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Interciencia
Print version ISSN 0378-1844
INCI vol.29 no.8 Caracas Aug. 2004
INVESTIGAÇÃO AGROPECUÁRIA: ESPÉCIE EM EXTINÇÃO NA VENEZUELA?
Na Venezuela, o desenvolvimento da industria petroleira e a concomitante modernização da sociedade induziram, a partir da primeira metade do século passado, uma muito pronunciada migração para as urbes citadinas. O abandono do campo venezuelano conforma uma metáfora cuja transcendência desborda as tradicionais implicações sociológicas. Em nosso caso abrange outras esferas. Uma delas interessa particularmente a Interciência, dado que a investigação agrícola e pecuária é um dos tópicos com maior presença nas páginas da revista.
Embora desde o começo do país como um Estado moderno, o governo venezuelano tem destinado importantes níveis de recursos, tanto humanos como organizativos e econômicos, para a investigação agrícola e pecuária, tais recursos nunca estiveram presentes em quantidades suficientes como para permitir-lhe a esse sub-setor cumprir com o importante objetivo nacional ao qual é associado. Como sua alta prioridade jamais tem sido efetivada, em palavra ou em ação, sua contribuição à segurança alimentária do país tem sido relativa. Sua significação, explorada em termos de geração do conhecimento, tem sido pontual, mais que nada pela relativa facilidade com que os avanços obtidos no campo são superados pela variabilidade biológica que impulsiona o paradigma evolutivo.
Ainda que a atividade de investigação científica e desenvolvimento tecnológico teve um significativo avanço na Venezuela durante os primeiros oitenta anos do século XX, no ocaso da centúria começou a exibir um preocupante estancamento que tem se prolongado até estes anos de início do terceiro milênio. Esse auge e deterioro da ciência e tecnologia também alcançou as disciplinas próprias das ciências do campo. Em efeito, para 1983 os agrônomos constituíam o grupo de profissionais mais nutrido da comunidade científica venezuelana, com uma participação de 16%, enquanto que dezesseis anos mais tarde apenas alcançavam 6% da comunidade. Iguais indicadores podem ser reportados para as publicações indexadas nessa disciplina.
O resenhado é uma espécie de segredo a vozes do conhecimento da gente do campo e dos diretores dos organismos de investigação agrícola e pecuária. Embora estejamos certos de que todos eles tem feito grandes esforços por reverter o curso de uma progressiva descapitalização sub-setorial, não parece que seus empurrões estejam dando resultados. Em um raro documento1 das máximas autoridades governamentais venezuelanas em ciência e tecnologia (em tanto que existem pouquíssimos documentos oficiais públicos que expliquem ou justifiquem as ações de política setorial), não se menciona a investigação agrícola ou pecuária, todavia, se comenta o caso da Aloe vera como produto de exportação. Dentro de um novo marco de referência para políticas públicas em ciência e tecnologia que toma como principio diretor o de incluir aqueles que tradicionalmente haviam sido excluídos, se conclui que dentro da prioridade relativa a "Atenção às Demandas de Qualidade de Vida" deve ficar incluída o relativo à segurança alimentária, justificativo tradicional ao trabalho criativo dos investigadores locais em ciências do campo.
Aparentemente a metáfora do abandono continua enraizando-se no relativo à investigação e desenvolvimento em ciências agrícolas e pecuárias na Venezuela. A procura de mecanismos para restituir os desafortunados indicadores a níveis alcançados no passado deveria ser um primeiro passo, já que não se deve esquecer que, embora em seus melhores momentos, a investigação agrícola e pecuária de Venezuela era deficiente e amplamente insuficiente. Neste sentido, Interciência tem o dever e está disposta a contribuir desde suas páginas ajudando a solucionar uma situação, que poderia estar passando de ser crítica a ser irreversível. Para isto estão abertas suas páginas.
Jaime Requena
Academia de Ciências Físicas, Matemáticas e Naturais
Caracas, Venezuela
Nota
1 Genatios C, Lafuente M (2004) Ciência e Tecnologia para a Inclusão. En Ramírez RM (Ed.) ¿Cabemos Todos? Os desafios da Inclusão. Club de Roma, Capítulo Venezuelano. Editorial Arte. Caracas, Venezuela.












