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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><b><font face="Verdana" size="3">Mais sobre ciência e verdade.</font></P> </b>    <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">Alguns anos atr&aacute;s, a prop&oacute;sito de um trabalho publicado em <I>Interci&ecirc;ncia</I> que demonstrava com t&eacute;cnicas altim&eacute;tricas precisas que a altura verdadeira da montanha mais alta da Venezuela era diferente &agrave; aquela assumida e ensinada como certa, editorializamos em torno ao problema da verdade cient&iacute;fica. Hoje voltamos com mais sobre este tema, com motivo das posi&ccedil;&otilde;es extremas adotadas em torno a assuntos de grande importancia para a humanidade toda, como s&atilde;o as pol&ecirc;micas existentes em torno a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e ao esgotamento dos recursos energ&eacute;ticos e alimenticios.</font></P>     <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">Naquela ocasi&atilde;o se tratava de um assunto aclarat&oacute;rio sobre o qual n&atilde;o estava sugerida pol&ecirc;mica alguma. Era resultado do descobrimento de uma verdade diferente &agrave; assumida at&eacute; esse momento. Na ocasi&atilde;o presente sim se trata de uma quest&atilde;o pol&ecirc;mica por sua complexidade, pelo muito que falta por aprender e, sobretudo, pelos ingentes interesses institucionais, nacionais, comerciais ou de outros tipos que est&atilde;o envolvidos.</font></P>     <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o &eacute; estranho que quando tais interesses est&atilde;o em jogo se geram posi&ccedil;&otilde;es diametralmente opostas em torno a um mesmo problema. Em mat&eacute;ria de &iacute;ndole pol&iacute;tica e, as vezes, social, &eacute; dif&iacute;cil dilucidar a raz&atilde;o ou ser objetivos. Em mat&eacute;ria de &iacute;ndole t&eacute;cnica deveria ser f&aacute;cil, mas n&atilde;o sempre &eacute;. A realidade n&atilde;o sempre &eacute; un&iacute;voca, ainda que assim o queiramos.</font></P>     <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">Reconhece-se que o clima est&aacute; mudando, mas resulta dif&iacute;cil ser un&iacute;voco sobre a diferen&ccedil;a existente com mudan&ccedil;as que ocorreram no passado e, mais ainda, em aspectos tais como suas causas e suas consequ&ecirc;ncias ao longo prazo, onde os argumentos e sua sustenta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o diversos e poderosos. Pior ainda se apresenta a situa&ccedil;&atilde;o no referente ao esgotamento das fontes energ&eacute;ticas atuais devido a que cerca do 80% da energ&iacute;a que se consome no planeta prov&ecirc;m de fontes n&atilde;o renov&aacute;veis, sobretudo f&oacute;sseis.</font></P>     <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">Enquanto as discrep&acirc;ncias dos especialistas quanto ao horizonte temporal desse esgotamento n&atilde;o deixam de ser importantes, muito mais o s&atilde;o aquelas referentes &agrave;s v&iacute;as para sua supera&ccedil;&atilde;o e as consequ&ecirc;ncias que elas podem ter. A gera&ccedil;&atilde;o de energ&iacute;a, seja por v&iacute;as tradicionais n&atilde;o baseadas nos combustiveis f&oacute;sseis, como a hidr&aacute;ulica, nuclear e geot&eacute;rmica, ou com as novas energ&iacute;as alternativas como a e&oacute;lica ou qu&iacute;mica, t&ecirc;m defensores e detractores, pr&oacute;s e contras. Um &acirc;mbito relacionado, o dos requerimentos de combust&iacute;veis para o transporte automotor, &eacute; particularmente pol&ecirc;mico.</font></P>     <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">Os combust&iacute;veis derivados da mat&eacute;ria org&acirc;nica ou agrocombustiveis s&atilde;o vistos como poss&iacute;veis substitutos parciais da gasolina, mas sua produ&ccedil;&atilde;o a n&iacute;veis significativos requer grandes extens&otilde;es de terras agr&iacute;colas, e sua produ&ccedil;&atilde;o e uso s&atilde;o contaminantes. Para os se preocupam pela preserva&ccedil;&atilde;o ambiental se sugere o dilema ‘agrocombustiveis <I>versus</I> mudan&ccedil;a clim&aacute;tica’, enquanto que para quem se preocupa pela disponibilidade de terras e produtos suficientes e acess&iacute;veis para alimentar a humanidade o dilema sugerido &eacute; o de ‘agrocombustiveis <I>versus</I> alimentos’. Para outros, dependendo de onde &eacute; colocada a &quot;&ecirc;nfase, se trata de ‘alimentos <I>versus</I> mudan&ccedil;a clim&aacute;tica’ e n&atilde;o de ‘alimentos <I>versus</I> combustiveis’. A estas alturas, existe bastante ci&ecirc;ncia mas ainda parece haver muitas verdades ou enfoques por dilucidar.</font></P>     <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">Os enfrentamentos existem e as buscas, estudos e resultados, assim como os argumentos desenvolvidos sob enfoques un&iacute;vocos, amea&ccedil;am com extender-se sem fim. Ci&ecirc;ncia e tecnologia, economia e pol&iacute;tica est&atilde;o na obriga&ccedil;&atilde;o de buscar em forma conjunta os meios para que as gera&ccedil;&otilde;es venideras possam contar com um planeta onde viver, com alimentos suficientes. N&atilde;o consegui-lo levar&aacute; mais cedo que tarde ao desaparecimento de nossa esp&eacute;cie.</font></P>     <P ALIGN="JUSTIFY" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><font face="Verdana" size="2">Para alcan&ccedil;ar uma adequada difus&atilde;o das investiga&ccedil;&otilde;es que se realizam, assim como para coadjuvar &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de uma conci&ecirc;ncia cidad&atilde; informada que possa influir em seu pr&oacute;prio futuro, as revistas cient&iacute;ficas, sem tomar parte a favor de uma posi&ccedil;&atilde;o ou outra, devem ser portavozes de todos os enfoques, sempre que sejam abordados com a rigorosidade e neutralidade necess&aacute;ria, o qual n&atilde;o sempre &eacute; o caso.</font></P>     <P ALIGN="center" style="word-spacing: 0; line-height: 100%"><b><font face="Verdana" size="2">Miguel Laufer, Diretor</font></b></P>    ]]></body>
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