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Interciencia

versión impresa ISSN 0378-1844

INCI v.28 n.4 Caracas abr. 2003

 

COSTO Y VALOR DE HACER CIENCIA

El reciente artículo ¿Cuánto cuesta hacer ciencia en Venezuela? (Interciencia 28: 21-28, 2003), por Jaime Requena, ha motivado el envío de Cartas al Director que reflejan la permanente dualidad resultante de los enfoques economicista y axiológico.

El trabajo de marras resulta de la válida intención y necesidad de conocer y cuantificar los costos de la producción científica de un país. Maneja cifras concretas disponibles, no siempre organizadas adecuadamente por las respectivas instituciones, para estimar razonablemente cuál es el costo de hacer investigación.

La carta enviada a la revista por Max Contasti, publicada en la sección de Cartas al Director de este número, revela una orientación que puede ser considerada como casi universal en la ciencia, caracterizada por la búsqueda de exactitud. Además, pone de relieve diferencias en la factibilidad de abordar con rigurosidad cuantitativa la productividad en las ciencias llamadas exactas y en las ciencias sociales.

Por otra parte, la nota recibida de Francisco Salzano, también publicada en la sección de Cartas al Director de este número de Interciencia, resalta con brillo el asunto del valor de la ciencia, bien sea local o universal, y de la producción intelectual en general de cualquier país, en contraposición a la visión aparentemente precisa pero limitada del enfoque puramente económico y cuantitativo. Su acertada cita de Mario Bunge es, sin duda, un claro alerta para nuestra región.

Los dos escritos se corresponden con dos posiciones contrastantes acerca de un problema tan viejo como lo es el pensamiento sistemático del hombre. Ya los filósofos pre-aristotélicos abordaron la idea del bien y los valores morales son el eje de la ética, focalizada en la conducta del hombre. Las ciencias económicas introdujeron conceptos tales como valor de uso y de intercambio, sobrevalor del trabajo, valor agregado y otros. Hoy la sociedad parece interesarse más por el costo de la producción de cosas y objetos, sean ordinarios o no, de las conductas, de la guerra. Y, por qué no, de la ciencia.

Al contrastar el costo y la inversión necesaria para producir ciencia con lo que sus beneficios derivados valen o representan para nuestro progreso, nos enfrentamos a una dualidad manifiesta que es necesario tomar en cuenta. No cabe duda que los muchos beneficios, tangibles e intangibles, derivados de hacer ciencia de calidad tienen poca relación con lo que cuesta hacerla y van mucho más allá de los montos de dinero involucrados. Tales beneficios no son mensurables como lo son las inversiones que para ello hacen los países.

El progreso y desarrollo de nuestros pueblos requiere de una inversión importante y mantenida para hacer ciencia, entendida como la mejor que se puede hacer.

Siendo el conocimiento científico, y su generación, parte de nuestra cultura, nunca podremos contabilizar debidamente sus beneficios, pero siempre debemos tenerlos en cuenta, así como debemos evitar que su utilización desvíe la intención de progreso hacia la destrucción o el dominio sobre otros pueblos. El valor de hacer ciencia se puede transformar, como lo ha hecho no pocas veces a lo largo de la historia, en una enorme magnitud negativa, desgraciadamente tangible.

Miguel Laufer

Director, Interciencia

COSTS AND VALUE OF DOING SCIENCE

The recent paper "What is the cost of doing science in Venezuela?" (Interciencia 28: 21-28, 2003) by Jaime Requena has motivated Letters to the Editor that reflect the permanent duality resulting from the axiological and economic approaches.

The referred paper is the result of the valid intention and need to know and quantify the costs of scientific production in a country. It handles concrete available numbers, not always properly organized by the respective institutions, to reasonably estimate what is the cost of doing science.

The letter received from Max Contasti, published in the Letters to the Editor section of this issue, reveals an orientation that can be considered as almost universal in science, characterized by the search of exactness. Furthermore, it brings to the forefront differences in the feasibility of dealing with productivity in the so-called exact sciences and in the social sciences with quantitative rigor.

On the other hand, the note received from Francisco Salzano, also published in the Letters to the Editor section of this issue of Interciencia, brings out brilliantly the matter of the value of science, be it local or universal, and of the intellectual production in any country, in contrast to the apparently precise but limited vision of the purely economic and quantitative approach. His appropriate quote of Mario Bunge is, no doubt, a clear alert for our region.

The two writings correspond to two contrasting positions on a problem as old as man’s systematic thought. Pre-Aristotelian philosophers already dealt with the idea of what is good, and moral values are the core of ethics, focused on the behavior of man. Economics introduced concepts such as value of use and value of exchange, surplus value of work, aggregated value, and others. Nowadays society appears to be more interested about the cost of objects, whether ordinary or not, of behaviors, of war and, why not, of science.

When we contrast the costs and needed investments to produce science with the value of its derived benefits and what these represent for our progress, we face a manifest duality that must be taken into account. Undoubtedly many benefits, tangibles and intangibles, derived from doing quality science have little relation to its costs and represent much more than the amount of money involved. Such benefits are not measurable as are the investments that countries make to this end.

The progress and development of our peoples requires of an important and maintained investment in science, understood as the best that can be done.

Being scientific knowledge and its generation part of our culture, we will never be able to properly account for its benefits, but we must always keep them in mind, as we must avoid that their use deviate the intention of progress to the destruction or domination of other peoples. The value of science can be transformed, as it has happened many times throughout history, in an immense negative magnitude, unfortunately tangible.

Miguel Laufer

Editor, Interciencia

CUSTO E VALOR DE FAZER CIÊNCIA

O recente artigo: Quanto custa fazer ciência na Venezuela? (Interciência 28: 21 - 28, 2003), por Jaime Requena, tem motivado o envio de Cartas ao Diretor que refletem a permanente dualidade resultante dos enfoques economicista e axiológico.

O trabalho de marras resulta da válida intenção e necessidade de conhecer e quantificar os custos da produção científica de um país. Administra cifras concretas disponíveis, não sempre organizadas adequadamente pelas respectivas instituições, para estimar razoavelmente qual é o custo de fazer investigação.

A carta, enviada à revista por Max Contasti, publicada na secção de Cartas ao Diretor deste número, revela uma orientação que pode ser considerada como quase universal na ciência, caracterizada pela procura de exatidão. Além disso, ressalta diferenças na viabilidade de abordar com rigorosidade quantitativa a produtividade nas ciências, chamadas, exatas e nas ciências sociais.

Por outra parte, a nota recebida de Francisco Salzano, também publicada na seção de Cartas ao Diretor deste número de Interciência, ressalta com brilho o assunto do valor da ciência, seja local ou universal, e da produção intelectual em geral de qualquer país, em contraposição à visão aparentemente precisa, mas limitada, do enfoque puramente econômico e quantitativo. Sua acertada cita de Mario Bunge é, sem dúvida, um claro alerta para nossa região.

Os dois escritos se correspondem com duas posições contrastantes a respeito de um problema tão velho como é o pensamento sistemático do homem. Já os filósofos pré-aristotélicos abordaram a idéia do bem, e os valores morais são o eixo da ética, focalizada na conduta do homem. As ciências econômicas introduziram conceitos tais como valor de uso e de intercâmbio, sobre-valoração do trabalho, valor agregado e outros. Hoje a sociedade parece interessar-se mais pelo custo da produção de coisas e objetos, sejam ordinários ou não, das condutas, da guerra. E, por que não?, da ciência.

Ao contrastar o custo e o investimento necessário para produzir ciência com o que seus benefícios derivados valem ou representam para nosso progresso, nos enfrentamos a uma dualidade manifesta que é necessário levar em consideração. Não ha dúvida que os muitos benefícios, tangíveis e intangíveis, derivados de fazer ciência de qualidade tem pouca relação com o que custa faze-la e vão muito além do volume de dinheiro envolvido. Tais benefícios não são mensuráveis como são os investimentos que, para isto, fazem os países.

O progresso e desenvolvimento de nossos povos requerem de um investimento importante e constante para fazer ciência, entendido como o melhor que se possa fazer.

Sendo o conhecimento científico, e sua geração, parte de nossa cultura, nunca poderemos contabilizar devidamente seus benefícios, mas sempre devemos levar-los em consideração, assim como devemos evitar que sua utilização desvie a intenção de progresso para a destruição ou o domínio sobre outros povos. O valor de fazer ciência se pode transformar, como tem acontecido, não poucas vezes ao longo da história, em uma enorme magnitude negativa, desgraçadamente tangível.

Miguel Laufer

Diretor, Interciência.