanizadas  A. mellifera (65,6%), seguida por insetos da ordem Lepidoptera (13,2%), Diptera  (12,7%), Vespidae (7,6%) e abelhas Xylocopa sp. (0,9%).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2009, em Colina, os insetos  observados foram abelhas africanizadas A. mellifera (87,5%), T. spinipes (8,6%),  insetos da ordem Lepidoptera (2,7%), Vespidae (0,7%), Coleoptera (0,2%) e  abelhas Xylocopa sp. (0,3%).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Também em 2009, mas em Ribeirão  Preto, os insetos observados nas flores da laranjeira foram abelhas A. mellifera  (75,0%), insetos da ordem Lepidoptera (9,6%), abelhas T. spinipes (6,6%),  abelhas T. angustula (6,1%), Diptera (1,9%) e Vespidae (0,8%).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Já em 2011, em Brodowski, os  insetos observados nas flores da laranjeira foram abelhas africanizadas A.  mellifera (72.3%), abelhas T. spinipes (11,05%), abelhas T. angustula (10,15%),  insetos da ordem Lepidoptera (4,8%), Vespidae (0,8%), Xylocopa sp. (0,45%) e  Coleoptera (0,45%). </font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Os dados observados nos  diferentes anos e localidades comprovaram a predominância da abelha africanizada  nos pomares paulistas, concordando com vários autores. Malerbo (1991), em  Jaboticabal (SP), observaram quatro espécies de abelhas visitando essas flores:  A. mellifera (68,0%), T. spinipes (13,0%), T. angustula (12,0%) e Chloralictus  sp. (7,0%). Malerbo-Souza e Nogueira-Couto (2002) concluiu que A. mellifera e T.  angustula, T. spinipes e Chloralictus sp. foram os visitantes mais frequentes  nessas flores, com diferenças entre os cultivares “Perario”, “Valência” e  “Natal”, sendo A. mellifera a abelha mais frequente, nos dois anos observados.  Malerbo- Souza et al. (2003), em Jaboticabal (SP), observaram A. mellifera  (66,0%) e T. spinipes (34,0%).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">As abelhas A. mellifera (<a href="#fig2">Figuras  2</a> e <a href="#fig3">3</a>) foram os insetos mais frequentes nas flores das  laranjeiras nas diferentes localidades e anos, representando, em média, 78,4%  dos insetos observados. Quando um pomar de laranjeiras floresce, muitas flores  se abrem ao mesmo tempo, exalando um perfume intenso, o que pode atrai as várias  espécies de abelhas. Além disso, o néctar das flores das laranjeiras apresenta  alta concentração de açúcares no néctar, em torno de 29,50 ± 1,30%%. (Malerbo-Souza  et al., 2003)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="fig2"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig2.gif" width="498" height="404"></a></p>     
<p align="center"><a name="fig3"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig3.gif" width="498" height="404"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Enquato As abelhas T. spinipes  representaram, em media, 8,6%, as abelhas T. angustula, 8,3% e as abelhas  Xylocopa sp. 0,6%. Em média, as diferentes espécies de Lepidoptera observadas  nas diferentes localidades e anos, representaram 6,9% dos insetos observados, as  espécies de Vespidae, 2,2% e Coleoptera representaram 0,3% (<a href="#tab2">Tabela  2</a>).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2001 (<a href="#fig4">Figura  4</a>), em Bebedouro (SP), A. mellifera preferiram coletar néctar (89,3%)  comparado a pólen (10,20%). Para néctar, essa abelha visitou as flores das 7h00  às 18h00, entretanto, para pólen as visitas aconteceram entre 9h00 e 16h00, com  pico de frequência às 12h00. Por meio de regressão polinomial no tempo, observou-se  que, para coleta de néctar, a frequência das abelhas aumentou até às 13h00,  diminuindo em seguida, obedecendo a seguinte equação de 2º. Grau: Y = - 17,34 +  1,56X – 0,22X2 (R2 = 0,9710) onde Y é o número de abelhas e X é o horário do dia.  Para coleta de pólen, a frequência das abelhas aumentou até às 13h00, diminuindo  em seguida, obedecendo a seguinte equação de 2º. Grau: Y = - 18,44 + 3,46X –  0,14 X2 (R2 = 0,7997).</font></p>     <p align="center"><a name="fig4"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig4.gif" width="483" height="348"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Nesse ano, T. spinipes também  preferiu coletar néctar (82,0%) comparado a pólen (18,0%). Essas abelhas foram  observadas visitando as flores apenas entre 11h00 e 14h00.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Com relação à T. angustula, em  2001, essa espécie de abelha preferiu coletar néctar (76,8%) comparado a pólen  (23,2%). Foram observadas coletando néctar e pólen apenas entre 12h00 e 14h00,  apresentando um pico de frequência às 13h00.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2003, em Porto Ferreira (SP),  apenas A. mellifera foi observada coletando néctar e pólen, sendo que todos os  outros insetos coletaram exclusivamente pólen, nos dias observados (<a href="#tab3">Tabela  3</a>). A abelha A. mellifera preferiu coletar néctar (72%) comparado a pólen  (27,9%), nas flores de laranjeira. Com relação ao período do dia, esta abelha  preferiu o período da manhã para coletar néctar e pólen (62,1% e 65,3%,  respectivamente) comparado ao período da tarde. Isto pode explicar porque o  período da manha é tão importante para a polinização dessa cultura, já que as  coletoras de pólen são as polinizadoras mais efetivas (Free, 1993).</font></p>     <p align="center"><a name="tab3"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08cua3.gif" width="502" height="161"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em Viradouro (SP), em 2008 (<a href="#fig5">Figura  5</a>), A. mellifera visitaram as flores da laranjeira das 7h00 às 18h00,  aumentando sua frequência até às 10h00, diminuindo até às 15h00 e aumentando  novamente, até o final da tarde. Por meio de Regressão Polinomial no tempo  pode-se observar que essas abelhas obedeceram a seguinte equação de 3º. Grau: Y  = - 4,28 + 5,64X – 0,98X2 + 0,049X3, onde Y é o número de abelhas e X é o  horário do dia. Observou-se que muitas abelhas estavam se dirigindo a outra  espécie vegetal, a sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides), que florescia  próximo ao pomar, sendo considerada uma fonte alternativa de alimento para essas  abelhas. Além disso, próximo à área experimental havia uma pequena mata ciliar e  as áreas com a cultura da canade- açúcar (Sacharum oficcinarum). Essa cultura  está se expandindo na região de Viradouro e em todo o estado, diminuindo as  fontes de alimento para as abelhas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="fig5"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig5.gif" width="462" height="382"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2008, os lepidópteros (borboletas)  visitaram as flores das 7h00 às 17h00 para coleta exclusiva de néctar,  apresentando um pico de frequência às 14h00. Por meio de regressão polinomial no  tempo, observou-se um aumento da frequência até às 13h00, diminuindo em seguida  (Y = - 22,07 + 4,26X – 0,16X², F = 8,1234*, R2 = 0,7869).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2009 (<a href="#fig6">Figura  6</a>), em Ribeirão Preto (SP), as abelhas A. mellifera visitaram as flores das  7h00 às 17h00, preferindo coletar néctar (89,43%) comparado ao pólen (10,57%).  Por meio de Regressão Polinomial no tempo, observou-se que, para coleta de  néctar, as abelhas aumentaram sua frequência nas flores até às 13h00, diminuindo  em seguida, obedecendo a seguinte equação de 2º. Grau: Y = - 158,98 + 31,23X +  1,72X² (F = 26,5007**, R2 = 0,9489), onde Y é o número de abelhas e X é o  horário do dia. Para pólen, aumentaram sua frequência até às 12h00, diminuindo  em seguida (Y = - 20,69 + 4,21X – 0,18X², F = 19,3735**, R2 = 0.6303).</font></p>     <p align="center"><a name="fig6"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig6.gif" width="467" height="353"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2009, em Ribeirão Preto, T.  spinipes coletaram pólen das 7h00 às 17h00. Por meio de regressão polinomial no  tempo, observou-se que essas abelhas aumentaram sua frequência até às 12h00,  diminuindo em seguida (Y = - 12,94 + 2,78X – 0,12X², F = 14,9977**, R2 =  0,5532).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Nesse ano, T. angustula  coletaram pólen das 9h00 às 17h00. Por meio de regressão polinomial no tempo,  observou-se que essas abelhas aumentaram sua frequência no decorrer do dia (Y =  - 1,84 + 0,31X, F = 10,7089**, R2 = 0,4173).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Também em 2009 (<a href="#fig7">Figura  7</a>), mas em Colina (SP), as abelhas A. mellifera visitaram as flores das 8h00  às 18h00, preferindo coletar néctar (89,6%) comparado ao pólen (10,4%). Para  coleta de néctar, essas abelhas visitaram as flores das 9h00 às 18h00 e foram  mais frequentes entre 11h00 e 14h00. Por meio de Regressão Polinomial no tempo,  observou-se que, para coleta de néctar, as abelhas aumentaram sua frequência nas  fl ores, no decorrer do dia, obedecendo a seguinte equação de 3º. Grau: Y = -  0,0316x3 + 0,3727x2 + 1,042x – 2,1545 (F = 9,9975**, R2 = 0,8637), onde Y é o  número de abelhas e X é o horário do dia. Para pólen, apresentaram dois picos de  frequência: entre 8h00 e 10h00 e entre 14h00 e 15h00. </font></p>     <p align="center"><a name="fig7"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig7.gif" width="483" height="343"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Nesse ano, T. spinipes  visitaram as flores entre 9h00 e 16h00, com um pico de frequência às 11h00 para  coleta de pólen e as 15h00 para coleta de néctar. Essas abelhas preferiram  coletar pólen (70%) comparado ao néctar (30%).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2011 (<a href="#fig8">Figura  8</a>), em Brodowski (SP), A. mellifera visitaram as flores das 8h00 às 18h00,  preferindo coletar néctar (89,6%) comparado ao pólen (10,4%). Para coleta de  néctar, essas abelhas visitaram as flores das 9h00 às 18h00 e foram mais  frequentes entre 11h00 e 14h00. Por meio de Regressão Polinomial no tempo,  observou-se que, para coleta de néctar, as abelhas aumentaram sua frequência nas  flores, no decorrer do dia, obedecendo a seguinte equação de 3º. Grau: Y = -  0,0316x3 + 0,3727x2 + 1,042x – 2,1545 (F = 9,9975**, R2 = 0,8637), onde Y é o  número de abelhas e X é o horário do dia. Para pólen, apresentaram dois picos de  frequência: entre 8h00 e 10h00 e entre 14h00 e 15h00.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="fig8"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig8.gif" width="456" height="356"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Nesse ano, T. spinipes  coletaram pólen das 7h00 às 17h00. Por meio de regressão polinomial no tempo,  observou-se que essas abelhas apresentaram um pico de frequência entre 8h00 e  10h00, diminuindo em seguida (Y = - 0,2321X² +1,3568X + 10,962, F = 14,9977**,  R2 = 0,4367). Já T. angustula coletaram pólen das 9h00 às 17h00.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Por meio de regressão  polinomial no tempo, observouse que essas abelhas aumentaram sua frequência no  decorrer do dia (Y = 0,853X + 3,8818, F = 10,7089**, R2 = 0,3181).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2011, os insetos da ordem  Lepidoptera (borboletas) visitaram as flores das 9h00 às 16h00 para coleta  exclusiva de néctar, apresentando um pico de frequência entre 9h00 e 12h00.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">A abelha A. mellifera  apresentou o comportamento de visitar várias flores numa mesma visita,  carregando pólen no seu corpo. Como nas visitas às fl ores, essas abelhas tocam  nos estames e nos estigmas, foi considerado um agente polinizador dessa cultura,  concordando com os dados de Malerbo (1991), Malerbo-Souza et al. (2003) e Gamito  e Malerbo- Souza (2006).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Malerbo-Souza e Halak (2008)  concluíram que a abelha A. mellifera foi o inseto mais frequente em diferentes  localidades e que essa abelha preferiu o período manhã para a coleta de pólen e  néctar. Ainda, que presença dessas abelhas, nos pomares de laranja, traz  inúmeros benefícios. Um deles é a produção de um dos méis mais apreciados pela  população do estado de São Paulo: o mel da laranjeira. Outro benefício é o  aumento da produção dos frutos, tanto em quantidade quanto em qualidade. Além de  se produzir mais, os frutos decorrentes de flores visitadas pelas abelhas são  maiores e mais doces.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Malerbo-Souza e Halak (2008)  ressaltaram que deve haver a conscientização dos citricultores, no sentido de  evitar a pulverização de agrotóxicos, no período de fl orescimento da cultura.  Esse manejo se torna inadequado, pois além de matar as abelhas consequentemente,  o mel produzido por esses insetos. Se houver a necessidade de realizar esse  manejo, a pulverização deve ocorrer no final da tarde, período com menor  frequência de abelhas nas flores.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Guimarães e Pérez-Maluf (2004)  consideraram a abelha A. mellifera uma espécie dominante em citros (laranja e  tangerina). Ainda observaram, nesse mesmo estudo, que a abelha T. spinipes foi a  única espécie considerada dominante nas três culturas estudadas (laranja,  tangerina e goiaba).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Com seus hábitos generalistas e  sua condição social, a família Apidae apresenta o maior número de indivíduos.  Possui alta diversidade em zonas quentes de baixas latitudes (trópicos úmidos) e  há uma clara redução dos seus representantes de norte para sul. Na Mata  Atlântica, em São Paulo, foram encontradas 40 espécies. Entre os representantes  da família Apidae, estão os Meliponinae, os Bombinae e Euglossinae (Silveira et  al., 2002).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">De acordo com esses autores, a  abelha A. mellifera pertence à subtribo Apina, que contém apenas o gênero Apis.  Os meliponíneos são abelhas eussociais sem ferrão, com distribuição  principalmente tropical, sendo que existem dois grupos principais de abelhas sem  ferrão: os Meliponini e os Trigonini. Reúne as chamadas “abelhas sem ferrão”,  entre elas a jataí, a mandaçaia e a irapuá. Dentre os Trigonini, o gênero  Trigona, constitui um dos grandes gêneros de Meliponina neotropicais, com  espécies desde o norte da Argentina ao México. No Brasil, 19 espécies têm sido  reconhecidas, dentre elas a T. spinipes. Ainda esses autores, dentro do gênero  Tetragonisca, apenas três espécies têm sido reconhecidas, das quais duas estão  presentes na fauna brasileira: T. angustula e T. weyrauchi.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Uma questão importante a ser  ressaltada, é a controvérsia sobre as abelhas T. spinipes nas flores da  laranjeira. Muitos citricultores relataram que essas abelhas fazem perfurações  na base das flores, sendo muitas vezes, considerada uma praga da cultura. Na  verdade, as abelhas perfuram as fl ores, antes mesmo delas se abrirem, como  estratégia para coletar o néctar. Entretanto, Malerbo (1991) observou que, mesmo  com essas perfurações, as flores se desenvolveram normalmente e frutifi caram,  sem nenhum prejuízo na produção.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Foi observada a espécie T.  spinipes (<a href="#fig9">Figura 9</a>) visitando as flores sem causar injúrias  nos botões florais, reforçando o conceito de que essa espécie é um visitante  frequente da cultura e que não é o agente causador da queda dos frutos. Essa  observação confere com as obtidas por Malerbo (1991), ou seja, os botões  perfurados por essa abelha para coletar néctar não caíram mais comparados a  botões não perfurados. Na <a href="#fig10">Figura 10</a>, observa-se T.  angustula coletando pólen na flor da laranjeira.</font></p>     <p align="center"><a name="fig9"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig9.gif" width="480" height="390"></a></p>     
<p align="center"><a name="fig10"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig10.gif" width="472" height="347"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Diferentes espécies de  lepidópteros (borboletas) visitaram as flores das 7h00 às 17h00 para coleta  exclusiva de néctar (<a href="#fig11">Figura 11</a>). Outras espécies de insetos  visitaram esporadicamente as flores da laranjeira como coleópteros, vespídeos e  dípteros (<a href="#fig12">Figura 12</a>) . Além disso, outras espécies de  abelhas também visitaram esporadicamente as flores da laranjeira, como abelhas  Melipona quadrifasciata (mandaçaia) e abelhas da família Halictidae.</font></p>     <p align="center"><a name="fig11"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig11.gif" width="479" height="386"></a></p>     
<p align="center"><a name="fig12"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08fig12.gif" width="479" height="375"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Pelo índice de constância  desenvolvido por Silveira- Neto et al. (1976), observou-se que a abelha A.  mellifera foi o único inseto constante nas flores da laranjeira (91,7%). Os  lepidópteros (44,4%) e os dípteros (33,3%) foram espécies acessórias no pomar.  Já os vespídeos (30,5%) e as mamangavas (5,55%) foram considerados espécies  acidentais visitando as flores. Já, em 2011, A. mellifera foi uma espécie  constante nas flores para coleta de néctar (78,1%) e uma espécie acidental para  coleta de pólen (34,4%). As abelhas T. spinipes e os lepidópteros foram espécies  acidentais (20,3% e 21,9%, respectivamente). A abelha A. mellifera foi o  visitante floral mais frequente e constante. Pelo seu comportamento de  forrageamento foi considerado o agente polinizador da cultura</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Comparando esse experimento com  aqueles já realizados (Malerbo, 1991; Malerbo-Souza et al., 2003; Gamito e  Malerbo-Souza, 2006), pode-se perceber que essas espécies de abelhas  frequentemente são observadas nos pomares de laranja do Estado de São Paulo. As  abelhas nativas T. angustula e Chloralictus sp. são observadas em menor número  e, algumas vezes, não são relatadas. Pelo comportamento observado para coleta de  néctar e de pólen, essas espécies foram consideradas polinizadores da cultura da  laranja. Existe, então, a necessidade da preservação dessas espécies para  garantir a biodiversidade dos polinizadores.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Não foi observado comportamento  agonístico entre as espécies de insetos nas flores da laranjeira, demonstrando  que estavam envolvidas apenas na coleta de alimento. Como a laranjeira fornece  muitas flores e, consequentemente, muito alimento aos insetos, não houve  competição pelo alimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Muitos experimentos  relacionados com polinização de Citrus sp comprovaram o aumento na produção de  frutos quando as abelhas estão presentes (Trevisan, 1983; Pasini, 1989; Malerbo,  1991; Malerbo-Souza et al, 2003; Gamito e Malerbo-Souza, 2006), comprovando a  importância da polinização e reforçando a necessidade da presença dessas abelhas  em alta densidade, para essa cultura. Tanto o numero de visitas como também o  comportamento das abelhas na flor influenciaram na frutificação.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">O tempo de formação do fruto,  desde o botão até a colheita, foi, em média, de 10 meses. Os frutos se  apresentaram sadios, com formato ovalar e coloração laranja.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2007, dos 208 botões florais  cobertos apenas 10 frutificaram (4,28%). Já dos 130 botões florais descobertos,  116 frutificaram (89,23%). Entretanto, pelos dados obtidos, observou-se que com  a presença das abelhas houve um aumento de 7,35% na produção de frutos.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Em 2011, em Colina, dos 150  botões florais descobertos, 91 (61,7%) fecundaram já dos 150 botões florais que  permaneceram cobertos, apenas 83 (55,3%) fecundaram, mostrando um aumento de  9,6% na fecundação de flores livremente visitadas por insetos.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Isto pode ter ocorrido devido a  fatores ambientais, como o vento e chuvas que podem ter derrubado os frutos ou  também devido a um abortamento natural decorrente de uma carga excessiva de  frutos na árvore.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Observou-se na <a href="#tab4"> Tabela 4</a> que o peso, a altura, a largura, a espessura da polpa, o número de  sementes, o pH e o volume do suco dos frutos analisados, apresentaram diferença  signifi cativa entre os tratamentos, sendo maiores no tratamento descoberto  comparado ao coberto. Apenas com relação ao número de gomos por fruto, não houve  diferença signifi cativa entre os tratamentos. Portanto, observou-se que os  frutos decorrentes do tratamento descoberto foram mais pesados, mais doces, com  maior número de sementes e com maior volume de suco comparado aos frutos  decorrentes do tratamento coberto.</font></p>     <p align="center"><a name="tab4"> <img border="0" src="/img/fbpe/zt/v31n1/art08cua4.gif" width="537" height="615"></a></p>     
<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Esse fato demonstra a  importância de uma boa polinização e reforça a necessidade da presença dessas  abelhas em alta densidade, para essa cultura. Nota-se que tanto o numero de  visitas como também o comportamento da abelha na flor influencia na frutificação  (Malerbo-Souza et al., 2008).</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">De acordo com Malerbo-Souza e  Nogueira-Couto (2002), pode-se supor, que a presença de abelhas nos pomares de  citros, além de trazerem benefícios aos apicultores, também aumentam a produção  frutos, beneficiando citricultores.</font></p>     <p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">CONCLUSÕES</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Nas condições experimentais,  conclui-se que as abelhas africanizadas Apis mellifera são os insetos mais  frequentes e constantes nas flores da laranjeira e preferiram coletar néctar  comparado a coleta de pólen, preferencialmente no período da manhã.As abelhas  Trigona spinipes e Tetragonisca angustula coletaram exclusivamente pólen nessas  fl ores.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">Houve um aumento na porcentagem  de frutifi cação das flores da laranja, com a presença dos insetos. Os frutos  que receberam a visita dos agentes polinizadores foram maiores, mais doces, com  maior número de sementes e quantidade de suco do que aqueles que não receberam a  visita.</font></p>     <p align="justify"><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font face="Verdana" size="2">1. Donadelli, A., P. J. Coelho,  M. M. D. Santiago, A. Negri Neto. 2000. Valor da produção agropecuária do Estado  de São Paulo, 1996/97 e 1997/1998. Informações Econômicas, São Paulo, v.30, n.2.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2689181&pid=S0798-7269201300010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p align="justify"><font face="Verdana" size="2">2. Free, J. B. 1993. Insect  pollination of crops. New York, Academic Press, 544 p.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">3. Gallai, N., J. M. Salles, J.  Settele and B. E. Vaissièr. 2009. Economic valuation of the vulnerability of  world agriculture confronted with pollinator decline. Ecological Economics, v.  68, pp. 810- 821.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">4. Gamito, L. M. e D. T.  Malerbo-Souza. 2006. Visitantes fl orais e produção de frutos em cultura de  laranja (Citrus sinensis L. Osbeck). Acta Scientiarum Zootechny, v. 28, pp.  483-488.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">5. Guimarães, R. A. e R. Pérez-Maluf.  2004. Abelhas (Hymenoptera: Apoidea) visitantes das flores de goiaba (Psidium  guajava), laranja (Citrus sinensis) e tangerina (C. reticulata) em pomar  comercial de salinas, MG. In: ENCONTRO SOBRE ABELHAS, 4., 2004.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">6. Ribeirão Preto. Anais....  Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo. Imperatriz-Fonseca, V. L., Canhos, D.  A. L., Alves, D. A., Saraiva, A. M. 2012. Polinizadores do Brasil: Contribuição  e perspectivas para a biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços  ambientais. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 488 p.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">7. Klein, A. M., B. E.  Vaissière, J. H. Cane, I. Steffan- Dewenter, S. A. Cunnigham, C. Kremen and T.  Tscharntke. 2007. Importance of pollinators in changing landscapes for world  crops. Proceedings of the Royal Society, v. 274, pp. 303–313.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="Verdana" size="2">8. Malerbo, D.T.S. 1991.  Polinização entomófi la em três variedades de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck).  Ribeirão Preto, Depto de Biologia, USP, 66p. (Dissertação de Mestrado)</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">9. Malerbo-Souza, D. T. e R. H.  Nogueira-Couto. 2002. Polinização entomófi la em 3 variedades de laranja (Citrus  sinensis L. Osbeck). Científi ca, São Paulo, SP. v. 30, n. 1/2, pp. 79-87.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">10. Malerbo-Souza, D. T. S., R.  H. Nogueira-Couto e L. A. Couto. 2003. Atrativos para abelhas Apis mellifera e  polinização em laranja (Citrus sinensis L. Osbeck, var. Pêra-Rio). Brazilian  Journal of Veterinary Research and Animal Science. v. 40, pp. 272-278.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">12. Malerbo-Souza, D. T., Halak,  A. L. 2008. Polinização das laranjeiras. In: Produção de mudas e manejo fi  tossanitário dos citros. Pinto, A.S.; Zaccaro, R.P. (orgs). Piracicaba: CP2, 133  p.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">13. Malerbo-Souza, D. T.; V. A.  A. Toledo e A. S. Pinto. 2008. Ecologia da polinização. Piracicaba: CP2, 2008.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">14. Pasini, F. M. 1989. Infl  uência da polinização entomófi la sobre a produção e as características dos  frutos da laranjeira cultivar Piralima (Citrus sinensis Osbeck). Piracicaba,  1989. 68p. Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz”, Universidade de São  Paulo. (Dissertação de Mestrado). </font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">15. Pinto, A. S., R. P. Zaccaro.  (orgs) 2008. Produção de mudas e manejo fi tossanitário dos citros. Piracicaba:  CP2, 133 p.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">16. Silveira, F.A., G. A. R.  Melo, E. A. Almeida. 2002. Abelhas brasileiras: Sistemática e Identifi cação.  Belo Horizonte, F.A. Silveira, 253 p.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">17. Silveira-Neto, S., O.  Nakano, D. Barbin, N. A. Villa Nova. 1976. Ecología Manual de Insectos. Sao  Paulo: Agronómicos Ceres. 419 p.</font></p>     <p align="justify"><font face="Verdana" size="2">18. Trevisan, M. 1983.  Importância das abelhas Apis mellifera na polinização de Citrus sinensis. In:  SEMANA DE CITRICULTURA, 5, Cordeirópolis. Anais... EEL-IAC, pp. 269-279.</font></p>      ]]></body>
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