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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Segurança e saúde dos trabalhadores na indústria do alumínio no estado do Pará, Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Productive restructuring process is one of the changes undertaken by the aluminum industry in Pará, bringing new technologies and increased production; as well as reduction of jobs, outsourcing and changes in working conditions. From denunciations about illnesses experienced by workers of this productive sector, this paper asks how management does about safety/health of workers relating to productive restructuring faced in production of primary aluminum and its impact on the subjectivity of workers. Guided by the Psychodynamics of Work, the study opted for a qualitative research approach which allowed conducting 44 interviews with workers, trade unionists, technicians and managers of the company under study. It was observed the suffering of the injured/diseased due to disrupted lives and feelings of worthlessness/abandonment, associated with work organization and how is the management of workers’ safety/health.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Segurança e Saúde do Trabalhador]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p class="Ttulocaptulo" style="text-align: center; line-height: normal"><b> <span style="font-size: 12.0pt; font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Segurança e saúde dos trabalhadores na indústria do alumínio no estado do Pará,  Brasil</span></b><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">&nbsp;</span></p>     <p style="line-height: normal" align="center"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Laura Soares Martins Nogueira*</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2"> </font></span><span style="font-size: 10.0pt; font-family: Verdana,sans-serif"> Rosa Elizabrth Acevedo Marin**</span></b></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="ES-TRAD"> <font size="2">* </font></span><font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Doutora em  Desenvolvimento Socioambiental, Universidade Federal do Pará. Tecnologista Pleno  da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif"> </span></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> <font size="2">E-mail: <a href="mailto:laura.nogueira@fundacentro.gov.br"> laura.nogueira@fundacentro.gov.br</a>.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2">**</font></span><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">  Doutora em História e Civilização, </span><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">École des Hautes  Études en Sciences Sociales</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">.  Professora Associada III da Universidade Federal do&nbsp;Pará. </span></font> <span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2">E-mail: <a href="mailto:ream30@hotmail.com">ream30@hotmail.com</a>.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Resumo</font></span></b></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">A  reestruturação produtiva é uma das mudanças empreendidas pela indústria do  alumínio no Pará, trazendo novas tecnologias e maior produção; bem como, redução  dos postos de trabalho, terceirização e alterações nas condições de trabalho. A  partir de denúncias sobre adoecimentos vivenciados por trabalhadores deste setor  produtivo, este trabalho indaga como ocorre a gestão da segurança/saúde de  trabalhadores face à reestruturação produtiva enfrentada na produção de alumínio  primário e seu impacto sobre a subjetividade dos empregados. Pautado na  Psicodinâmica do Trabalho, o estudo optou pela abordagem qualitativa em pesquisa  o que permitiu a realização de 44 entrevistas com trabalhadores, sindicalistas,  técnicos e gestores da empresa estudada. Observou-se o sofrimento dos  acidentados/adoecidos em função de vidas interrompidas e de sentimentos de  inutilidade/abandono, associados à organização do trabalho e ao modo como ocorre  a gestão da segurança/saúde dos trabalhadores</font></span><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">. </font></span></i></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Palavras chave</font></span><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif"> </span></font></b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> <font size="2">Segurança e Saúde do Trabalhador / Reestruturação Produtiva /  Indústria do Alumínio&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="EN-US"><font size="2"> Abstract</font></span></b></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="EN-US"><font size="2"> Productive restructuring process is one of the changes undertaken by the  aluminum industry in Pará, bringing new technologies and increased production;  as well as reduction of jobs, outsourcing and changes in working conditions.  From denunciations about illnesses experienced by workers of this productive  sector, this paper asks how management does about safety/health of workers  relating to productive restructuring faced in production of primary aluminum and  its impact on the subjectivity of workers. Guided by the Psychodynamics of Work,  the study opted for a qualitative research approach which allowed conducting 44  interviews with workers, trade unionists, technicians and managers of the  company under study. It was observed the suffering of the injured/diseased due  to disrupted lives and feelings of worthlessness/abandonment, associated with  work organization and how is the management of workers’ safety/health.&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="EN-US"><font size="2">Key  words </font></span></b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="EN-US"><font size="2"> Security and Workers’ Health / Productive Restructuring / Aluminum Industry&nbsp;</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Recibido</font></span></b><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">:&nbsp;&nbsp;  octubre 2012&nbsp;&nbsp;</span><b><span style="font-family: Verdana,sans-serif">ACEPTADO</span></b></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2">:&nbsp;  diciembre 2012&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Introdução</font></span></b></p>     <p style="text-indent: 0cm; line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  partir da metade do século XX, observa-se na análise do processo de  industrialização na Amazônia brasileira a ampliação do setor de extração e  transformação mineral. Os grandes projetos minero-metalúrgicos que lá se  instalaram no final dos anos setenta, fundamentaram-se no ideário de  modernização e crescimento econômico para uma região historicamente «esquecida»  pelo Estado, assim como se justificaram pelo atendimento à demanda global por  mercadorias de origem mineral.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Planos  de Desenvolvimento para o crescimento econômico do país, especialmente durante o  regime militar no Brasil, propugnavam políticas de incentivo à instalação de  grandes empresas mineradoras. Salientamos no governo do General Ernesto Geisel,  o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), em que a Amazônia foi pensada  como uma «fronteira de recursos», portanto, um grande bem nacional. O Programa  de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (Poloamazônia), por sua vez,  objetivava o desenvolvimento de infra-estrutura destinada a criar um clima de  investimentos mais favorável à iniciativa privada (Mahar, 1978).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Este  contexto político impulsionou a implantação da cadeia produtiva do alumínio,  sediada no Estado do Pará, associada ainda aos interesses da indústria global do  alumínio. Ciccantell (2005) mostra que essa indústria iniciou a sua  internacionalização no final do século XIX, ao enfrentar dificuldades quanto ao  acesso aos insumos essenciais à produção (bauxita e eletricidade), uma vez que  os recursos disponíveis nas nações centrais estavam se esgotando, e havia  necessidade de buscar matérias-primas, competindo por novos mercados em outros  países e regiões do mundo. Assim, o acesso aos recursos ocorreria pela aquisição  de empresas produtoras desses insumos ou de sua instalação em locais não  desenvolvidos, com depósitos de bauxita, e grande potencial hidrelétrico.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Apesar  da indústria não ser um setor forte na região norte brasileira, o Estado do Pará  se constituiu em território privilegiado para sediar a cadeia produtiva do  alumínio por possuir as maiores reservas de bauxita; por abrigar a Usina  Hidrelétrica de Tucuruí, fornecedora de energia elétrica de baixo custo; bem  como, garantir mão-de-obra barata, principais componentes necessários ao  processo de industrialização do alumínio. Ao longo do tempo, essa indústria  enfrentou mudanças, fruto da reestruturação produtiva que se por um lado  resultaram em melhorias tecnológicas e aumento da produção; por outro,  diminuíram os postos de trabalho, intensificaram a terceirização no setor,  alterando sensivelmente as condições e relações de trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Neste  contexto, o estudo em questão se volta para a análise de um aspecto social desse  processo desenvolvimentista, qual seja o da segurança e da saúde dos  trabalhadores na indústria do alumínio no Estado do Pará. Parte-se de uma  questão paradoxal, uma empresa produtora de alumínio, ganhadora de diversos  prêmios e detentora de inúmeras certificações de qualidade, –inclusive referente  à OHSAS 18001<sup>1</sup>– é a mesma empresa que apresenta um processo produtivo  denunciado pelos trabalhadores como adoecedor. Fato que se expressa nos  discursos dissonantes da empresa e dos trabalhadores sobre os processos de  adoecimento e acidentamento decorridos da produção. De um lado, a empresa  referindo o Sistema de Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional sob o pilar da  Qualidade Total, que lhe permite declarar, mesmo diante de um processo produtivo  com inúmeros riscos laborais, a ausência de registros de doenças ocupacionais e  baixas taxas de lesões no período de 2005-2007 (Albras, 2008). Do outro lado, os  trabalhadores denunciam à Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador do  município de Belém (CIST-Bel)<sup>2</sup> os processos de adoecimento que  associam com sua atividade de trabalho, além de recorrer à Associação em Defesa  dos Reclamantes e Vitimados por Doença do Trabalho na Cadeia de Produção do  Alumínio (ADRVDT-CPA) em busca de apoio para provar que a doença manifesta é  decorrente da atividade profissional desenvolvida, o que não é reconhecido pela  empresa e muitas das vezes pelo próprio Estado. Não são raros os relatos dos  trabalhadores que enfatizam a não concessão de benefícios acidentários pelo  Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A pesquisa de Guinalz (2008)  identifica tal quadro ao entrevistar 45 trabalhadores vítimas de doenças  ocupacionais resultantes da atividade profissional exercida na empresa de  alumínio, o que reforça a denúncia dos trabalhadores.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Quanto  à segurança e saúde do trabalhador, a cultura organizacional e seus valores  reconstruídos no bojo da reestruturação produtiva e do modelo toyotista apontam  para a possibilidade de intensificação do prisma individualizador no campo da  segurança e saúde, onde tradicionalmente o acidente de trabalho é visto como  erro, culpa do trabalhador, conformando a própria subjetividade operária.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  questão norteadora dessa investigação busca responder: em que medida a Gestão da  Segurança e Saúde Ocupacional, calcada na Gestão Qualidade Total aponta para o  inverso do que se propõe, ou seja, o bem-estar no trabalho? Desta forma,  interpreta como ocorre a gestão da segurança e saúde dos trabalhadores à luz das  transformações decorrentes da reestruturação produtiva na produção do alumínio  no Pará a partir de processos de subjetivação dos trabalhadores, pois  entendendo-se como a organização do trabalho se configura, pode-se compreender a  relação –prazer/saúde ou sofrimento/adoecimento– que o trabalhador estabelece  com o seu próprio trabalho.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">O Campo de Estudos  das Relações Saúde-Doença e Trabalho</span></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: justify; line-height: normal"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Na  atualidade, três paradigmas –Medicina do Trabalho, Saúde Ocupacional e Saúde do  Trabalhador– concebem as relações saúde-doença e trabalho por meio de  conceitualizações e metodologias de análise distintas remetendo a práticas de  intervenção diferenciadas no mundo do trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  Revolução Industrial leva a reflexão sobre a relação saúde-doença e trabalho,  pois nela se evidencia a emergência de novas formas de divisão social do  trabalho. Inovações tecnológicas, especialmente com a introdução da máquina a  vapor e as condições desumanas de trabalho enfrentadas pelos trabalhadores,  agora, homens livres, impulsionam a construção do primeiro paradigma sobre  saúde/doença e trabalho, a saber –Medicina do Trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Centrada na figura do médico, sob a visão eminentemente biologicista e  individualizante, a Medicina do Trabalho concebe o adoecimento numa perspectiva  unicausal e atua no espaço exclusivo da fábrica. Ao mesmo tempo em que busca  identificar os processos danosos à saúde dos trabalhadores, funciona como uma  aliada do empresariado objetivando a recuperação do trabalhador e seu pronto  retorno à linha de produção (Minayo-Gomez; Thedim-Costa,1997).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Por  sua vez, o campo da segurança no trabalho se fortalece sob outro paradigma –a  Saúde Ocupacional. A crença no prevencionismo, calcada na noção de risco e do  controle de agentes ambientais, será adotada por novos profissionais, como  engenheiros e técnicos de segurança que, em conjunto com os médicos, executam a  Gestão da Segurança e Saúde nos espaços de trabalho. O foco de suas ações  consiste em evitar o acidente de trabalho<sup>3</sup>, mas caso ocorra, é  atribuição do médico a tarefa de «curar» o trabalhador.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  atuação no campo da segurança no trabalho é norteada pela concepção de «ato  inseguro». Esta premissa defende que a prevenção ou o acidente de trabalho é  fruto de escolhas conscientes dos trabalhadores em situações com possibilidade  de controle absoluto da situação. A segurança, sob a influência das ideias da  Organização Científica do Trabalho, estaria associada ao cumprimento de normas e  procedimentos legais ou administrativos. Deste modo, identificar o «ato  inseguro» implicaria comparar o comportamento do trabalhador a determinado  padrão. A prevenção, por sua vez, resultaria do estímulo à mudança do  comportamento dos trabalhadores, punindo os comportamentos não desejados e  premiando os desejados (Almeida, 2006).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  concepção de «ato inseguro» torna-se uma armadilha para o trabalhador na medida  em que tende a reduzir as causas do acidente de trabalho ao comportamento  racional dele, muitas vezes a partir de um discurso culpabilizador que  desconsidera as relações sociais e históricas que permeiam o trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  paradigma da Saúde do Trabalhador, por sua vez, é fruto de movimentos sociais  iniciados na Itália com o Movimento Operário Italiano e que se espraiaram a  diversos países na década de sessenta, cujas reivindicações refletiam a luta dos  trabalhadores por espaços mais dignos de trabalho, a partir de questionamentos  sobre a não delegação da vigilância da saúde, exclusivamente, ao Estado; a não  monetarização do risco; a validação do saber dos trabalhadores a partir de  estudos independentes sobre ambientes, as condições de trabalho e os processos  de adoecimento. A Saúde do Trabalhador, fundamentalmente, traz à cena o  conhecimento do trabalhador, sua subjetividade, na tentativa de integrá-lo ao  conhecimento técnico-científico.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Teoricamente situada no campo da Medicina Social Latinoamericana, na interface  com Saúde Pública e a Saúde Coletiva, a Saúde do Trabalhador incorpora  referenciais do campo das Ciências Sociais, especialmente do pensamento  marxista. A principal referência para o estudo dos condicionantes da  saúde-doença é o conceito marxiano de processo de trabalho,</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> </span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> <font size="2">que permite considerar a dimensão social e histórica do trabalho  na sua relação com a saúde/doença. De outro modo, uma das principais premissas  metodológicas do campo da Saúde do Trabalhador, o reconhecimento do saber do  trabalhador calcado na experiência, resulta do conhecimento acumulado pela ação  dos sindicatos nos locais de trabalho, originário do Movimento Operário Italiano  (Minayo-Gomez; Thedim-Costa, 1997).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Alinhada aos princípios do campo da Saúde do Trabalhador, a Teoria da  Psicodinâmica do Trabalho, elaborada por Christophe Dejours, analisa as relações  que se estabelecem entre a organização do trabalho e os processos de  subjetivação do trabalhador. Assim, a subjetividade refletiria a capacidade de  atribuição de sentido pelo trabalhador, construído na sua relação com o  trabalho. Nesta perspectiva, a organização do trabalho seria entendida, por um  lado, como a divisão das tarefas, –aquilo que permite a alguns indivíduos  definir por outros o trabalho a ser executado, o modo operatório e os ritmos a  seguir; por outro, implicaria a divisão dos homens– os dispositivos de poder que  se travam nas relações de trabalho, ou seja, diz respeito à hierarquia, à  supervisão e ao comando (Dejours; Dessors; Desriaux, 1993).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="PT-BR"> <font size="2">Ao admitir a dimensão do trabalho crucial para a constituição da  identidade do sujeito e como base da saúde mental, compreende-se o papel do  trabalho na construção do equilíbrio psíquico e da saúde do trabalhador, mas o  modo como se organiza o trabalho pode colocar em risco este equilíbrio que  quando ameaçado, leva o sujeito à utilização de defesas. O sofrimento só pode  ser captado por meio das defesas, cujo principal papel é resistir psiquicamente  às agressões resultantes de certas formas de organização de traba</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">lho.  A eficácia das defesas consiste na dissimulação do sofrimento e a causa deste  escapa aos trabalhadores. Portanto, as defesas podem funcionar no sentido de  evitar a tomada de consciência quanto às relações de exploração a que estão  submetidos os sujeitos nas relações de trabalho (Dejours, 2004).</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  Psicodinâmica do Trabalho diverge das ideias psicologizantes que reforçam a  preocupação com o fator humano na busca de explicações para o acidente de  trabalho e que em última instância, favorecem a concepção de «ato inseguro»,  configurando-se como outra possibilidade de análise que sem prescindir do  humano, articula-se com outros saberes, em especial construídos no âmbito das  Ciências Sociais, capazes de compreender a complexidade das relações  saúde/doença e trabalho e com os quais, almeja-se contribuir para superar a  culpabilização dos sujeitos quando se acidentam ou adoecem.&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">O  Trabalho de Pesquisa</font></span></b></p>     <p style="text-indent: 0cm; line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Ao  situar o estudo no campo da Saúde do Trabalhador, necessariamente, comunga-se de  suas premissas, em especial, aquela que afirma a necessidade de escuta dos  trabalhadores. O que implica o seu reconhecimento como sujeitos sociais dotados  de conhecimento e experiência, capazes de reflexão sobre a realidade e de  atuarem como agentes de mudanças.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  pesquisa faz a opção pela abordagem qualitativa em saúde, herdeira da concepção  advinda das Ciências Humanas de que se faz importante não só o estudo do  fenômeno em si, mas a compreensão do seu significado individual ou coletivo,  posto que considere o significado na sua função estruturante «em torno do que as  coisas significam, as pessoas organizarão de certo modo suas vidas, incluindo  seus próprios cuidados com a saúde» (Turato, 2005:509). Essa abordagem reconhece  na subjetividade, não a impossibilidade de construção do conhecimento  científico, diferente do modelo científico clássico objetivista e  quantitativista, mas o aspecto singular do fenômeno social, o qual se propõe a  estudar (Minayo, 2004).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Ainda,  sobre a abordagem qualitativa ressaltam-se seus fundamentos na Epistemologia  Qualitativa como nos informa Rey (2005). Deste modo, o conhecimento é entendido  como um processo construtivo-interpretativo sobre a realidade e não uma  apropriação linear da mesma.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  autor propõe o conceito de «zona de sentido» para melhor elucidar o processo de  construção do conhecimento, que confere valor a este não por gerar uma  correspondência linear com o real, mas por possibilitar campos de  inteligibilidade que tragam por conse­quência novas vias de ação sobre a  realidade ou mesmo novos caminhos para a formulação teórica.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Outro  princípio da Epistemologia Qualitativa é o entendimento da pesquisa como um  processo de comunicação dialógico. Desta feita, para o autor, «A comunicação é  uma via privilegiada para conhecer as configurações, os processos de sentido  subjetivo que caracterizam os sujeitos individuais e que permitem conhecer o  modo como as diversas condições objetivas da vida social afetam o homem»&nbsp;(Rey,  2005:13).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  conhecimento proposto, necessariamente, perpassa a comunicação dialógica com os  atores sociais, especialmente, os trabalhadores, sujeitos privilegiados da  pesquisa. Ao se valorizar a escuta dos trabalhadores, considera-se que a  compreensão da subjetividade e do significado coloca ao processo de pesquisa a  necessidade de solução de dicotomias como indivíduo/social, macro/micro,  interioridade/exterioridade. Nessa perspectiva, para Minayo (2004), a dialética  marxista se apresenta como possibilidade de dimensionar o significado sem  menosprezar a base material que lhe dá origem, ao analisar o sistema de relações  que constroem o mundo exterior ao sujeito e as representações sociais que  permeiam as relações objetivas dos indivíduos, as quais atribuem significados.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Para a  análise dos dados, pautamo-nos na proposta da autora que apresenta a  Hemenêutica-Dialética como um «caminho do pensamento» a ser trilhado no  tratamento dos dados na abordagem qualitativa em pesquisa. A expressão «caminho  do pensamento» busca diferenciá-la da Análise de Conteúdo e a Análise de  Discurso, enquanto técnicas de interpretação de textos.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  relação de complementariedade entre a Hermenêutica e a Dialética é possível,  enquanto a hermenêutica penetra no seu tempo, buscando compreender o sentido do  texto a partir do acordo e da unidade, a crítica dialética se dirige contra seu  tempo, enfatizando a diferença, o contraste, o dissenso e a ruptura de sentido.  Assim, hermenêutica-dialética permite ao pesquisador entender o texto, a fala, o  depoimento como resultado de um processo social (trabalho e dominação) e  processo de conhecimento (expresso na linguagem), frutos de múltiplas  determinações, mas com significado específico (Minayo, 2004).</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  entrevista foi escolhida como principal instrumento para a produção de dados.  Sua importância no âmbito das Ciências Sociais advém do fato de que a fala  configura-se como reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores,  normas e símbolos, transmitindo através de um porta-voz as representações de  determinados grupos, em condições históricas, socio-econômicas e culturais  específicas (Minayo, 2004).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Para  além das entrevistas, utilizou-se o diário de campo que se apresenta como  instrumento importante por congregar um conjunto de informações resultantes das  observações realizadas no campo, implicando não só as observações atinentes ao  objeto de estudo </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">per si</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">,  mas como indica Chizzotti (1995) a própria participação do pesquisador nas  situações por ele vividas, envolvendo percepções, hesitações, conflitos, entre  outros aspectos no curso da pesquisa.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Por  fim, quanto à pesquisa documental, pode-se lhe atribuir utilidade enquanto  recurso auxiliar principalmente na construção dos diversos discursos os quais o  pesquisador se propõe a analisar. Como refere Chizzotti (1995:109) a  «Documentação é toda a informação sistemática, comunicada de forma oral,  escrita, visual ou gestual, fixada em um suporte material, como fonte durável de  comunicação». Desse modo, análises de revistas, jornais, sites, impressos,  vídeos, relacionados à empresa estudada, assim como, análises de documentos dos  trabalhadores como laudos médicos, Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT’s)<sup>4</sup>  foram feitas a fim de assegurar os objetivos do presente trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  campo ocorreu nos municípios de Barcarena (PA) e Abaetetuba (PA) e  constituíram-se sujeitos da pesquisa, trabalhadores e ex-trabalhadores diretos  da empresa, trabalhadores terceirizados que atuam ou atuaram na área  operacional, familiares, dirigentes sindicais e ex-sindicalistas do Sindicato  dos Metalúrgicos do Pará (Simetal) e Sindicato dos Metalúrgicos de Barcarena  (Simeb). Ainda, representantes da ADRVDT-CPA; Gestores do Programa de Gestão da  Segurança e Saúde do Trabalhador e técnicos da área de Segurança e Saúde no  Trabalho da empresa.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Quanto  às etapas da pesquisa, inicialmente, ocorreram diversas visitas à empresa,  ADRVDT-CPA e Simeb, previamente agendadas e consentidas, bem como, realizou-se a  análise de documentos de caráter técnico, econômico, científico, pesquisados em  sites, arquivos institucionais, bibliotecas, entre outros, o que permitiu  sistematizar informações sobre processo de trabalho, adoecimento e  transformações sofridas pela empresa ao longo do tempo, aspectos fundamentais  para a compreensão do cenário em questão. No segundo momento, foram realizadas  44 entrevistas individuais, gravadas e transcritas, e por fim analisadas. Vale  salientar, que no momento anterior à entrevista, os sujeitos da investigação  foram informados sobre os objetivos do estudo, a participação voluntária e o  sigilo quanto à identificação dos informantes. Por fim, os informantes assinaram  um termo de consentimento livre e esclarecido cujo texto orientava sobre a  utilização das informações fornecidas para efeito exclusivo de pesquisa.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Esta  análise centrada na segurança e saúde do trabalhador<sup>5</sup> tangencia  observações feitas por gestores, médicos, engenheiros, técnicos de segurança que  por suas posições dentro da empresa e práticas durante as entrevistas  responderam de forma standartizada, quando não se recusaram. Em alguns casos, a  equipe disponibilizou documentos oficiais, manuais sobre a política de segurança  interna.</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">A  Empresa e a Organização do Trabalho</font></span></b></p>     <p style="text-indent: 0cm; line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  empresa foi constituída no final da década de setenta, após a assinatura de um  acordo de cooperação entre o governo brasileiro e o governo japonês para a  construção de um complexo produtor de alumínio no Estado do Pará. Surge como uma  empresa integrante do grupo Vale do Rio Doce que, inicialmente, era uma estatal  do setor da mineração. Em 1989, ela inicia a implantação do programa de  qualidade utilizando a metodologia do </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">Total Quality Control</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">  (modelo japonês) e em 1996 inicia o programa Círculos de Controle de Qualidade  (CCQ). Em 1997, a Vale do Rio Doce foi privatizada e em 2010, a empresa foi  vendida para a Norsk Hydro, empresa norueguesa, produtora de alumínio.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Empresa do setor da metalurgia apresenta um processo produtivo com diversos  riscos à segurança e saúde dos trabalhadores. De acordo com a </font></span> <font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> Enciclopedia de Salud y Seguridad en el Trabajo</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">  da Organização Internacional do Trabalho (OIT, 1998), a conexão entre o alumínio  e a neurotoxidade profissional ainda se encontra no campo especulativo,  entretanto, o processo de trabalho desse setor produtivo expõe os trabalhadores  a riscos específicos, dos quais os mais comuns são lesões ocasionadas por  derramamento ou salpicamento de metal fundido; explosões ocasionadas pelo  contato do metal fundido com água; colisões de veículos que transportam  materiais; quedas de materiais extremamente pesados; exposição a altas  temperaturas devido aos fornos de metal em fusão; contato direto com metais e  outras substâncias na utilização de produtos químicos ao longo do processo;  ruídos relacionados ao funcionamento do maquinário como ventiladores de descarga  de gases e fornos elétricos de alta potência. Ainda, também são conhecidos os  riscos que podem ocasionar agravos à saúde do trabalhador que se associam à  própria organização do processo de trabalho</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: .05pt" lang="PT-BR">.</span></font></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Carmo  (2000) já enfatizava os riscos à saúde dos trabalhadores que atuam na empresa  produtora de alumínio, posto que, encontram-se expostos a uma variedade de  agentes agressivos: físicos (como exposição a altas temperaturas), químicos  (pela utilização de diversas substâncias químicas no processo como o coque,  piche, fluoreto de alumínio, entre outros), além dos riscos mecânicos (presentes  em tarefas que exigem grande esforço físico).</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Com um  processo produtivo que traz em seu bojo inúmeros riscos, a questão da Segurança  e Saúde Ocupacional é apresentada pela empresa como um dos pilares de sua  Política de Gestão, encontrando-se presente, portanto, na própria missão da  instituição, qual seja, </font></span> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Produzir e entregar alumínio aos clientes, no mais alto padrão de qualidade e  nos prazos estabelecidos, otimizando o uso de seus ativos, </font></span> <font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> operando com segurança, preservando o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores</span></i><b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span></b></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> <font size="2">(grifo nosso), apoiando o desenvolvimento sustentável das  comunidades e buscando o desenvolvimento dos fornecedores e a satisfação de seus  empregados e acionistas (Albras, 2007).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Seu  modelo de gestão empresarial está pautado na Gestão da Qualidade Total  envolvendo todas as áreas da empresa e fundamentando-se em ações como  autogerenciamento por parte do empregado, análises críticas de lideranças,  auditorias, aprendizado organizacional, aperfeiçoamento dos padrões de trabalho  e das práticas de gestão de forma contínua e inovadora (Albras, 2008).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Desta  feita, o modelo de Gestão em Segurança e Saúde Ocupacional nessa empresa, de  acordo com Piza (2001), passa a basear-se nos mesmos critérios da gestão de  qualidade, merecendo destaque: liderança, definindo responsabilidades dos  líderes (diretores, gerentes, etc.) e estabelecendo que todas as diretrizes  emanem da mais alta administração, inclusive a necessidade de diagnósticos;  processos, e de acordo com as determinações desse critério, quando desvios ou  anomalias são identificados (entendidos como desvios de processo) devem ser  eliminados de forma que não prejudiquem o desenvolvimento harmonioso das  atividades, que por sua vez, baseiam-se em normas e procedimentos padronizados;  tecnologia, aspecto que aponta que para cada processo ou para cada resultado  deve-se selecionar no mercado, ou em outro local quando houver padrões de  referência; pessoas, para a consolidação do modelo de gestão em Segurança e  Saúde Ocupacional, torna-se fundamental o comprometimento das pessoas que busca  ser alcançado através de programas que promovem a participação e o  comprometimento como os CCQ’s e o 5S<sup>6</sup>. A isso se acrescenta a  Participação de Resultados (PR) quando do atendimento dos critérios  estabelecidos, dos quais enfatizamos os relacionados à segurança e saúde no  trabalho. Assim, todos estes instrumentos atuam para garantir a motivação  necessária para que as metas sejam alcançadas e superadas.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Harvey  (2008) aponta que a transformação político-econômica resultante da crise  sistêmica do capitalismo, no final do século XX, evoca um momento de transição  no regime de acumulação e no modo de regulamentação social e política a ele  relacionada.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O novo  regime de acumulação denominado acumulação flexível, apoia-se na flexibilidade  dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de  consumo, surgindo em confronto direto com a rigidez da organização do trabalho  fordista. Se o sistema fordista ampliou-se no decorrer do longo ciclo de  desenvolvimento econômico do capitalismo, garantindo a produção em massa para  mercados em expansão, o mesmo não se pode afirmar do mundo da produção na ótica  da acumulação flexível. A crise econômica do fim dos anos sessenta e início dos  anos setenta do século XX, levando o mundo a uma profunda recessão, apontava  para um quadro de enfraquecimento da demanda, saturação dos mercados, aumento da  competitividade, elevação das taxas de desemprego, entre outros. </font></span> </p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Foi  neste cenário, que se propagou o sistema de organização de trabalho toyotista  que, a partir da mundialização do capital, assume contornos universais. Para  Alves (2007), o toyotismo é o verdadeiro espírito da reestruturação produtiva  que decorre da crise estrutural do capital nos anos setenta.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Dentre  as marcas do toyotismo, o autor salienta, entre outros aspectos, os diversos  tipos de Programas de Gerenciamento pela Qualidade Total, a terceirização,  constituindo em torno da firma central uma série de empreendimentos  subcontratados; a organização da produção em grupos de trabalho (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">team  work</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">);  as novas técnicas de manipulação gerencial que cobiçam os valores dos  trabalhadores, suas crenças, sua interioridade, sua personalidade.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Heloani (2003) enfatiza que o TQC, ou como o conhecemos, controle de qualidade  total, é uma das teorias que melhor utilizaram a ideia do aproveitamento das  qualidades pessoais para a esfera da produção. Desta feita, a peculiaridade do  modelo japonês não seria a inovação tecnológica, mas uma nova forma de  administrar pessoas e grupos de trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Neste  sentido, segundo o autor, é importante considerar dois aspectos. O primeiro, na  via japonesa, ocorre a desespecialização dos trabalhadores para transformá-los  em trabalhadores polivalentes ou multifuncionais. A ação de racionalização do  trabalho objetiva aumentar a intensidade do trabalho ao mesmo tempo em que  diminui o saber complexo do operário sobre sua atividade, limitando seus poderes  sobre a produção.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  segundo aspecto, os Programas de Qualidade Total, no intuito de reorientar as  pessoas e unidades da fábrica em prol da qualidade do produto, modelam o  comportamento dos trabalhadores, gerando comprometimento dos mesmos com a  empresa e o produto, otimizando a qualidade e a produtividade.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  modelo toyotista que se desenvolveu na sociedade japonesa trouxe a marca da  cultura daquele país. Portanto, a implantação de princípios do modelo toyotista,  em nosso país, tem se dado desconsiderando-se a diversidade da cultura local o  que possibilita choques culturais na construção de culturas organizacionais nas  empresas. Percebe-se que no processo de reestruturação produtiva, configura-se a  necessidade de criar/recriar a cultura organizacional a partir de novos  princípios, valores que passam a ser compartilhados por todos os integrantes da  organização. Do mesmo modo, modificam-se as relações de poder, que passam a ser  encobertas pelo discurso da necessidade de cooperação entre o trabalhador e a  empresa no intuito de garantir a produtividade e a qualidade.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  trabalho de Carmo (2000) revela que a implantação do Programa de Qualidade Total  na empresa foi se dando não sem conflitos ou mesmo resistências, passando por  várias fases e atingindo de modo peculiar os diferentes setores da empresa.  Outras experiências vividas em práticas sociais distintas demarcaram a  necessidade de reconstrução de uma cultura de trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Segundo o autor, na empresa, os trabalhadores da produção expressavam  ironicamente as dificuldades em assimilar o novo modelo utilizando a expressão  «Tem que ser» em referência ao TQC. Muitas vezes, o TQC era associado à maior  carga de trabalho e à cobrança das chefias.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Utilizando-nos da concepção dejouriana de organização do trabalho, salientamos  alguns aspectos da reestruturação produtiva vivida pela empresa estudada que  impactam no modo como o trabalho se organiza e como é feita a gestão da  segurança e saúde ocupacional, a partir da perspectiva da subjetividade dos  trabalhadores.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Relatos de ex-operadores e operadores da empresa referem que devido às mudanças  tecnológicas, ocorreu a redução no quadro de trabalhadores ao longo do tempo,  gerando sobrecarga de trabalho –que se alia ao aumento da pressão pela  produtividade, como se observa nas falas a seguir:&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="ES-TRAD"> <font size="2">Antigamente eu peguei muito pior do que hoje que era muito mais  pesado, muito mais cansativo, apesar de ter mais gente, mas era muito mais  cansativo. […] Maquinário. Porque nós tínhamos... porque a nossa função era  produzir alumínio líquido... só que em virtude do processo lá, gerava o que a  gente chama de carvão, gerava impurezas que teria que ser retirada do forno. Na  época era com uma... a gente chamava de escumadeira, só que muito pesada, tinha  que ser no braço e muitas das vezes a gente fazia sozinho porque não tinha  parceiro para ajudar. Depois passou a ser utilizado o papa-lamas que melhorou,  realmente melhorou muito, mas ainda continua pesado o serviço. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="ES-TRAD">Antônio  Carlos</span></i><sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="ES-TRAD">7</span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="ES-TRAD">,</span><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="ES-TRAD">  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: -.05pt" lang="ES-TRAD"><font size="2">).</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Isso  porque em 98 foi desmembrada uma equipe e ficaram duas equipes em cada  chumbamento, aí isso daí sobrecarregou a gente demais. Quer dizer, na minha  equipe, quando eu entrei, éramos 26 pessoas, o gerente e o encarregado, né...  líder de equipe, eram 26 pessoas, mecânico e tudo o mais. Depois ficamos em  torno de 12, no apoio e tudo o mais. Aí, quer dizer, que sobrecarregou muito. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Francisco,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Sim,  teve uma redução de pessoas. Mudou o quê? A cobrança, muita cobrança. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Sérgio,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">Neste cenário de  mudanças, destacamos no que tange às tarefas executadas pelos trabalhadores a  distância entre o trabalho prescrito e o trabalho real<sup>8</sup> como uma  característica da própria gestão da segurança e da saúde ocupacional, se não  vejamos,</span></font></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Aí  eu digo assim pra você: tem que pegar a tampa com os dois braços. Sim, é o certo,  mas se você fizer do jeito que eles querem, do PRO<sup>9</sup>, você não  consegue terminar o seu trabalho. É como eu digo pra você, a pendência continua  no trabalho, desse problema. […] Não é compatível. Aí quer dizer, você faz  certas coisas que não é pra você fazer. Aí quer dizer, você quer adiantar aí  posso falar pra você, aí lá você se acidenta. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Sérgio,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).&nbsp;</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Muitas vezes o operário é obrigado a fazer uma operação, ele sabe que é um risco  muito grande... a pressão é tão grande... dos gerentes operacionais, dos  gerentes de área que quer que aquela operação seja feita que ele acaba se  arriscando... muitas vezes ele se acidenta e aí não adianta —Eu fiz porque ele  me obrigou. —Não, você não é criança. Você não conhece as normas da empresa? […]  Então, é uma pressão psicológica muito grande hoje que impacta sobre a saúde do  trabalhador e essa pressão acaba fazendo com que ele «perca as estribeiras», não  pense direito e acabe provocando um acidente que às vezes pode ser um acidente  bobo ou um acidente muito grande. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Paulo,  ex-operador, sindicalista</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Eles  passam a mensagem realmente para você em um momento lá que qualquer material,  qualquer equipamento, qualquer problema que pode levar a risco de acidente, pode  encostar. Isso funciona mesmo. Olha é proibido sair com o veículo sem freio —Olha,  está sem freio aqui —Tá, vou chamar o mecânico. Passa meia hora, uma hora —Olha,  ele está em uma emergência pra lá, vai demorar um pouco. Aí sabe que tu faz? Tu  vai fazer, porque se tu não faz vem um outro do teu turno com o mesmo problema e  faz tudinho. Aí o que acontece, vão falar: Olha, o cara não quis fazer, ficou  enrolando lá, ele é preguiçoso. Aí são umas coisas aí que levam... uma coisa  puxa a outra. […] Fica mal visto. Aí o próprio gerente vem, a gente percebe —Olha,  está sem freio há dois dias e o pessoal que estava nem trocou anodo, nem  abasteceu, nem nada, não fez nada. Aquilo volta pra ti, aí você já fica... um  negócio meio complicado. Às vezes você não sabe o que tu faz. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Rodrigo,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Assim,  diante de situações imprevistas ou naquelas em que haja necessidade de  intensificar a produção, as normas de segurança são colocadas em segundo plano  com a anuência velada de gestores e mesmo dos companheiros de trabalho. O  trabalhador é colocado diante de um «dilema ético», de fazer o que não está  prescrito. Compreendendo-se o prescrito como o correto, ocasionando tomadas de  decisão capazes de gerar sofrimento psíquico. Na análise elaborada por Dejours  (2007a) os trabalhadores são levados, de modo sutil, ao não cumprimento de  regras induzidos pelos gestores e pelos próprios colegas de trabalho no intuito  de garantir a produtividade, em algumas situações trazendo risco à segurança  individual e mesmo coletiva.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Outro  aspecto relevante diz respeito ao discurso culpabilizador do trabalhador quando  ocorre um acidente de trabalho, utilizado pela empresa e introjetado pelos  próprios trabalhadores, configurando-se como um traço da cultura da segurança  nessa organização, como se pode notar na sequência,</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Geralmente, 99 por cento dificilmente assume que o acidente adveio de uma falha  da empresa. Geralmente... passei muita análise de acidente, os técnicos já vão  com essa ideia. Só acusar. […] Mas geralmente é isso, a falha, geralmente eles  preferem atribuir ao funcionário. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Antônio  Carlos, operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Um  acidente eu acredito que tenha vários motivos. Um exemplo, se você está muito  cansado, com sono, isso pode te levar a um vacilo e outra, sempre é a pressa.  Então, eu acredito que seja um pouco assim de atenção do próprio operador. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Rodrigo,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Ao  focar a análise do acidente de trabalho sobre o comportamento do trabalhador, a  empresa desconsidera outras possíveis causas para sua ocorrência, por exemplo,  más condições de equipamentos e maquinários ou mesmo a pressão por maior  produtividade. Ainda, atribuído o «erro» do trabalhador à causa do acidente, ele  pode ser punido com advertência, e em casos extremos, demitido, como salientado  nos relatos abaixo:&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">E  quando tá pegando lá, as pendências?<sup>10</sup> Uma farsa, eu não vi nada, eu  não sei de nada. A gente chega e arrebenta. É como eu digo pra você, a gente faz  tudo ao contrário. […] Faz vista grossa. Aí quando está tudo bem que vê o  operador fazendo uma coisa que fugiu do procedimento, você leva gancho. É muito  injusto, né. Porque como eu falo assim pra você, a empresa implanta uma coisa,  mas não se vê. […] Por causa... devido o acidente que você se acometeu você vai  ter que falar para o seu GO (Gerente Operacional) e o GO vai passar, aí vai ter  que analisar. E quando você se senta naquela mesa você se sente constrangido de  tanta pressão que você pega, de tanta coisa que você vai ouvir lá. Não é verdade?  E no final se você está errado você vai pegar um gancho, você pode ser até  demitido. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Sérgio,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  culpabilização do trabalhador se sustenta na concepção de «ato inseguro»  utilizada pelos profissionais da segurança, manifestando relações assimétricas  de poder em que o conhecimento do técnico ou do engenheiro de segurança que  referenda a tomada de decisão dos gestores se sobrepõem ao conhecimento do  trabalhador.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Percebe-se uma oscilação no discurso dos trabalhadores entre atribuir culpa,  considerando como causa do acidente de trabalho, a falta de atenção ou a  autoconfiança dos próprios operadores; e o sentimento de injustiça e impotência  diante desta situação de culpabilização, demonstrando que os mesmos não  conseguem assumir nessa organização o lugar de protagonistas na gestão de sua  segurança e saúde.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Contrariamente, ao introjetar o valor daquele que «veste a camisa», engajado e  comprometido com a produção, capaz de assumir cada vez mais responsabilidades, o  trabalhador reproduz o que dele é esperado, enfrenta os riscos que o trabalho  apresenta. A seguir destacamos fragmentos de experiências vivenciadas por  operadores e ex-operadores da empresa estudada, em que o caso de Francisco  apresenta-se como emblemático do aspecto do engajamento do trabalhador que  buscamos ressaltar.&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Trabalho, Acidentamento e Adoecimento: trajetória de vidas interrompidas</font></span></b></p>     <p style="text-indent: 0cm; line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  partir do relato de três trabalhadores sobre suas trajetórias, estabelecem-se  relações entre a organização do trabalho, situações de acidentamento/adoecimento  e o sofrimento psíquico manifesto por eles.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Carlos, 40 anos, trabalhou na empresa por sete anos. Em 1990, sofreu acidente de  trabalho com lesão no joelho dentro da área de operação. Foi encaminhado para o  ambulatório médico da empresa, medicado e afastado das atividades. Relaciona o  período do acidente com duas situações vivenciadas pela empresa naquele momento:  o blecaute (interrupção do fornecimento de energia elétrica), que colocou em  risco o maquinário, afetando ainda a produção; e a greve, que impediu a entrada  e saída de trabalhadores na troca de turnos. Após o blecaute, os trabalhadores  foram convocados a virar turnos e na greve quem estava dentro não pode sair.  Este trabalhador então nos diz: «aí a gente tava no trabalho direto, cansado,  com sono, porque você dormir dentro de uma redução com o barulho, você não  descansa.» (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">Carlos,  ex-operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Apesar  das mudanças na organização do trabalho tanto no decorrer do blecaute quanto da  greve, implicando exaustivas jornadas de trabalho com sobrecarga e do registro  do técnico de segurança sobre o acidente de trabalho; no ato do atendimento  ambulatorial da empresa, o médico afirmou ao trabalhador que a causa da sua  lesão não era o acidente e sim o jogo de bola que participava nos momentos de  lazer, não realizando desta feita a emissão da CAT. Salientamos ainda que no  Relatório de Acidente de Trabalho realizado pelo técnico de segurança, o  acidente foi caracterizado como potencialmente grave e apesar da constatação do  ruído excessivo do ambiente e de «certa fadiga» manifestada pelo trabalhador  associada à falta de descanso, dentre as causas para sua ocorrência, é  enfatizado o «ato inseguro». Conclui o relatório pela realização do procedimento  de forma incorreta pelo trabalhador.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Após o  acidente, sucederam-se vários afastamentos de Carlos para tratamentos médicos e  retornos sem acompanhamento para a mesma atividade de trabalho, que culminaram  com a oferta da empresa para que o trabalhador integrasse o Plano de Demissão  Voluntária-PDV o que foi aceito.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> &nbsp;Francisco, 43 anos, ingressou na empresa em 1994, atualmente encontra-se  afastado para tratamento de saúde, recebendo auxílio-doença do INSS. Em 1996, ao  sentir fortes dores na coluna recebeu o diagnóstico de hérnia discal. Para o  tratamento médico, necessitou algumas vezes se afastar do trabalho e quando  retornava, contudo, sempre cumpria as mesmas funções que o obrigavam, muitas  vezes, a carregar peso. Afirma ter executado diversas atividades de trabalho  implicando esforço físico, bem como dedicação extremada à empresa, como  relatado, «Não tinha muito descanso nas minhas folgas. Às vezes estava me  preparando pra ir pra praia, a Kombi encostava: ‘Olha, problema no britador’, ‘É  rápido’. Quando chegava lá o problema era maior, aí passava o dia todinho. Aí já  era.» (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">Francisco,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Para  Francisco, o elevado grau de comprometimento com a empresa lhe permitiu galgar  novas funções, ao mesmo tempo trouxe grande sobrecarga de trabalho, o que  ocasionou grave adoecimento. As limitações de vida impostas pelo adoecimento  impactaram na sua saúde mental, levando-o à depressão. Ao relacionar o seu  adoecimento à atividade desempenhada, o trabalhador não obteve o reconhecimento  pela empresa de tal relação, o que fez com que buscasse orientação junto à  ADRVDT no intuito de conseguir o preenchimento da CAT.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Jorge,  34 anos, iniciou na empresa no ano de 2002 e em 2008 foi demitido. Refere  adoecimento que recebeu o diagnóstico de hérnia de disco o qual relaciona ao  esforço físico que realizava na fábrica. No primeiro momento, sentiu fortes  dores no local de trabalho quando no desempenho de suas tarefas, mas mesmo assim  continuou trabalhando e fazendo uso de medicação para aliviar a dor. Em 2005, o  quadro se agravou ao desempenhar tarefa que envolvia carregamento de peso, diz  ter ficado «travado», sendo removido do local de trabalho ao hospital de  ambulância. Foi afastado do trabalho para tratamento médico. De posse de laudo  médico sugerindo reabilitação com mudança de atividade laboral, retornou a mesma  função. A orientação da médica da empresa foi que deveria desempenhar atividades  evitando maquinário que ocasionasse vibração. Em 2008, novamente necessitou de  afastamento médico, no seu retorno trabalhou alguns dias na mesma função e no  final de um dia de expediente lhe foi comunicada a sua demissão. No momento lhe  foi dito que deveria olhar para dentro de si, pois não estava cumprindo com o  que era exigido pela empresa: comprometimento, honestidade, competência. Relata  que sempre desempenhou o seu trabalho, nunca se «encostou» nos colegas, nunca  desrespeitou ninguém e que com dez meses de empresa foi promovido por bom  desempenho. Mesmo quando questionou que ainda se encontrava em tratamento  médico, a demissão foi mantida. Procurou a ADRVDT para orientação e apoio na  busca da garantia de seus direitos trabalhistas.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Os  relatos dos trabalhadores, aqui sintetizados, referem-se a trajetórias de vida e  trabalho particulares, mas permitem a reflexão sobre alguns elementos comuns, a  percepção dos trabalhadores de que o reconhecimento pelo trabalho não mais é  realizado pela empresa a partir do momento em que adoecem e, ainda, a conduta da  empresa frente ao adoecimento dos seus empregados. Este cenário apresenta-se  como fator gerador do sofrimento deles.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Pautada em forte marketing interno e externo, a empresa constrói ações para  garantir a autopromoção, visando certa exclusividade e transmitindo aos  funcionários a ideia de uma organização de renome, a melhor da região (Carmo,  2000). Segundo esse marketing, trabalhar nessa empresa é um privilégio, devendo  o trabalhador se sentir orgulhoso de fazer parte dela. Portanto, ela assume para  o empregado o status de lugar ideal para trabalhar, o lugar da oportunidade, que  viabiliza os sonhos e projetos de vida.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Entretanto, para os trabalhadores adoecidos, a trajetória trilhada na empresa  suscita sentimentos de inutilidade e abandono, como se observa a seguir:&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Qual  serviço social que a empresa presta para a comunidade? Para os próprios ex-funcionários  dela que foram vitimados por doença, sequelados? Nenhum. Então eu não tenho  assim saudade nenhuma […] se eu soubesse o que iria acontecer comigo, eu jamais  teria entrado e jamais hoje em dia deixo um filho meu entrar em uma empresa  dessas, principalmente redução... eu acho que nenhum do processo da Vale. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Carlos,  ex-operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Foi  uma tragédia em cima disso tudo que aconteceu. Imagine que eu pensei em ir pra  empresa pra melhorar, pra estudar e não foi bem isso que aconteceu comigo. […] A  minha saúde que eu tinha foi muito anterior a esse acidente […] A minha esposa  chegou a um ponto de dizer que não tava agüentando mais isso tudo, porque a  gente tinha uma vida: A gente podia sair, podia ir pra Salinas, podia se  divertir, podia ir pra outra praia, agora é tudo difícil, eu não consigo (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Francisco,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">Eu  fiquei muito triste com a empresa pela falta de apoio que eu tive... Porque eu  fiquei aqui sem andar, sai daqui sem andar, fui levado pro hospital, chequei no  hospital só me colocaram numa cadeira de roda, só deram, passaram os dados lá  pro hospital e foram embora. Desde essa hora, ninguém ligou pra mim, ninguém  quis saber de mim e eu passei 90 dias e o gerente nem sequer dizer: «Ei, morreu?»,  nem perguntou... […] Então, quer dizer, qual a empresa que tem psicólogo, tem  assistente social, tem tantos médicos que ela diz... e vem cá, é tão caro uma  ligação? É tão difícil você ver o lado do funcionário? Quer dizer,... olha, eu  fiquei lá, o gerente não ligou, assistente social não ligou... nada. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Jorge,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Subjetivamente, o adoecimento aparece para o trabalhador como tragédia, pois  interrompe a trajetória da vida profissional e pessoal. Para além do sofrimento  gerado pelo próprio estigma do adoecimento, o sofrimento psíquico resulta de uma  relação com a organização do trabalho adoecedora, posto que, ao adoecer é a  dimensão do reconhecimento da empresa pelo engajamento do trabalhador que está  em jogo, colocando em xeque o ser trabalhador, aquele que, pelo trabalho,  dedicou-se e sonhou com uma vida melhor, como interpretado do depoimento que se  segue,&nbsp;</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Tenho dificuldade e as dores são muito constantes. Eu só vivo a peso de remédio.  A minha vida mudou. Mudou completamente. Eu tenho que andar com muletas, com  apoio, mudou toda a minha vida. Eu sinto dores direto, dores nas pernas, dores  na lombar, na cervical, dores de cabeça... eu tenho insônia direto, tenho que  fazer tratamento psiquiátrico, psicológico, tá. E tudo isso veio se acarretando,  fora os problemas dentro da empresa que causaram pra mim, que os advogados da  empresa fizeram contra mim: levantaram um processo pra cima de mim. Eu fiquei  mais traumatizado porque eu não esperava isso da empresa. Um monte de mentiras  sobre minha pessoa e não foi isso que eu fiz pela empresa. Esse é o ganho que a  gente tem, que a gente tem por ter feito, por fazer por uma empresa melhorar a  qualidade de vida de seus funcionários, a sua produção? Isso é o ganho que a  gente recebe? Não é isso que é pra acontecer. (</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Francisco,  operador</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">).</font></span><b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">&nbsp;</font></span></b></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Por  sua vez, o discurso organizacional procura evidenciar os investimentos em  segurança e saúde, amplamente divulgados entre o público interno e externo. Como  afirma Siqueira (2009: 213-214), constrói-se a imagem de uma empresa de fato  preocupada com seus funcionários, o que a coloca no plano discursivo, como local  atrativo, o melhor lugar para se trabalhar. O indivíduo, então, começa a  valorizar os benefícios que a empresa coloca a sua disposição, mesmo que a  concessão feita se configure muito mais rentável à organização do que a si  mesmo, o que favorece o ocultamento dos mecanismos de dominação que ao sujeito  são impostos (Siqueira, 2009).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Este  discurso se contrapõe às vivências de adoecimento relacionadas ao trabalho,  enfrentados pelos trabalhadores ao longo do tempo. Entre os trabalhadores  entrevistados que adoeceram na relação com o trabalho, identificamos queixas  mais frequentemente associadas ao que Dejours (2007b) denomina de patologias de  sobrecarga e patologias de assédio.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">É  notória a negação pela empresa da relação entre trabalho e adoecimento dos seus  empregados, bem como, a capacidade de escamotear a ocorrência de acidentes de  trabalho típicos que geram patologias, como se observa nas trajetórias de  Carlos, Francisco e Jorge. Trabalhadores que relatam episódios pontuais  ocorridos no trabalho como traumatismos ao executar dada tarefa associados a  quadro de posterior adoecimento.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Como  nega a relação entre adoecimento e trabalho, a empresa se furta emitir a CAT,  apesar do acidente de trabalho ser de notificação compulsória. Assim foi o que  ocorreu com Carlos e Francisco. Para esses trabalhadores, a emissão do documento  foi realizada pelo órgão público que hoje recebe a denominação de Centro de  Referência em Saúde do Trabalhador Regional Belém (Cerest Bel).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">No  caso da empresa estudada, o plano de saúde privado oferecido aos empregados  constitui-se como mais um entrave para o registro dos acidentes. O atendimento  realizado por hospitais, clínicas e médicos particulares padece de falta de  fiscalização dos órgãos públicos em escala mais acentuada do que o serviço  público, assim não são obrigados a cumprir o seu papel. Indiferente à  legislação, o espaço privado como propriedade privada torna-se, muitas vezes,  inescrutável à ação pública.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  ausência de um aparato estatal equipado de modo suficiente a cobrir de modo  extenso a fiscalização em referência ao cumprimento da legislação seria outro  fator a contribuir para o quadro de subnotificação. Assim, uma sociedade em que  grande parte da população desconhece seus direitos, apresenta-se menos  combativa, delegando funções às instâncias públicas, incapazes de dar respostas.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  notificação de acidente é um importante instrumento para gerar conhecimentos  sobre as realidades locais. A partir dela é possível a tomada de decisões  técnico-políticas no campo do trabalho pelas instituições concernidas. A  subnotificação constitui um obstáculo para construir políticas públicas. Desta  feita, é válido o questionamento: a quem interessa a subnotificação dos  acidentes de trabalho?</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Para  melhor compreender esta questão, parte-se do princípio de que o acidente de  trabalho traz prejuízos para o trabalhador, à empresa, ao Estado e à sociedade.  Sem dúvida, o trabalhador acidentado é a maior vítima, não só pelas lesões  físicas decorrentes, mas por consequências psíquicas associadas à discriminação  enfrentada pelo afastamento do trabalho, os prejuízos na autoestima, o medo do  desemprego, o desenvolvimento de patologias irreversíveis, a dificuldades de  readaptar-se a uma nova função, entre outros aspectos. A empresa que tem seu  trabalhador afastado, às vezes, por longos períodos, pode sofrer consequências  como queda na produtividade e na motivação de seus empregados, além de arcar com  alíquotas maiores pagas ao Estado em referência aos acidentes de trabalho que  gera. O Estado, através da previdência social, arca com os custos do afastamento  do trabalhador, paga o benefício que lhe é devido, assim como, garante sua  reabilitação. A sociedade, por pagar impostos cada vez mais onerosos para  sustentar o sistema, além de sofrer o impacto do conjunto de mazelas sociais  resultantes do acidente de trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Por  outro lado, os riscos à segurança e saúde do trabalhador escondem-se atrás da  subnotificação e tornam a empresa imune à ação do Estado e da sociedade, o que  favorece a manutenção de condições e organização do trabalho agressivas ao  trabalhador.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Por  sua vez, o afastamento de trabalhadores por invalidez denuncia um processo de  trabalho adoecedor e por esse motivo, a empresa lança mão de estratégias, planos  de demissão voluntária ou mesmo da demissão sumária, para descartar-se do  trabalhador doente e, portanto, não produtivo, como identificado nos relatos  aqui apresentados. Sob uma produção e um discurso que se guia pela lógica da  qualidade, a empresa desqualifica o trabalhador doente, cujas práticas de  ausência de reconhecimento do trabalho se fazem sentir, gerando sofrimento.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  ideário da gestão pela qualidade total é construído no bojo das mudanças sociais  mais amplas pautadas na lógica da racionalidade econômica que compreende o  utilitarismo como mola propulsora das relações entre as pessoas e destas com  todas as coisas. Acidentado ou adoecido o sujeito não produz, deixa de ser  trabalhador e perde sua função para a organização.&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Considerações Finais</font></span></b></p>     <p style="text-indent: 0cm; line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">As  mudanças econômico-sociais que ganharam corpo nos últimos 40 anos para responder  à crise e à saturação dos mercados refletem-se nas empresas que adotaram assim  um novo modelo produtivo que se caracterizou pela redução do número de  trabalhadores diretos, pela ampliação dos contratos de terceirização, gerando,  ainda, redução de níveis hierárquicos, demanda pelo trabalho em equipe e por um  trabalhador mais qualificado, pressão por maior produtividade, entre outras  questões.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Estas  mudanças trouxeram internamente um conjunto de novas normas e valores que  configuraram traços ideológicos específicos inseridos no mundo empresarial,  portanto, no mundo do trabalho, denominados por Boltanski e Chiapello (2009)  como o novo espírito do capitalismo. Seu intuito assume dupla finalidade  –abarcar novos métodos para a obtenção de lucros e melhorar o desempenho das  organizações, assim como, apresenta uma faceta de caráter moral e normativo,  que, segundo os autores, é capaz de revelar como as novas estratégias de  obtenção de lucros podem ser atraentes, estimulantes, inovadoras ou meritórias.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">Empresas que  enfrentaram processos de reestruturação produtiva perceberam a necessidade de  promover mudanças nas suas culturas organizacionais, capazes de gerar mudanças  de atitudes e de comportamento nos agentes da produção e gestão. Tecnicamente,  modelos de gestão pautados na qualidade total foram introduzidos nas  organizações e mesmo com resistências, comuns aos processos de mudança, foram  capazes de imputar um novo discurso. Inverte-se o paradigma de gestão –do  taylorismo, cujo controle é externo e se fundamenta no cerceamento de tempos e  movimentos–, aos quais se submetem os trabalhadores em troca de ganhos  monetários </span> <span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: .05pt" lang="PT-BR"> por </span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">produção  para a lógica toyotist</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif; letter-spacing: .05pt" lang="PT-BR">a.  A cooptação da subjetivi</span></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">dade  do trabalhador, inserido na nova cultura organizacional, permite a ele a  realização da autogestão da sua tarefa e de autocontrole frente às necessidades  organizacionais.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  empresa estudada passou pelo processo de reestruturação produtiva, reduziu de  modo expressivo seu quadro funcional, terceirizou serviços, introduziu inovações  tecnológicas e modificou o processo produtivo e a organização do trabalho. As  consequências para os trabalhadores têm sido perversas. Eles vêm enfrentando a  precarização do trabalho com perdas de conquistas trabalhistas, perda do poder  aquisitivo, intensificação de jornadas de trabalho, pressão por produção, a  inexistência de ações eficazes na promoção de sua segurança e saúde no trabalho,  desemprego, entre outros.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Diante  da degradação das relações e condições de trabalho, notadamente se evidencia a  sujeição dos trabalhadores, sugerindo uma espécie de consensualidade, garantindo  o engajamento e comprometimento deles com a organização. A cooptação da  subjetividade ocorre através de um discurso de valorização da pessoa, situação  há muito tempo desejada pelos trabalhadores. Através de uma perspectiva  individualizadora propõe-se o estímulo às competências, à autonomia, ao  crescimento pessoal e se evidencia para o sujeito, desta feita, o seu papel e  sua relevância para a empresa. Objetiva-se fazer com que o empregado se sinta  ator e aliado da empresa (Linhart, 2007).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">De  outra feita, o desemprego estrutural se configura como elemento para a emulação  pelo medo. O trabalhador a tudo se submete pelo temor de perder o emprego. A  gestão, subliminarmente ou não, utiliza-se deste fato para garantir a cooperação  de seus subordinados, para os quais o que está em jogo é a estrita lógica  individual de sobrevivência.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Ainda,  a liberdade, autonomia, criatividade casam-se com a atribuição de maiores  responsabilidades, ou melhor, é uma autonomia e liberdade vigiadas que não  permitem margem para as tomadas de decisão de fato importantes e as quais se  sobrepõem maiores responsabilidades. Para Linhart (2007), torna-se improvável  que, neste contexto, estabeleçam-se de fato relações de confiança entre os  integrantes da organização.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Influenciada pelo processo de reestruturação produtiva e adotando o sistema de  gestão pautado na qualidade total, a empresa reorganiza seu processo produtivo,  provocando mudanças na organização do trabalho. No âmbito da gestão da segurança  e da saúde ocupacional, observa-se esta orientação pela adoção dos princípios da  gestão da qualidade total. A ênfase nos processos aponta para atividades que  devem ser executadas pautadas em regras e normas da empresa, de modo que as não  conformidades devem ser eliminadas. Outra característica é a valorização das  lideranças das quais emanam as diretrizes que norteiam todas as ações, bem como,  o papel dos gestores, entendidos como catalisadores, mobilizadores das equipes,  que conduzem os trabalhadores à assimilação dos valores da cultura  organizacional. Por sua vez, a utilização de tecnologia deve buscar no mercado  padrões de referência para a melhoria de processos, condições de trabalho e  proteção ao meio-ambiente. E por fim, a concepção sobre a importância do  comprometimento das pessoas para que possam ser alcançadas as metas estipuladas  pela empresa.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Desta  maneira, o paradigma da saúde ocupacional se coaduna ao modelo de gestão pautado  na qualidade total, como se observa na concepção de que a prevenção se faz a  partir do cumprimento de regras e prescrições, definidas em última instância  pelo</font></span><font size="2"><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">  staff </span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> gerencial e pelo corpo técnico,</span><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> </span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> <font size="2">excluindo os trabalhadores das tomadas de decisão sobre questões  referentes à sua segurança e saúde no trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  acidente de trabalho, por sua vez, é entendido pela empresa como resultado de  uma não conformidade, do não cumprimento do prescrito em termos de segurança.  Concepção que se aproxima da ênfase na segurança como fruto do comportamento  consciente do trabalhador, ao qual cabe cumprir as regras que lhe foram  transmitidas, ao mesmo tempo em que reafirma a ideologia da responsabilização,  conceito cunhado por Neves (2009), que se expressa no entendimento de ato  inseguro como causa do acidente.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional sob o pilar da qualidade total, ao se  ater sobre o ambiente do trabalho e o controle de seus riscos desconsidera a  organização do trabalho no que ela apresenta como traço mais marcante, ou seja,  resultar das relações sociais que os sujeitos estabelecem no e pelo trabalho.  Tais atos desembocam para uma consciência e comportamento individual. Todavia,  as relações atravessadas pelo poder, pelo conflito, pela competição, são ao  mesmo tempo capazes de ser expressão da cooperação e da solidariedade.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  discurso da gestão pela qualidade fortalece o paradigma da Saúde Ocupacional,  desconsiderando a dimensão do coletivo na compreensão e nas ações no campo da  segurança e saúde do trabalhador. Nesta medida, a Teoria da Psicodinâmica do  Trabalho traz contribuições ao focar a dimensão da subjetividade que se forja a  partir das relações sociais estabelecidas no trabalho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  sofrimento dos trabalhadores adoecidos se associa ao modo como a organização do  trabalho se configura na empresa. As mudanças decorrentes do processo de  reestruturação produtiva ocasionando a redução do quadro de trabalhadores  diretos, o aumento no número de trabalhadores terceirizados, a intensificação da  jornada de trabalho constituem-se em cenário que aponta para discrepâncias entre  o «trabalho prescrito» e o «trabalho real». No âmbito da segurança e saúde do  trabalhador revelam-se esses efeitos.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  sobrecarga da jornada diária, o aumento da pressão por produção e as prescrições  que não condizem com a realidade de trabalho levam o trabalhador a superar as  adversidades da sua atividade laboral, muitas vezes passando por cima das normas  e regras de segurança, no intuito de atingir as metas de produção. O não  cumprimento do prescrito em termos de segurança ou a omissão de um acidente  resultam em modalidades diversas de penalidades que se estendem desde  advertência verbal até os casos mais extremos, a demissão. O sofrimento surge  para o trabalhador quando se vê impossibilitado de lançar mão de sua </font> </span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">expertise </span></i> </font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> <font size="2">e vive a punição como não reconhecimento pelo seu trabalho, pelo  não engajamento e não envolvimento com a empresa.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Apesar  de todo o discurso sobre autonomia, maior liberdade, possibilidade de  participação através de CIPA e CCQ’s, a Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional  da empresa é realizada por gestores e técnicos que, em última instância, detém o  conhecimento e o poder de decisão e de demissão, com nítida exclusão dos  trabalhadores.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">O  adoecimento em sua relação com o trabalho se evidencia quando já não é possível  para o trabalhador manter-se na linha produtiva. O sofrimento advindo do adoecer  não somente resulta da impossibilidade de trabalhar, mas é fruto da organização  do trabalho que revela um sentido estranho ao trabalhador. Quando adoecido não é  produtivo, deixa de ser trabalhador. O que também é vivenciado pelo sujeito como  falta de reconhecimento por sua dedicação e empenho.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">A  empresa investe em marketing interno e externo cuja tônica é autovalorização que  se sustenta no rol de certificações de qualidade. O discurso que enfatiza o  próprio valor da empresa ambiciona gerar nos trabalhadores o desejo de nela  trabalhar ou nela permanecer. O que se associa à necessidade de trabalho, mas  que a partir desta se amplia, pois ainda hoje trabalhar em uma grande empresa  significa adquirir um </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">status, </span></i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">e aqueles que o  conseguem,</span><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> </span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">passam a  compor uma espécie de elite</span><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> </span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"> <font size="2">operária do Estado. Entretanto, o cotidiano dos adoecidos reflete  a distância entre a empresa fetiche e o trabalho real suscitando nos  trabalhadores decepção, revolta e tristeza. O modelo abraçado contribui para a  negação dos acidentes de trabalho ou frente a sua obviedade, tende a  culpabilização do trabalhador que se vê à deriva de qualquer direito trabalhista  e frente à possibilidade de demissão.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Inacessível à sociedade como de fato é, amparada pela imagem auto construída, a  empresa se apresenta como expressão da possibilidade de desenvolvimento exitoso  para uma «região inóspita e sem tradição industrial», como afirmam seus  gestores. Ela serve como modelo de «empreendimento de sucesso para toda a  região» e para outras empresas pautadas no discurso da responsabilidade social.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Por  sua vez, a ação do Estado em que pese os avanços no âmbito da Saúde e em  especial da Saúde do Trabalhador apresenta muitas deficiências para garantir o  cumprimento da legislação. Minimamente, o Estado garante os direitos  previdenciários, de assistência e reabilitação, sem avançar nas políticas e  ações de prevenção.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Marx  demonstra como o homem na sociedade capitalista ao produzir coisas (mercadorias)  cria relações sociais coisificadas e é dominado pela própria mercadoria. Na sua  relação metabólica com a Natureza, o homem a transforma, mas ao mesmo tempo  transforma a si mesmo. No mercado, o capitalista compra tudo o que é necessário  a um processo de trabalho (meios de produção e força de trabalho), por isto a  força de trabalho deixa de pertencer ao trabalhador no momento que a vende para  o dono do capital, para tornar-se consumo do proprietário. Desta feita, o  processo de trabalho pode ser entendido como «um processo entre coisas que o  capitalista comprou, entre coisas que lhe pertencem» (Marx, 1983:154).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">No  final da década de sessenta, o estudo realizado por Berlinguer (1983) junto aos  trabalhadores italianos do setor fabril refere seus sentimentos de indignação e  raiva frente ao acidentamento/adoecimento. Ele mostra a consciência desses  trabalhadores de serem explorados pelo capital, retratando as bases do movimento  operário italiano.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Cinquenta anos depois, no contexto da reestruturação produtiva na Amazônia,  observou-se, em variadas situações, como os acidentes de trabalho são negados  pela organização, pelo Estado e muitas das vezes pelo próprio operário. O  acidentamento/adoecimento do trabalhador macula a imagem da empresa e revela a  fragilidade do seu discurso de «responsabilidade social»; traz ônus aos cofres  do Estado que cada vez mais devem pagar os benefícios e aposentadorias aos  acidentados e adoecidos, o que nem sempre ocorre, expondo de forma patente à  vulnerabilidade social do trabalhador. Mais que tudo, lança luzes sobre o embate  capital </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR">versus</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">  trabalho presente no espaço da produção e no seio da sociedade, ainda revela a  força de trabalho como mercadoria ou como peça da engrenagem do processo  produtivo, passível de reposição ao menor sinal de falha.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Por  outra via, voltando-se a dimensão subjetiva da relação do trabalhador com o seu  trabalho, o labor não suscita só uma experiência patológica, o sofrimento pode  ser o ponto de partida no intuito da ação sobre o mundo. Segundo Dejours  (2004:28) «o sofrimento é ao mesmo tempo, impressão subjetiva do mundo e origem  do movimento de conquista do mundo».</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2"> Revelar o sofrimento assumindo um compromisso com a verdade é a proposição da  Psicodinâmica do Trabalho, pois recusar o acesso ao drama vivenciado é negar a  possibilidade posterior de ação, o que contribui para a manutenção do sofrimento  (Dejours, 2004). A proposta deste autor tem por finalidade o significado das  condutas humanas e não expõe, diretamente, ações, pois elas devem ser de autoria  dos próprios trabalhadores.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="PT-BR"><font size="2">Para  Dejours (2004), não basta trocar o poder de mãos, haja vista, que isso não  resolve a questão do sofrimento; a complexidade e a racionalidade das  estratégias defensivas contra o sofrimento no trabalho são irredutíveis às  estratégias dos atores. Uma das questões fundamentais apresentadas pela  Psicodinâmica do Trabalho é a concepção de ação que só é racional se considerar  o papel da subjetividade no trabalho e dela se alimentar. A ação coletiva é  racional se tiver como objetivo não somente a luta contra a injustiça, mas a  busca da celebração da vida. Nas ações voltadas para a melhoria da organização  do trabalho incorpora-se, a luta por um trabalho digno, a luta pela saúde, a  luta pela vida.</font></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">&nbsp;</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2">NOTAS:</font></span></b></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">1</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  Norma de padrão internacional que propõe especificações para Sistemas de Gestão  em Segurança e Saúde Ocupacional.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">2</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  A CIST-Bel, atuando na esfera do controle social, é uma instância assessora do  Conselho Municipal de Saúde para assuntos no âmbito da saúde do trabalhador.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">3</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  De acordo com a legislação brasileira, o acidente de trabalho é todo aquele que  ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do  trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação  funcional, permanente ou temporária, que resulte em morte, perda ou redução de  capacidade para o trabalho. Ainda a doença profissional e a doença do trabalho  são consideradas acidentes de trabalho (ANUÁRIO ESTATÍSTICO DA PREVIDÊNCIA  SOCIAL, 2008).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">4</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  Comunicação de Acidente de Trabalho é um instrumento legal que permite medidas  não só do ponto de vista previdenciário, estatístico e epidemiológico, mas  também trabalhista e social.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">5</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  Durante o trabalho de pesquisa foram entrevistados 10 representantes da empresa.  Outros detalhes encontram-se na tese de doutorado: O Sofrimento Negado: Trabalho,  Saúde/Doença, Prazer e Sofrimento dos Trabalhadores do Alumínio do Pará-Brasil.  Universidade Federal do Pará, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Programa de  Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, Belém, 2011.</font></span></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">6</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  O método do 5S é uma ferramenta da Gestão da Qualidade Total que preconiza a  possibilidade de eliminar o desperdício a partir de campanhas para organizar o  ambiente de trabalho, arrumá-lo, conservá-lo, mantendo-o limpo. Está pautado em  cinco termos da língua japonesa: Seiri (liberação de áreas ou descarte), Seiton  (arrumação ou organização), Seiso (limpeza), Seiketsu (higiene, asseio) e  Shitsuke (disciplina) (Heloani, 2003).</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">7</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  Os nomes utilizados no texto são fictícios no intuito de resguardar a  identificação dos participantes da pesquisa.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">8</font></span></sup><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">  Christophe Dejours toma os conceitos de trabalho</span><b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span></b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> prescrito e trabalho real do campo da ergonomia, o primeiro, referindo-se</span><b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span></b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">à</span><b><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span></b></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> <font size="2">prescrição do «como fazer a atividade», definido seja pela  gerência, seja por normas institucionais. Um exemplo seria a nota técnica de  procedimentos. O segundo, por sua vez, remeteria aos limites do prescrito e à  variabilidade presente nos processos de trabalho, o conceito permite pensar a  execução da tarefa propriamente dita pelo trabalhador, caracterizada por acesso  à informação, processos cognitivos (memória, atenção, tomada de decisão) e ações.  É a atividade realizada.</font></span></p>     <p style="line-height: normal" align="justify"><sup> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">9</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  (PRO) Procedimento de Risco Operacional.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt"> <sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2">10</font></span></sup><span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2">  Pendência é a expressão utilizada na empresa para fazer referência ao trabalho  que deveria ter sido realizado por determinada equipe de trabalho no turno, mas  que devido a situações imprevistas, como a quebra de um maquinário, por exemplo,  não foi possível de ser executado, ficando pendente para a equipe de trabalho  que assumirá o turno subsequente.</font></span></p>     <p style="text-align: justify; line-height: normal"><b> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Referências Bibliográficas</font></span></b></p>     <!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">1)  Albras (2007). </font></span><font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><i> Relatório Anual  Albras 2007</i></span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2"> Disponível em:  <a href="http://www.albras.net/infoinstitucional.htm">http://www.albras.net/infoinstitucional.htm</a>.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812921&pid=S1012-2508201300010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">2)  Albras (2008). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Relatório de  Sustentabilidade ALBRAS 2007</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Disponível em:  <a href="http://www.albras.net/infoinstitucional.htm">http://www.albras.net/infoinstitucional.htm</a>.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812922&pid=S1012-2508201300010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">3)  Almeida, Ildeberto Muniz (2006). Trajetória da análise de acidentes: o paradigma  tradicional e os primórdios da ampliação da análise</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span> <i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Interface – Comunic, Saúde, Educ</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">,  vol. 9, nº 18, pp. 185-202.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812923&pid=S1012-2508201300010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">4)  Alves, Giovanni (2007). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Dimensões da  Reestruturação Produtiva</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  – ensaios de sociologia do trabalho, 2ª Ed. Londrina (PR), Práxis, Bauru (SP),  Canal 6.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812924&pid=S1012-2508201300010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">5)  Anuário Estatístico da Previdência Social/Ministério da Previdência  social/Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (2008).  Brasília, MPS/DATAPREV, vol. 17, Disponível em:  <a href="http://www.previdenciasocial.gov.br/arquivos/office/3_091028-191015-957.pdf">http://www.previdenciasocial.gov.br/arquivos/office/3_091028-191015-957.pdf</a>.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812925&pid=S1012-2508201300010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">6)  Berlinguer, Giovanni (1983). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">A Saúde nas  Fábricas</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> São Paulo, CEBES-HUCITEC.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812926&pid=S1012-2508201300010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">7)  Boltanski, Luc e Chiapello, Ève (2009). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">O novo espírito do  capitalismo</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> São Paulo, Editora WMF Martins Fontes.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812927&pid=S1012-2508201300010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">8)  Carmo, Eunápio Dutra do (2000). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Gestão do Trabalho  na Indústria do Alumínio ALBRAS: a noção de qualidade e seus interlocutores</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Belém, UFPA / NAEA.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812928&pid=S1012-2508201300010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">9)  Chizzotti, Antônio (1995). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Pesquisa em  ciências humanas e sociais</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">,  2ª ed. São Paulo, Cortez.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812929&pid=S1012-2508201300010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">10)  Ciccantell, Paul (2005). Globalização e Desenvolvimento baseado em matérias-primas:  o caso da indústria do alumínio</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span> <i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Novos Cadernos NAEA</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">,  vol. 8, n° 2, pp. 41-72, Belém-PA.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812930&pid=S1012-2508201300010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">11)  Dejours, Christophe (2004). Sofrimento e prazer no trabalho: a abordagem pela  psicopatologia do trabalho</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> In Lancman, Selma e Sznelwar, Laerte. I (orgs.). </span> <i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Christophe Dejours  – Da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">,  pp. 141-155, Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, Brasília, Paralelo 15.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812931&pid=S1012-2508201300010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">12)  Dejours, Christophe (2007a). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">A banalização da  injustiça social</span></i></font><span lang="es"><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif">,</span></font></span><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">  7ª ed. Rio de Janeiro</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">,</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> FGV.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812932&pid=S1012-2508201300010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">13)  Dejours, Christophe (2007b). Psicodinâmica do trabalho na pós-modernidade. In:  Mendes, A. M.; Lima, S. C. C.</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">,</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Facas, E. P. (orgs.) </span>  <i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Diálogos em  psicodinâmica do trabalho</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">.  Brasília: Paralelo 15, pp. 13-26.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812933&pid=S1012-2508201300010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="EN-US"><font size="2">14)  Dejours, Christophe., Dominique, Dessors e François, Desriaux (1993). </font> </span><font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Por um trabalho,  fator de equilíbrio</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Revista de  Administração de Empresas</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">,  33 (3), pp. 98-104.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812934&pid=S1012-2508201300010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">15)  Guinalz, João Paulo (2008). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">O acesso à justiça  na sociedade amazônica: os casos de adoecimento e demissão de trabalhadores da  ALBRAS</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Disponível em:  <a href="http://www.aprodab.org.br/eventos/congresso2008/teses/">http://www.aprodab.org.br/eventos/congresso2008/teses/</a>.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812935&pid=S1012-2508201300010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">16)  Harvey, David (2008). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Condição Pós-Moderna</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  – uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural, 17<sup>a</sup> ed. São  Paulo, Loyola.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812936&pid=S1012-2508201300010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">17)  Heloani, José Roberto (2003). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Gestão e  Organização no Capitalismo Globalizado – </span></i></font> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">história da manipulação psicológica no mundo do trabalho</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> São Paulo, Atlas.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812937&pid=S1012-2508201300010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">18)  Linhart, Danièle (2007). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">A Desmedida do  Capital</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> São Paulo, Boitempo.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812938&pid=S1012-2508201300010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">19)  Mahar, Dennis (1978). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Desenvolvimento  Econômico da Amazônia</span></i></font><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">  – uma análise das políticas governamentais</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Rio de Janeiro, IPEA/INPES, pp.  15-48.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812939&pid=S1012-2508201300010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">20)  Marx, Karl (1983). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">O Capital</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">: </span><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Crítica  da Economia Política</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> São Paulo, Abril Cultural, vol.1, tomo I.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812940&pid=S1012-2508201300010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">21)  Minayo, Maria Cecília S. (2004). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">O Desafio do  Conhecimento</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">  – pesquisa qualitativa em saúde, 8ª ed. São Paulo, Hucitec.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812941&pid=S1012-2508201300010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">22)  Minayo-Gomez, Carlos e&nbsp;Sônia Maria da Fonseca</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">,</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Thedim-Costa (1997). A construção  do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">  Cad. Saúde Pública</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">,  vol.13, suppl. 2, pp. 21-32.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812942&pid=S1012-2508201300010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">23)  Neves, Ednalva Maciel (2009). A Ponta do Iceberg: Estudos sobre Acidentes,  «Incidentes» e Doenças de Trabalhadores na Indústria do Alumínio em São Luís –  MA</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> In: ALMEIDA, R. (org). </span> <i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Alumínio na  Amazônia</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">:  Saúde do Trabalhador, Meio Ambiente e Movimento Social, São Luís, Fórum Carajás,  2009, pp. 79-111.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812943&pid=S1012-2508201300010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">24)  Nogueira, Laura Soares Martins (2011). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">O Sofrimento  Negado: Trabalho, Saúde/Doença, Prazer e Sofrimento dos Trabalhadores do  Alumínio do Pará-Brasil</span></i><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">.  Belém</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">, </span> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Universidade Federal do Pará, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Programa de  Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido</span></font><span lang="es"><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif">.</span></font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812944&pid=S1012-2508201300010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">25)  Organización Internacional del Trabajo – OIT (1998). Enciclopedia de salud y  seguridad en el trabajo, vol. III, España, Ministerio de Trabajo y Asuntos  Sociales. </font></span> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="EN-US"><font size="2"> Disponível em:  <a href="http://www.insht.es/portal/site/Insht/menuitem.1f1a3bc79ab34c578c2e8884060961ca/vgnextoid=a981ceffc39a5110VgnVCM100000dc0ca8c0RCRD&vgnextchannel=9f164a7f8a651110VgnVCM100000dc0ca8c0RCRD">http://www.insht.es/portal/site/Insht/menuitem.1f1a3bc79ab34c578c2e8884060961ca/vgnextoid=a981ceffc39a5110VgnVCM100000dc0ca8c0RCRD &amp; vgnextchannel=9f164a7f8a651110VgnVCM100000dc0ca8c0RCRD</a>.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812945&pid=S1012-2508201300010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="EN-US"><font size="2">26) </font></span><font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Piza, Fábio (2001).  Empresas do Pará alcançam excelência em segurança</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> </span><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Revista CIPA –  Caderno Informativo de Prevenção de Acidentes</span></i></font><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">,  Ano XXII, nº 255.</font></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812946&pid=S1012-2508201300010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <font size="2"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">27)  González</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">,</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Rey Fernando (2005). </span> <i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Pesquisa  Qualitativa e Subjetividade</span></i></font><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">  – os processos de construção de informação</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">.</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> São Paulo, Pioneira Thomson Learning.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812947&pid=S1012-2508201300010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="line-height: normal" align="justify"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"><font size="2">28)  Siqueira, Marcus Vinicius Soares (2009). </font></span><font size="2"><i> <span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">Gestão de pessoas e  discurso organizacional</span></i></font><font size="2"><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">:  crítica à relação indivíduo-empresa nas organizações contemporâneas</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="es">,</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD">  2ª ed. Curitiba</span><span lang="es" style="font-family: Verdana,sans-serif">,</span><span style="font-family: Verdana,sans-serif" lang="ES-TRAD"> Juruá.</span></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=812948&pid=S1012-2508201300010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p style="text-align: justify; line-height: normal; margin-bottom: .0001pt"> <span style="font-family: Verdana,sans-serif"><font size="2">29) Turato, Egberto  Ribeiro (2005). 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