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Zootecnia Tropical
versión impresa ISSN 0798-7269
Zootecnia Trop. vol.31 no.2 Maracay jun. 2013
Digestibilidade aparente da energia bruta e da proteína de alimentos para Tilápia Vermelha (Oreochromis sp)
Apparent digestibility of gross energy and protein of foods for Red Tilapia (Oreochromis sp)
Digestibidad aparente de la energia bruta y proteina de alimentos para tilapia roja (Oreochromis sp)
Diana Milena Torres Novoa1*,Manuel Vazquez Vidal Júnior1, Dalcio Ricardo De Andrade1 e Victor Libardo Hurtado Nery2
1 Universidade Estadual do Norte Fluminense. Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias. Uenf. Av. Alberto Lamego 2000, Campos-RJ, CEP 28013-602, Brasil.
2 Universidad de los Llanos, Km 12 Vía Apiay, Villavicencio, Colômbia. mailto: miletn@hotmail.com*
RESUMO
Com o objetivo de determinar os coeficientes de digestibilidade aparente (CDA) da proteína brutae da energia bruta de alimentos convencionais e alternativos para tilápia vermelha foi conduzidaesta pesquisa. Foram utilizadas 378 tilápiasvermelhas de 209 ± 49,4 g distribuídas numdelineamento experimental inteiramente casualizado, com sete tratamentos, três repetiçõese 18 peixes por unidade experimental. A ração comercial foi utilizada como ração referência, noqual foi feita a substituição de 30% pelo alimentoa testar. Os tratamentos foram: Ração referência (100% ração comercial). Farelo de arroz;Quirera de arroz; Resíduo de biscoito; Resíduode macarrão; Farinha de raiz de mandioca eFarelo de soja. Os CDA foram determinados pelo método indireto, sendo utilizando como indicador o óxido de cromo incorporado nas rações. Nãohouve diferença significativa (P>0,05) para osCDA da PB (84,03; 84,92; 77,97; 80,25; 87,51 e 84,54%) e os CDA da EB (65,83; 90,23; 75,54; 82,92; 83,14 e 82,26%) para farelo de arroz,quirera de arroz, resíduo de biscoito, resíduo demacarrão, farinha de raiz de mandioca e farelode soja respectivamente. Verificou-se que osCDA de PB e EB dos alimentos avaliados são relativamente altos o que indica que a tilápiaaproveita com eficiência a energia e a proteína contidas nos alimentos utilizados, sendo possívela utilização destes ingredientes em dietas praticaspara tilápia vermelha.
Palavras chave: Alimentos alternativos, digestibilidade, metabolismo, Oreochromis (Fonte: IEDCYT, DeCS).
ABSTRACT
The aim of this research was to determine the apparent digestibility coefficients (ADC) ofcrude protein and gross energy of some foods for red tilapia was conducted this research. Weused 378 red tilapia of 209 ± 49.4 g, distributedin a completely randomized design with seventreatments and four replicates and 18 fi sh each. A commercial feed was used as a basal diet which was substituted with 30% for food testing.The treatments were Ration reference (100%commercial feed), Rice bran, broken rice, cookieresidue, macaroni residue, flour cassava root and soybean meal. The CDA were determined by the indirect method and using as marker chromicoxide incorporated in the diets. No significant difference (P>0.05) for ADC of CP (84.03, 84.92, 77.97, 80.25, 87.51 and 84.54% ) and ADC of EB (65, 83, 90.23, 75.54, 82.92, 83.14 and 82.26%)for rice bran, broken rice, cookies residue,macaroni residue, cassava root meal and soybeanmeal respectively. It was found that the ADC of CP and evaluated food are relatively high indicatingthat tilapia efficiently harnesses the energy and protein contained in the foods used, it is possibleto use these ingredients in practical diets fortilapia vermilion objective of this research was todetermine the apparent digestibility coefficients (ADC) of crude protein and gross energy of some foods for red tilapia was conducted this research.
Key words: Alternative Foods, digestibility, metabolism, Oreochromis. (Sources: IEDCYT, DeCS)
RESUMEN
Con el objetivo de determinar los coefi cientes de digestibilidad aparente (CDA) de proteína cruday energía bruta de alimentos convencionales yalternativos para tilapia roja se llevó a cabo estainvestigación. Fueron utilizadas 378 tilapias rojade 209 ± 49.4 g de peso, distribuidas en un diseñocompletamente al azar con siete tratamientosy tres repeticiones y 18 peces por repetición.Se utilizó la ración comercial como dieta basal, la cual fue hecha una sustitución del 30% del alimento a evaluar. Los tratamientos fueron: Dieta referencia (alimento comercial 100%) harina dearroz, granza de arroz; residuos de galletería;residuos de macarrón; harina de raíz de yuca ytorta de soya. Los CDA fueron determinados por el método indirecto, siendo utilizado como indicador el óxido crómico incorporado en las raciones. Nohubo diferencia significativa (P>0,05) para losCDA de PB (84,03; 84,92; 77,97; 80,25; 87,51 y 84,54%), y los CDA de EB (65,83; 90,23; 75,54; 82,92; 83,14 y 82,26%) para harina de arroz,granza de arroz, residuos de galletería, residuosde macarrón, harina de raíz de yuca y torta desoya, respectivamente. Se determina que losCDA de PB y de EB de los alimentos evaluados son relativamente altos, lo que indica que latilapia aprovecha eficientemente la energía y lasproteínas contenidas en los alimentos utilizados,siendo posible la utilización de estos ingredientesen dietas prácticas para tilapia roja.
Palabras clave: Alimentos Alternativos, digestibilidad, metabolismo, Oreochromis. (Fuente: IEDCYT, DeCS)
Recibido: 09/01/13 Aprobado: 17/02/14
INTRODUÇÃO
A tilápia (Oreochromisnilotica) é originária daÁfrica, é a segunda espécie de peixe mais cultivada em água doce, e a de maior importância na aquicultura mundial (Borguetti, et. al., 2003). Na Colômbia a produção de tilápia corresponde a 65% da atividade piscícola, sendo produzido dos tipos de tilápia, o vermelho destinado ao consumo nacional e a nilótica para o mercado internacional (Usgame et al., 2008)
O grande entrave na tilápicultura é o custo com a alimentação, pois chega a 70% do custo total de produção. Entretanto, a utilização de matérias primas não convencionais na ração, podem reduzir os custos de produção sem prejudicar o desempenho dos animais nem a qualidade do produto final, visando otimizar a produção e a rentabilidade das pisciculturas (Hisano e Portz, 2007).
A formulação de rações para tilápia considerando a digestibilidade dos alimentos, além de maximizar a utilização de nutrientes e reduzir os custos de produção, ajuda a evitar a poluição da água, devido ao fato que menor quantidade de amônia, nitritos e nitratos estariam sendo eliminados. A digestibilidade de uma ração é a habilidade com que o animal digere e absorve os nutrientes e a energia contidos na mesma. A digestibilidade é um dos critérios adotados em estudos para avaliação da qualidade nutricional dos alimentos e da eficiência de dietas (Oliveira, 2006). Porém, existe pouca informação sobre os valores de digestibilidade da proteína e da energia da maioria dos ingredientes, principalmente os relacionados com alimentos alternativos para tilápia vermelha.
Segundo Sakomura e Rostagno (2007), as metodologias usadas para determinar a digestibilidade em peixes têm sido a coleta total e parcial com uso de indicadores. Os métodos utilizados para determinar a digestibilidade em animais aquáticos deferem daqueles aplicados para suínos e aves, principalmente em relação ä coleta de fezes. Dentre esses métodos, o mais utilizado destaca-se o método de decantação. O indicador externo mais utilizado tem sido o óxido de cromo, porém existem criticas ao seu uso, uma vez que já foi reportado que ele causa aumento na eficiência de utilização dos carboidratos, o que eleva a atividade da fosfofrutuquinase, indicando que este elemento pode não ser totalmente inerte para os peixes (Urbinati et al., 1998).
Dos ingredientes alternativos para serem utilizados na alimentação animal, tem muito a mandioca e os seus subprodutos (Carvalho et al. 2012), assim, a farinha de varreduras de mandioca tem sido incluída até 24% em substituição do milho em dietas para tilápia do Nilo por se uma fonte rica em energia (Boscolo et al., 2002a).
Outro ingrediente disponível para alimentação animal deriva-se da indústria que processa o trigo para o consumo humano que gera subprodutos considerados energéticos, incluindo sobras da fabricação de biscoitos doces y salgados, bolos, produtos não comercializados ou que ultrapassaram o prazo de validade, além de quebras, com excesso ou falta de cozimento durante o processamento (Oliveira, 2006), pães e macarrão que poderiam ser incorporados em dietas para animais de importância zootécnica, como é a tilápia.
Além destes ingredientes, se tem o resíduo de biscoito que é aquele produto não aproveitado pela indústria, constituído de biscoito ou bolachas quebradas ou que foram reprovados pelo controle de qualidade da fábrica (Lima y Ludke, 2011), constituindo um ingrediente energético para alimentação animal.
Do processamento do arroz para o consumo humano, os coprodutos de arroz, como o farelo e a quirera, têm sido utilizados na alimentação de animais monogástricos ate 50% em substituição do milho como fontes energéticas (Hurtado et al., 2010) sem prejudicar o desempenho zootécnico. O conhecimento da digestibilidade aparente dos ingredientes alternativos permitira sua inclusão adequada em dietas praticas para tilápia vermelha.
Com base no exposto acima o objetivo desta pesquisa foi determinar o coefi ciente digestibilidade aparente de energia bruta e proteína bruta de resíduo de biscoito e de macarrão, quirera de arroz, farelo de arroz, farelo de soja, farinha de raiz de mandioca para tilápia vermelha.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Instituto de Aqüicultura, IALL, da Universidad de lós Llanos, na cidade de Villavicencio, Colômbia, 74o4 30de longitude oeste, 4o 35 57 de latitude norte, (IGAC, 2009), altitude de 423 m.s.n.m. , 27 ° C de temperatura, umidade relativa 85% e 3.500 mm de precipitação anual. Foram utilizadas 378 tilápias vermelhas com peso vivo médio de 209 ± 49,4 g, distribuídas num delineamento experimental inteiramente casualizado, com sete tratamentos, três repetições e 18 peixes por unidade experimental.
Os peixes foram mantidos em tanques de alvenaria de 1.200 litros, com fl uxo continuo de água, dotado com dispositivos de areação permanente, durante cinco dias em fase de adaptação as raçoes experimentais, alimentados duas vezes ao dia as 08:00 e as 16:00 horas. O consumo diário foi calculado segundo a biomassa estimada por aquário, equivalente a 2% do peso dos animais. Ao sexto dia, meia hora após da alimentação única, os peixes foram transferidos para os aquários cônicos de metabolismo tipo sistema Guelph modifi cado de 200 litros. Os aquários tinham um sistema de fluxo continuo de água, com uma taxa de 1-2 L/ minuto, procedente do sistema fechado de fl uxo de água, dotado com dispositivos de areação permanente para manter os níveis de oxigênio próximos à saturação, um filtro mecânico para remover partículas em suspensão e quatro filtros biológicos em serie para reduzir a concentração de amônia. Durante a fase experimental, os parâmetros físico-químicos da água, nos tanques e nos aquários foram monitorados duas vezes por dia.
Foi utilizado como ração referência (RR), o concentrado comercial recomendado para atender as exigências nutricionais da tilápia na fase de terminação (NRC, 1993), na qual foi feita a substituição de 30% pelo alimento teste. Os alimentos testados foram:
1. Ração referência, RR, (100% concentrado comercial)
2. Farelo de arroz (70% RR + 30% farelo de arroz)
3. Quirera de arroz (70% RR + 30% quirera de arroz)
4. Resíduo de biscoito (70% RR + 30% resíduo de biscoito).
5. Resíduo de macarrão (70% RR + 30% resíduo de macarrão)
6. Farinha de raiz de mandioca (70% RR + 30% farinha de raiz de mandioca)
7. Farelo de soja (70% RR + 30% farelo de soja)
Na Tabela 1 encontram-se a composição bromatológica das dietas experimentais.
Para cada uma das dietas e matérias primas utilizadas, realizou-se os análises de matéria seca, proteína bruta pelo método de micro-Kjeldahl e energia bruta em bomba calorimétrica PARR, 121AE, no Laboratório de Nutrição Animal do Instituto de Aquicultura da Universidade de los Llanos de Colômbia.
A ração referência e as matérias primas foram moídas em moinho de martelo com peneira de 0,5 mm. Posteriormente, foi feita a substituição de 30% de cada alimento, e, logo após, foi feita a homogeneização da ração referência com o alimento e óxido crômico a 0,5%, previamente diluído em óleo de peixe, em misturador durante 15 minutos. Depois da mistura, as raçoes experimentais foram peletizadas, em equipo marca Ex-micro de capacidade de peletização de 150 kg de ração/h, obtendo pellets de 5 mm, que foram secos, embalados em sacos plásticos e conservados em lugar fresco.
As coletas de fezes foram feitas de 30 em 30 minutos durante 10 horas, para evitar a lixiviação de nutrientes. As fezes foram acondicionadas em recipientes de papel alumínio, e levadas ao laboratório para secagem em estufa a 60 oC durante 24 horas.
Após procedeu-se as respectivas análises. Foram estabelecidos os coefi cientes de digestibilidade aparente (CDA) de energia bruta e de proteína bruta da ração referência, como das rações experimentais pelo método indireto, sendo utilizando como indicador o óxido de cromo (Cr2 e calculados aplicando as formulas O3) propostas por Nose (1966):

Onde:
CDa = coeficiente de digestibilidade aparente (%).
%Cr2O3r = percentagem de óxido de crômio na ração.
%Cr2O3f = Percentagem de óxido de crômio nas fezes.
%Nf = Percentagem de nutrientes nas fezes
% Nr = percentagem de nutrientes na ração.
A digestibilidade aparente da proteína e da energia dos alimentos avaliados foi calculada como descrita por Silva et al. (2006):

Em que:
CDAN = coeficiente de digestibilidade aparente da proteína e da energia.
CDART = Coeficiente de digestibilidade aparente da proteína e da energia na ração teste.
CDARR = coeficiente de digestibilidade aparente da proteína e da energia na ração referência.
x = proporção da ração referência.
y = Proporção da ração teste.
Os resultados de digestibilidade aparente foram submetidos á analise de variância a 5% de probabilidade e os resultados dos parâmetros fisioquímicos a estatística descritiva,utilizando o Sistema para Análises Estatísticas e Genéticas, SAEG (2007).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os valores médios dos parâmetros físicoquímicos da água nos tanques foram: pH, 6,5 ± 0,4, oxigênio dissolvido 5,82 ± 1,12 mg/L, e a temperatura 26,12 ± 0,25 oC., e nos aquários são apresentados na Tabela 2, e que possivelmente, não influenciaram nos resultados encontrados; valores similares foram reportados por Carvalho et al. (2012), considerados dentro da faixa recomendada para a tilápia.
Os valores médios dos coefi cientes de digestibilidade aparente, CDA da proteína bruta e energia bruta, e valores de proteína digestível (PD) e energia digestível (ED) dos alimentos teste encontram-se na Tabela 3. Os CDA dos nutrientes nos alimentos encontrados para a tilápia vermelha neste experimento foram altos (P>0,05) entre 77,97% e 87,51% para PB e 65,83% e 90,23% para EB. Os valores de CDA da proteína bruta e energia bruta variaram conforme oa alimento, indicando que a composição do alimento exerce infl uencia na sua digestibilidade (Bomfim e Lanna, 2004), sugerindo que o CDA depende da habilidade dos peixes em digerir e absorver seus nutrientes (NRC, 1993), e que a tilápia tem a capacidade de utilizar estes nutrientes de diversos alimentos.
O coeficiente de digestibilidade aparente (CDA) da energia bruta (EB) do farelo de arroz foi menor ao da quirera de arroz. Este resultado poderia ser explicado pelo o fato que o farelo de arroz tem 8% de fi bra (Rostagno et al., 2011), com alto conteúdo de celulose, hemicelulose e lignina, além de alto teor de polissacarídeos no amiláceos (PNA), que impedem que a energia contida na parede celular seja liberada para ser aproveitada, assim a fibra é de pobre utilização pela tilápia, além disto, a fibra bruta reduz a digestibilidade da energia, porque esta fica presa na parede celular da estrutura morfológica do farelo de arroz (NCR, 1993).
O CDA da EB para o farelo de arroz apresentou o menor valor dos alimentos avaliados, sendo inferior aos valores encontrados por Pezzato et al. (2002) com peixes de 110 g de peso, e aos resultados de Guimarães et al. (2011) com amido da quirera de arroz com tilápias de 150 g de peso, explicando os resultados pela capacidade da tilápia de utilizar carboidratos de formas complexas, além de tolerar dietas com elevados níveis de carboidratos.O farelo de arroz apresentou o menor valor de CDA de energia entre os alimentos avaliados.
O CDA da PB obtido para o farelo de arroz, foi superior ao determinado por Gonçalves et al. (2004) para tilápias de 100 g de peso, com adição da enzima fitase no farelo de arroz e substituição de 40% do alimento na ração referência, explicando que na utilização do farelo de arroz, em rações para não-ruminante, o ácido fítico contido nele é capaz de complexar com cátions, proteínas, lipídeos e amido, tornando assim grande parte destes nutrientes não digestíveis para a tilápia.
O CDA da PB e da EB da quirera de arroz foram superiores aos constatados para outras espécies de peixes (Oliveira e Fracalossi 2006, e Gonçalves et al., 2003), valores que são explicados pelo hábito alimentar das espécies, que aproveitam melhor as fontes proteicas de origem animal que as de origem vegetal, e pelo menor comprimento do intestino, onde os alimentos ficam menos tempo expostos à superfície de absorção, e no caso da energia os peixes carnívoros apresentam limitada secreção e atividade de amilase no trato intestinal, o que é suficiente apenas para digerir uma limitada quantidade de carboidratos. Além disto, a possível explicação destes valores pode ser atribuída à qualidade da matéria prima e ao tipo de processamento aplicado no arroz.
A quirera de arroz apresentou o maior CDA da energia bruta dos alimentos avaliados, resultado que pode ser explicado pelo processamento aplicado na obtenção desse ingrediente, pelo baixo conteúdo de fibra tornando-o de fácil digestão pela tilápia (Butolo, 2002) e pela alta digestibilidade do amido contido na quirera de arroz (Guimaraes et al., 2011).
O menor valor de CDA da proteína bruta foi obtido com resíduo de biscoito. É importante salientar que existem poucos estudos na literatura sobre a digestibilidade do resíduo de biscoito, porém, valor o obtido é superior ao constatado por Morais (2006) utilizando biscoito de chocolate.
Os maiores valores de CDA da proteína bruta obtidos neste experimento para tilápia vermelha foram com os alimentos quirera de arroz e farinha de raiz de mandioca. O CDA da proteína para a farinha de mandioca poderia-se explicar pelo fato da mandioca ter baixo teor de proteína, e a quantidade oferecida aos peixes nesta ração não atende as exigências nutricionais, deste modo os animais utilizam a proteína disponível na dieta, diminuindo os níveis de excreção de nitrogênio, o que resulta em valores altos de digestibilidade.
Os CDA da PB do resíduo de biscoito é superiores ao constatado por Morais (2006) é inferior ao obtido por Santucci et al. (2003) que encontraram 88,9% de digestibilidade em biscoitos enriquecidos com extrato de levedura Saccharomycessp. A possível explicação para o melhor aproveitamento do nutriente depende do teor de microrganismos utilizados na dieta como fontes de proteínas.
Não foram encontrados trabalhos científi cos sobre o uso de resíduos de macarrão na alimentação da tilapia pelo qual, não permite comparar este trabalho com pesquisas sobre digestibilidade deste alimento. Porem tem estudos feitos com trigo (farelo, farinha ou triguilho), daí que os resultados de CDA da PB obtidos neste trabalho foram inferiores aos constatados por Gonçalves et al. (2004), Boscolo et al. (2002 b), Pezzato et al.(2002) e por Signor et al. (2010), isto pode ser explicado pelo fato, que sendo o trigo um componente do macarrão, não se conhece os outros componentes do macarrão, e que poderiam afetar a digestibilidade dos nutrientes em estudo.
O CDA da energia bruta para farinha de raiz de mandioca foi superior ao encontrado Santos et al. (2009) que obteve 68,63% de CDA para farinha quebrada de mandioca, e inferior ao constatado por Boscolo et al. (2002a) de 91,40% para farinha de varredura de mandioca. A possível explicação dos resultados de digestibilidade da energia bruta obtidos com farinha de raiz de mandioca está no fato que este ingrediente tem teor de fibra muito baixo.
O CDA da PB da raiz de mandioca apresenta um valor semelhante ao obtido por Boscolo et al. (2002a), e superior aos resultados de Bohnenberger (2008) e Santos et al. (2009), isto poderia ser explicado pela preparação do ingrediente e composição química, com baixo teor de proteína. Por outro lado, Carvalho et al. (2012) constaram CDA para PB e EB da farinha de raiz de mandioca de 91,46 e 92,20% respectivamente, explicando os resultados pelo processamento das dietas, as altas temperaturas e pressão, fraccionam, expandem e gelifi cam o amido, melhorando a disponibilidade e aproveitamento pela tilápia.
Os valores de CDA da proteína bruta do farelo de soja obtido neste experimento foi inferior aos encontrados por Pezzato et al.(2002),Gonçalves et al. (2004), Boscolo et al. (2002b) e Guimarães et al. (2008). Estas diferenças podem ser explicadas pelo processo industrial aplicado na soja na obtenção do farelo.O CDA da EB do farelo de soja superior ao encontrado por Boscolo et al.(2002b), Pezzato et al.(2002) e Gonçalves et al. (2004) para tilápia, estão relacionados ao conteúdo de lipídios e ao processo de extração do óleo na indústria.
As diferenças entre os CDA dos outros trabalhos com o presente experimento podem ser atribuídas a fatores como metodologia de coleta de fezes utilizada, níveis de inclusão do alimento teste, possíveis fatores antinutricionais (Furuya et al., 2004), espécies ou linhagens de animais (Bomfim e Lanna, 2004), habito alimentar, anatomia do trato digestivo, tamanho do animal, idade do animal,formulação e processamento das rações e alimentos que as compõem (Sakomura e Rostagno, 2007).
CONCLUSÕES
Os CDA de PB e EB dos ingredientes resíduo de biscoito, farinha de raiz de mandioca, farelo de soja, farelo de arroz, quirera de arroz e resíduo de macarrão são relativamente altos, o que indica que as tilápias aproveitam com efi ciência a energia e a proteína contida nesses alimentos utilizados, sendo possível a utilização destes ingredientes em dietas práticas para a tilápia, dependendo do custo e a disponibilidade deles nos mercados locais.
AGRADECIMENTOS
Á Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, FAPERJ, pelo apoio financeiro para a realização desta pesquisa.
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