Interciencia
versão impressa ISSN 0378-1844
Resumo
SANHUEZA, Eugenio. Agroetanol ¿um combustivel ambientalmente amigável?. INCI [online]. 2009, vol.34, n.2, pp.106-112. ISSN 0378-1844.
A preocupação pela segurança energética e a mudança climática impulsionam o uso dos agrocombustíveis, cujo desenvolvimento se adiantou às avaliações ambientais, gerando-se uma calorosa polêmica. Aquí são revisados os principais questionamentos feitos ao agroetanol. Os agrocombustíveis têm um balanço energético neto positivo; para o etanol de cana de açúcar é ~8 e para o do milho é <1,5; na teoria, o do etanol celulósico poderia chegar a 36. O CO2 emitido na combustão do bioetanol não conta como gás-estufa, mas durante sua produção são gerados tais gases. Ao produzir etanol de milho haveria alguma economia de emissões; com a cana, a redução de emissões contempladas no Protocolo de Kyoto é muito favorável, mas ao considerar compostos não incluidos naquele, as emissões de CO2-eq sob certas condições de produção sobrepassariam as da gasolina. A produção de agroetanol propicia a transformação de solos virgens, com perda de biodiversidade e enormes emissões de gases-estufa; os monocultivos intensivos propiciam erosão, contaminam aguas e diminuem a produtividade e estabilidade de ecosistemas. A concorrência por terras aptas para o arado aumentaria preços de alimentos e a polêmica sobre organismos genéticamente manipulados se agudizará com o auge dos agrocombustíveis. A substituição de gasolina veicular por etanol não diminuiria o risco de câncer, aumentaría o smog fotoquímico urbano e as emissões de metano. O etanol de celulosa atenuaría os questionamentos ambientals ao agroetanol de cultivos alimentícios, mas o potencial atual de produção deslocaria pouco combustível fóssil, mantendo-se uma alta dependência do petróleo.
Palavras-chave : Agroetanol; Ambiente; Cambio Climático; Degradación de Ecosistemas; Energía Renovable.











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