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Interciencia

versión impresa ISSN 0378-1844

INCI v.31 n.9 Caracas sep. 2006

 

Planificação e execução

Desde as organizações de alcance mundial até as empresas e os indivíduos e suas famílias, passando por governos de nações grandes e pequenas ou de natureza e alcance local, todos se sentem obrigados a planificar. Elaboram planos mais ou menos detalhados, de maior ou menor alcance e a curto, médio ou longo prazo, segundo sejam os casos.

Com a finalidade de conseguir uma planificação adequada é necessário satisfazer muitos componentes do processo envolvido. Se necessita claridade conceptual, objetivos concretos, estudos cuidadosos da situação, projeção de cenários futuros, estabelecimento de metas, análises de custo e tempo de execução, formulação de mecanismos de auditoria e controle, etc., etc.

Entretanto, toda a planificação que possamos conceber, em qualquer área trabalhada, somente adquirirá sentido e poderá levar à conquista das metas propostas si se estabelece a necessária capacidade de execução dos planos elaborados.

Não resulta longe da realidade postular que, em geral, os governos de países subdesenvolvidos se caracterizam por sua importante e as vezes excelente capacidade de planificação, mas sofrem de pobres facultades de execução.

Na área que nos interessa, a do desenvolvimento científico e tecnológico, a situação existente não se diferencia da realidade que temos delineado para nossos países. Os planos de ciência e tecnologia, que agora incluem inovação e, as vezes, desenvolvimento endógeno, são impresionantes. Mas os orçamentos oficiais para executar tais planos são altamente insuficientes. Com freqüência, os planos existem e também os recursos financeiros, mas a execução é pobre por falta de quem os leve a efeito ou por má organização e administração dos diferentes programas.

Um caso que nos afeta bem de perto é aquele da produção de revistas científicas e tecnológicas, veículos por excelência para a difusão do conhecimento gerado. São tão escasas as revistas de qualidade produzidas em nossos países que existe espaço para um grande desenvolvimento das mesmas.

A planificação correspondente a publicações científicas no sector oficial inclui, em vários casos interessantes, mecanismos para seu registro e qualificação. Estes permitem diferentes formas de reconhecimento aos autores das publicações e também às revistas mesmas, de modo que possam optar a financiamentos através de subvenções.

No caso do excelente programa venezuelano de publicações periódicas científicas e tecnológicas, cuja elaboração demandou bastante trabalho de seus planificadores, a execução é tão deficiente que ano após ano, as revistas mantêm um insólito atraso no seu ritmo de publicação. Transcorridas já as três primeiras quartas partes do ano em curso, as avaliações das solicitações de financiamento para o presente ano ainda não têm sido completadas.

Cabe perguntar-se quantas e quais revistas são capazes de acumular reservas de capital suficientes ou têm um apoio financeiro tal que lhes permita sobreviver sem recurso algum do Estado e, é claro, sem deixar de aparecer pontualmente.

Um caso digno de atenção especial é o das publicações electrônicas, onde se estruturou um interessante e ambicioso programa com a devida planificação e estabelecendo as alianças estratégicas requeridas. Apesar de tratar-se de tecnologias que permitem manipulações "instantâneas", o aspecto temporal da execução do programa é deficiente. Ninguém acreditaria que a versão impressa de uma revista se adiante em mais de meio ano ao seu aparecimento em versão electrônica, na biblioteca da Scientific Electronic Library Online.

Não é possível concluir sobre o tema da planificação que nos tem ocupado sem remarcar o fato de que em todas as atividades dos seres humanos, e particularmente nas artes e nas ciências, o componente criativo escapa a toda planificação. Cabe fomentar a criatividade, mas planificá-la ou dar-lhe cor ideológico, sómente serve para anulá-la.

Miguel Laufer, Diretor