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Paradígma
versão impressa ISSN 1011-2251
Paradígma vol.37 no.2 Maracay dez. 2016
Hilos de transdisciplinariedad: una mini universidad llamada GRECOM1
Wani Pereira
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
1 Conferencia proferida en el II Congreso de Estudios de Complejidad (II CEC) en la ciudad de Campina Grande, Estado de Paraíba/Brasil, intitulada Fios de transdisciplinaridade, uma mini universidade chamada Grecom.
Resumen
Presenta al Grupo de Estudios de la Complejidad GRECOM como un espacio de metamorfosis de las ciencias. Destaca sus principales actividades, publicaciones, proyectos de investigación, extensión y relaciones de intercambio. Adhiere a la concepción de Grecom como una mini universidad por creer que en ese espacio se gesta una ciencia de la religación y de la metamorfosis.
Palabras clave: Grupo de Estudios de la Complejidad. Metamorfosis. Complejidad.
Fios de transdisciplinaridade: uma mini universidade chamada GRECOM
Resumo
Conferência proferida no II Congresso de Estudos da Complexidade (II CEC) na cidade de Campina Grande, Estado da Paraíba, intitulada Fios de transdisciplinaridade, uma mini universidade chamada Grecom. Apresenta o Grupo de Estudos da Complexidade GRECOM com um espaço de metamorfose das ciências. Destaca suas principais atividades, publicações, projetos de pesquisa, extensão e relações de intercâmbio. Faz adesão a concepção do Grecom como uma mini universidade por acreditar que nesse espaço se gesta uma ciência da religação e da metamorfose.
Palavras chave: Grupo de Estudos da Complexidade. Metamorfose. Complexidade.
Strings of transdisciplinarity: a mini-university named GRECOM
Abstract
Conference given in the 2nd Complexity Studies Congress at Campina Grande in Paraíba/Brazil (2014) entitled Strings of transdisciplinarity, a mini-university named Grecom. It presents the Study Group of Complexity GRECOM as a place of metamorphosis of sciences. It highlights theirs main activities, publications, research projects, extension and relations of exchange. It makes adherence to conception of Grecom as a mini-university by to believe that in this group is produced a reconnection and metamorphosis science.
Key words: Study Group of Complexity. Metamorphosis. Complexity.
Recibido: 04 de agosto de 2016 Aprobado: 19 de octubre de 2016
Introdução
Aceitar o delicado e honroso convite para compartilhar de ideias e afetos nesse II Congresso de Estudos da Complexidade (II CEC - 2014), formulado em nome da Comissão Organizadora pela Profª. Drª. Márcia Adelino da Silva Dias, Coordenadora do Grupo de Estudos da Complexidade e da Vida GRECOMVIDA/UEPB, Campina Grande, e anunciado previamente por Thiago Severo, para estar aqui hoje me moveu e sensibilizou por duas motivações. Uma afetiva. Thiago Severo sempre alimentava meu ego ao anunciar quase aos gritos: Dra. Wani o pessoal do Grecom Vida vive perguntando por você, e quer saber quando vai abrir vagas para começar a orientar essa moçada..., - inconformado pela minha recusa em assumir essa missão impossível.
O segundo me parece ser uma extensão e complementaridade desse primeiro. Na verdade uma antecipação. Explico por que. O motivo maior de estar aqui hoje nessa celebração, tem uma única responsável, para não dizer culpada: Maria da Conceição Xavier de Almeida. Aliás, não estaríamos nós eu, Josineide, Jaime Biela e João Bôsco Filho, que tem também sua parcela de culpa!
Não fosse um lugar chamado Grecom, possivelmente esse encontro e celebração por uma ciência aberta, não estaria acontecendo com essa configuração, rigor e ao mesmo tempo poética, metafórica.
Confesso também que aceitar o convite me permitiria arquitetar um plano de vingança: prestar um tributo à Ceiça Almeida!. (Nota 1 Volver1) É a Ceiça Almeida corpo e alma do Grecom a quem dedico às palavras aqui expressas.
Quero confessar um segredo! Primeiro minha relutância em escrever em geral, e também certa tensão em falar em público. Há sempre sobrevoando meus pensamentos um fantasma da expectativa: o que esperam ouvir? Meu desejo é que seja sempre uma boa surpresa.
Mas preciso disparar imediatamente um sinal de alerta a todos para o Perigo! O permanente risco de mutilar e desvirtuar o que tenho a dizer.
É preciso esclarecer também logo de saída, que não tenho pertencimentos na área do conhecimento das Ciências da Natureza, tema ousado aqui proposto e que atravessa pela sua emergência, uma história da construção do conhecimento humano.
O que dizer então do processo, itinerário da metamorfose das ciências entre diálogos e saberes? Eis outro tema que requer um vasto conhecimento epistemológico. Não poderia, portanto falar de outro lugar que não o de um tênue pertencimento - mesmo que agora não mais de forma tão visceral de antes -, a um topöi muito especial, expressão atual tão a gosto de Conceição Almeida -, o Grecom. Ali tive e ainda tenho o privilégio de viver perigosamente, fazendo piqueniques à beira do abismo como vaticinou nosso adorável Camarada Alex Galeno -, e experimentar um repertório de sentimentos e emoções múltiplas.
Os fios e a teia
Hoje, a coisa mais importante da história humana e a salvação da humanidade é promover uma metamorfose.
Edgar Morin
Falar em metamorfose das ciências e transdisciplinaridade requer beber das águas de Mnemosine, a deusa da memória e rememorar acontecimentos que demarcam um processo e itinerário de emergência de outro paradigma científico, a complexidade e o método transdisciplinar. Enxertar num cenário epistemológico emergente, as histórias do Grupo de Estudos Edgar Morin e GRECOM, do processo de auto-eco-reorganização de um sujeito implicado até os ossos nesse itinerário, nessa viagem incerta da construção do conhecimento Maria da Conceição Xavier de Almeida! Ceiça para os amigos...
Já é de domínio público e reconhecimento de que a noção de transdisciplinaridade faz sua entrada no cenário das ciências em 1970 por Jean Piaget, durante o I seminário Internacional sobre pluri e interdisciplinaridade na cidade de Nice/França. Ao enunciar um resumo didático sobre Complexidade e Pensamento Complexo, Humberto Mariotti (2000) nos alerta:
Lembremos uma frase de Jean Piaget: "Os fenômenos humanos são biológicos em suas raízes, sociais em seus fins e mentais em seus meios". A experiência humana é um todo bio-psico-social, que não pode ser dividido em partes nem reduzido a nenhuma delas. Primeiro, percebemos o mundo. Em seguida, as percepções geram sentimentos e emoções. Na sequencia, estes são elaborados em forma de pensamentos, que vão determinar o nosso comportamento no cotidiano. Nota 3 Volver3
Para Nicolescu (1996) ali foi aceito a adição do para além das disciplinas à definição do conceito. Aliás, cabe então enunciar o conceito segundo a formulação seguinte: "A que o termo transdisciplinaridade diz respeito ao que se encontra entre as disciplinas, através das disciplinas e para além de toda a disciplina" (idem NICOLESCU, 1996). (Nota4 Volver4) Vale lembrar conforme ainda o autor, os avanços no campo teórico e conceitual a partir de 1987 com a criação do Centre International de Recherches et d`Études transdisciplinaires (CIRET) como um dos principais centros mundiais de estudos sobre os conceitos transdisciplinares. Em 1994, o I Congresso Mundial de Transdisciplinaridade realizado em Arrábida (Portugal), com a colaboração do CIRET e apoio da UNESCO, se explicita uma definição de transdisciplinaridade, disposta em dois artigos do documento final a Carta da transdisciplinaridade: Artigo 3: "(...) A Transdisciplinaridade não procura a dominação de várias disciplinas, mas a abertura de todas as disciplinas ao que as atravessa e as ultrapassa"; Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui nem uma nova religião, nem uma nova filosofia, nem uma nova metafísica, nem uma ciência das ciências."
Ontologias a parte, sabe-se que a partir da década de 1950, o pós-guerra instaura bifurcações, favorece a instauração de novos campos de saber. Não se pode esquecer que parte do avanço em diversas áreas do conhecimento foi advinda da tecnociência que alimentou a II Grande Guerra Mundial. O calor cultural é alimentado por cientistas, filósofos historiadores, antropólogos dentre tantos artesãos do conhecimento que se insubordinam contra o que fica conhecido como o velho paradigma do ocidente. Seu campo de ação extrapola muros institucionais. Sob a chancela da UNESCO, diversos fóruns são organizados ou apoiados, e impregnados nas próximas décadas de uma boa utopia no campo dos saberes científicos. Um divisor de águas se instala a partir de 1986 com a realização do I Fórum da UNESCO sobre Ciência e Cultura: A ciência diante das fronteiras do conhecimento (Nota5 Volver5) na cidade de Veneza/Itália. Analisando o documento final que fica conhecido com A Declaração de Veneza, Edgard Carvalho (1992) (Nota6 Volver6) destaca entre os 19 signatários um brasileiro, filósofo e matemático, Ubiratan DAmbrosio.
Do documento final, constam os desafios postos para o desenvolvimento científico, reordenar uma cartografia universitária ossificada em áreas compartimentadas do saber. Vários outros encontros se seguem: o Congresso Ciência e Tradição: perspectivas transdisciplinares para o século XXI, (1991); III FÓRUM da UNESCO sobre Ciência e Cultura Em Direção a eco-ética: visões alternativas de cultura, ciência, tecnologia e natureza Belém, PA Brasil, 05 a 10/abr/1992 (Nota7 Volver7); o I Congresso Mundial da Transdisciplinaridade (1994); São Paulo Brasil, mai/jun/97: Primeiro Laboratório Brasileiro para o Pensamento Complexo, coordenado pelo Núcleo de Estudos da Complexidade - PUC/SP e Grupo de Estudos da Complexidade - GRECOM/UFRN, divulgada no Congresso Inter-Latino Para o Pensamento Complexo, 8 a 11/set/97 - RJ Brasil; Congresso Inter-Latino Para o Pensamento Complexo, 8 a 11/set/97 - RJ Brasil; Congresso Internacional de Transdisciplinaridade Que Universidade para amanhã? Em busca de uma evolução transdisciplinar da Universidade (1997); Conferência Mundial sobre Educação Superior - UNESCO, Paris, 9 de outubro de 1998 Declaração Mundial sobre Educação Superior no Século XXI: Visão e Ação 1998; o II Congresso Mundial da Transdisciplinaridade (2005), todos eles pela UNESCO Conferência Mundial sobre Educação Superior.
Não pretendo me alongar nesse percurso. Muitos autores já o fizeram e com muito mais propriedade. Edgar Morin, por exemplo, prima por sempre se valer desse contexto para reafirmar a emergência da complexidade na cultura científica: no Paradigma perdido (obra matricial que se tornará exponencial com os VI Métodos; Terra-Pátria, Educar na área planetária; A Cabeça Bem Feita. Cito um texto de Almeida, Mapa inacabado da complexidade: voo incerto da borboleta, (p. 41) (Nota 8. Volver8), como outra forma de dizer desse percurso. Através de um conjunto heteróclito de analogias e metáforas a autora percorre um itinerário histórico das ciências: o mito de Dédalo, inspira o biólogo J. B. S. Haldane para compreensão do modus operandi da ciencia; Jean Baudrilhar, escolhe os labirintos para explicitação do dominação tecnológica; Bruno Latour, com o deus Jano, expõe os artifícios de fabricação da ciencia; o prêmio Nobel de química Ilya Prigogine se inspira na arte para representar a ciencia do século XX, além do cálice de vinho, calor cultural, dentre outros.
Para contextualizar um esboço do estado da arte das ciências da complexidade e das incertezas como princípio importante na ciencia, a autora escolhe a metamorfose da borboleta, uma das metáforas mais caras a Edgar Morin e ao GRECOM (p. 41).
O que é uma metamorfose? Nós vemos inúmeros exemplos no reino animal. A lagarta que se fecha num casulo começa um processo ao mesmo tempo de destruição e de autorreconstrução, como uma organização e uma forma de borboleta, diferente da lagarta, permanecendo a mesma. O nascimento da vida pode ser concebido como a metamorfose de uma organização físico-química, que, tendo chegado a um ponto de saturação, cria a meta-organização viva que, embora tendo os mesmos aspectos físico-químicos, produz novas qualidades. (MORIN, 2010). (Nota 9. Volver9)
1992, o ano que não terminou... Esta bem poderia ser a expressão da permanente metamorfose por que passa o Grecom desde então. Para Ceiça Almeida e vários outros pesquisadores transformados em testemunhas nas quais me incluo -, a metamorfose do Grupo Morin em Grecom possibilitou também a expansão do desafio de compreender a dinâmica da complexidade. (ALMEIDA, KNOBB, 2003, p. 41).
Ceiça Almeida acabara de voltar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, após a defesa de tese O saber antropológico: complexidades, objetivações, desordens, incertezas, orientada por Edgard de Assis Carvalho. A Complexidade aterrissa na cidade do Natal. Há urgência em disseminar as ideias de Edgar Morin. Nasce o Grupo Morin e com ele se inaugura na UFRN uma forma de se pensar e produzir conhecimento de forma coletiva. Para Almeida (2010) (Nota 10. Volver10), a orientação coletiva e a emergência de afinidades facilitam o exercício de uma ciência aberta, compartilhada e em situação de jogo. Pôr em diálogo ideias e argumentos que se encontram em estado de incubação é, conforme David Bohm e David Peat (1989), um exercício do pensamento que impulsiona a criatividade e reduz os riscos do jogo falso da mente.
Dois anos depois a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFRN redefine sua política acadêmica com a criação de Bases de Pesquisa. Rompe-se o casulo. Uma borboleta abre suas asas e sua forma transforma-se no símbolo do Grupo de Estudos da Complexidade.
Amplia-se a partir de então um repertório teórico-epistemológico e um elenco de pensadores impertinentes. Suas matrizes de pensamento ampliam os horizontes de reflexão, são eles: Claude Lévi-Strauss, Edgar Morin, Edgard Carvalho, David Bohm, Jöel de Rosnay, Teresa Vergani, Ubiratan DAmbrosio, Cornelius Castoriadis, Ilya Prigogine, Humberto Maturana, Francisco Varela, Henri Atlan, Vandana Shiva, Gilles Deleuze e Félix Guattari, Michel Serres: o Filósofo Mestiço, o Terceiro Instruído, o Arlequim de manto tigrado, Boris Cyrulnik, Oliver Sacks, Nise da Silveira, Norval Baitello, Dietmar Kamper, dentre tantos outros (Nota 11. Volver11) muitos dos quais tivemos o privilégio de conhecer de perto através de eventos e parcerias interinstitucionais. Certamente um inventário de pensadores paradigmáticos, cujos percursos intelectuais impertinentes fora das autoestradas (Michel Serres), que nutrem as reflexões dos pesquisadores do GRECOM, é muito mais ampliada do que a aqui exposta. Para meu alívio, reconheço que informações, tratamento e produção de conhecimento, mantêm sempre sua natureza de inacabamento e incompletude.
Metamorfose das ciências, diálogo entre saberes

O que mais pode expandir-se infinitamente,
a não ser o arrebatamento amoroso ou poético?
Michel Cassé
Antes de dar meu testemunho, algumas epígrafes me pareceram apropriadas para dizer e também contextualizar o percurso intelectual de Conceição Almeida. Elas foram escolhidas a partir da leitura do Memorial apresentado no concurso para Professor Titular do CE/UFRN (Nota 13. Volver13) e de parte do conjunto de sua produção intelectual. Leituras escolhidas para leituras e reflexão para a programação dos Dias de Estudo/2013: Merleau-Ponty O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber á ignorância, da ignorância ao saber, e certo repouso nesse movimento, e de Isabelle Stengers: Um cientista sabe que, para aprender, precisa inventar, imaginar, expor-se.
Ao longo de trinta e três anos fui vendo a minha história hibridar-se com a história que vivi e vivo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e com a história que vivi e vivo na pesquisa (ALMEIDA, 2010).
... vivi várias circunstâncias de trabalho, de atuação política e apostas objetivas ao mesmo tempo, no mesmo período. Onde começa e acaba cada atividade se, como uma teia, cada uma se desdobra, replica ou se bifurca na outra? A simultaneidade dos acontecimentos vividos e a diversidade de códigos significativos me permitiram a experimentação de uma vida cultural e intelectual mestiça. (ALMEIDA, 2010).
O que é o Grecom? Eis uma questão que exige uma resposta nada trivial. Ele pode ser como no testemunho da Atena Teresa Vergani: ... Um lugar que só por acaso posava em sítio físico... lugar de ler, ouvir, interrogar. Lugar de imaginar, unir, desenvolver (sem mordaça nem amarras). Ali se experenciava o Querer e se colhia a inédita surpresa do Fazer: sabedoria não só de Anunciar, mas de tornar o sonho Acontecivel... Ou dito assim por Ceiça: Era uma vez, um pequeno grupo de pessoas que sonhou transformar o trabalho acadêmico numa estética do pensar com prazer, partilha e paixão (Nota 14. Volver14). Impossível dissociar autora e obra, tal a simbiose entre formação e autoformação.
Ao longo de trinta e três anos fui vendo a minha história hibridar-se com a história que vivi e vivo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e com a história que vivi e vivo na pesquisa (ALMEIDA, 2010).
... vivi várias circunstâncias de trabalho, de atuação política e apostas objetivas ao mesmo tempo, no mesmo período. Onde começa e acaba cada atividade se, como uma teia, cada uma se desdobra, replica ou se bifurca na outra? A simultaneidade dos acontecimentos vividos e a diversidade de códigos significativos me permitiram a experimentação de uma vida cultural e intelectual mestiça. (ALMEIDA, 2010).
Há fagulhas ou centelhas de autodidatismo nesse percurso que contribuem para transformara autora num sujeito curioso e atento às questões de seu tempo e para além dele, implicado:
Frequentei as sessões semanais de cinema noturno, nas quais cada pessoa trazia sua cadeira e o operador trocava o rolo do filme duas vezes. Vi cinema mudo, filmes históricos, comédias, Oscarito, Grande Otelo, Charles Chaplin. Mas era preciso voltar cedo para casa: o sinal da luz elétrica avisava a escuridão após as vinte e uma horas. Na praia de Camurupim passava o mês de janeiro em uma casa de palha de coqueiro e piso de areia, como era o padrão das habitações de veraneio até a década de 1960, naquela região pelo menos. Facheei aratu nos arrecifes, nas noites de lua, com os pescadores. Se Claude Lévi-Strauss tinha no cheiro de perfume queimado o acionador de suas lembranças do Brasil, para mim é o cheiro de querosene dos fachos nas pescarias noturnas que traz de volta esse passado deliciosamente selvagem. (ALMEIDA, 2012)
Ainda me reportando ao Memorial, ao recrutar suas lembranças desde o período da infância até o início de sua formação acadêmica, Ceiça Almeida comenta com muita mestria o que os historiadores chamam de Ancronismo um pecado mortal para o historicismo: ... para o historiador, o anacronismo é a intrusão de uma época na outra. Em contrapartida, parece inevitável interpretar o passado sem fazer uso do nosso próprio presente. Questionado por Georges Didi-Huberman (2000), em seu livro Devant le temps. Histoire de l'art et anachronisme des images, o autor destaca a especificidade do tempo que constitui a obra de arte, defendendo a ideia de que a imagem deflagra múltiplos elos com base nos quais será possível reconfigurar diversos presentes; nesse sentido, a obra revela a memória que traz consigo, memória essa que continuará, em seu devir, a atravessar outros presentes, uma vez que "sempre, diante da imagem, estamos diante de tempos. [...] olhá-la significa desejar, esperar, estar diante do tempo". (DIDI-HUBERMAN, 2000).
Nesse contexto, o autor propõe interrogar, de maneira crítica, o tempo que compõe a obra de arte, visto que estamos diante de um presente que não cessa de se restabelecer pela experiência dialética do olhar (Nota 15. Volver15). Como penetrar no universo mental fabricado por uma outra época? Como escapar de compreender o presente, ignorando o futuro? O anacronismo, portanto, é um paradoxo que precisa ser assumido. Afinal nossa relação primordial com o mundo não aparece repleto de imagens, sons e odores?
Para apresentação da constelação de argumentos a favor de uma ciência da complexidade, Ceiça Almeida recusa a fragmentação e as oposições entre as diversas formas e estratégias de aprender e conhecer; propõe outra configuração de conhecimento ético e estético, formulando Cosmologias; pratica uma politização do conhecimento; aposta na reorganização dos sujeitos, da vida, das ideias, do conhecimento; adere sem negociação, às reivindicações que acolhem as reservas antropológicas mito, religião a estética, as artes, que operam pelos diálogos, adotam a complementaridade; toma e amplia um método quaternário, afirma ela:
Olhando hoje para a sinfonia das ideias executada nesses anos, reconheço um método que foi sendo construído à medida que caminhávamos. GESTAR, EXPANDIR, EXPULSAR e CONSOLIDAR constituem, juntos, um método quaternário que espelha a vida do Grecom. Como uma mandala de quatro pontas, qualquer uma delas remete e pode se desdobrar na outra. Por outro lado, como um ponto qualquer de um holograma, cada um desses movimentos contém as propriedades comuns a todos. Assim, por exemplo, a polinização de que trato agora é, ao mesmo tempo, fruto da expansão de nossa experiência; gestação de novos horizontes de conhecimento; expulsão de sementes fecundadas no grupo; consolidação de um estilo de fazer ciência. Longe da linearidade e da ordenação sequencial, a consolidação abre-se para uma nova gestação que se expande, expulsa uma nova vida que, por sua vez, se torna madura, se consolida... E assim por diante.
Todo esse saber-fazer, sob a proteção da deusa Titânica Métis (Nota 16. Volver16) que governa e preside a sabedoria e o conhecimento, instaura uma ars cogitandi arte de pensar, e agir bem: o artesão transforma a matéria em objeto utilitário, estético ou bom para pensar. É aquele que religa fragmentos em uma totalidade, mesmo que aberta... é aquele que expõe, com maestria e magnitude, a criatividade essa dádiva maior da condição humana... paciência, ousadia, persistência consciência da imperfeição e autocrítica parecem ser as ferramentas e os materiais do artesão do conhecimento, do educador. (ALMEIDA, 2012).
Outro estado de ser e estar no GRECOM
Da alma sobriamente louca
Tirei poesia e ciencia.
Fernando Pessoa
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.
Fernando Pessoa
Desejo-lhes sol
E chuva, quando a chuva é precisa.
Fernando Pessoa
O único meio de se não morrerem as ideias é continuar nascendo...
(Wittgenstein, L.)
Foi preciso muito tempo até existir o GRECOM, para enfim (Edgar Morin) visitar a cidade (Natal) com seus habitantes e os novos amigos. (Nota 17. Volver17)
Uma mini-universidade chamada GRECOM, é apresentado assim por Ceiça Almeida nos Ciclos e Metamorfoses:
O conjunto das atividades do Grecom se afinam com uma concepção de universidade e ciências na medida em que a produção e disseminação do conhecimento complexo religa universidade e sociedade e o intelectual para se autofecundar necessita de referencias externas... Assim a universidade e o intelectual precisam ultrapassar os limites esotéricos - conhecimentos confinados nas comunidades dos iniciados e experts -, pra se nutrir e polinizar conhecimentos exotéricos disseminados publicamente. Como se fosse para dar vida à ideia de modelo reduzido de Claude Lévi-Strauss, o Grecom chega a se assemelhar a uma mini-univeridade (2003, p. 51).
Uma ecologia da ação e uma antropolítica do conhecimento instauram um diálogo entre saberes, sejam eles próprios do metier acadêmico, seja numa permanente troca com os saberes da tradição. E com ele, alarga-se a noção de intelectual.
O ato de transmissão e partilha do conhecimento não é, em si, uma atividade extensionista? Por sua vez, a pesquisa não é uma reorganização dos saberes já acumulados em decorrência de novas informações e fenômenos emergentes?
É essa reorganização de saberes que apresentamos a partir do registro de atividades do Grecom, que respondem pela arquitetura de uma ciencia aberta transdisciplinar e complexa, através:
1. Das atividades de ensino que desenham uma cartografia de duplo pertencimento: graduação e (Pós-Graduação em Ciências Sociais/CCHLA e Educação/CE); Orientações coletivas; Seminários Temáticos; Oficinas do Pensamento; Dias de Estudo;
2. Da realização de quatro edições do projeto Estaleiro de Saberes voltado para a formação de professores da rede pública da cidade do Assú: religando ensino, pesquisa e extensão (2008-2015);
3. Do Projeto de extensão Polifônicas Ideias, um ciclo de grandes conferencias que investiu na divulgação científica, e se desdobrou na publicação semanal de artigos no Jornal Tribuna do Norte 1ª página da sessão Caderno Viver, (2000-2003);
4. Da criação e coordenação de três coleções com selos editoriais importantes:
a. A Coleção Metamorfose em parceria com a Editora Flecha do Tempo 2005-2013;
b. A Coleção Baobá em parceria com a Editora da UFRN;
c. A Coleção Saberes da tradição em parceria com o Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais e a Escola de Música da UFRN.
5. Criação da Cátedra Itinerante UNESCO Edgar Morin tornando o Grecom/UFRN/Brasil no 1º Ponto da UNESCO - CIUEM no Brasil;
6. Consolidação de Intercâmbios
a. Association Internationale pour la Pensée Complexe (Paris)
b. Cátedra para la Transdisciplinaridad (Universidad de Valladolid, Espanha)
c. Centro de Estudios Estudios Universitarios ARKOS (CEUA Puerto Vallarta/México)
d. Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia (PUC-SP)
e. Doutorado em Educação com enfoque em complexidade e transdisciplinaridade (EMI Bolívia)
f. Grupo de Estudos da Transdisciplinaridade e da Complexidade (GETC/IFRN)
g. Grupo de Estudos da Complexidade e da Vida (GrecomVida/Campina Grande)
h. Grupo de Estudos em Ciências da Religião UERN
i. Grupo de Estudos e Pesquisas das Práticas Etnomatemática na Amazônia (GETNOMA/CAMETÁ)
j. Grupo de Pesquisa do Pensamento Complexo UERN.
k. Instituto Internacional para el Pensamiento Complejo (Universidad del Salvador - Buenos Aires)
l. Laboratório de Estudo e Pesquisa em Educação e Conhecimento científico LABECET (Conquista/BA)
m. MITO-LOGOS (Natal/RN)
n. Multiversidad Mundo Real Edgar Morin (Hermosillo, México)
o. Núcleo de Estudos da Complexidade (COMPLEXUS PUC/SP)
p. Núcleo de Estudos em Comunicações Políticas (COM-VERSAÇÕES). Faculdade de Comunicação UnB
q. Núcleo de Investigación en Educación Matemática "Dr. Emilio Medina" - (NIEM Maracay/Venezuela)
r. Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (MADE). Universidade Federal do Paraná;
s. GRECOMVIDA.
7. Uma Constelação chamada de Casa da Memória Lagoa do Piató Chico Lucas (Nota 18. Volver18). Localizada em Areia Branca, um dos portos que circundam o anel da Lagoa Piató, foi eleita em grande estilo a Capital do Grecom! Esse espaço presta uma justa homenagem ao intelectual da tradição, Francisco Lucas da Silva. Um sonho acalentado por muito tempo por Conceição Almeida, a Casa da Memória, ao longo dos 23 anos de convivência e persistência transformou-se, numa topofilia, um espaço feliz (BACHELARD, 2000), edificada por matriz a pesquisa Lagoa do Piató. Fragmentos de uma história (ALMEIDA; PEREIRA, 2006).
Desde então se tem operado um diálogo permanente então saberes científicos e saberes da tradição. Traduzidos em monografias, dissertações e teses, a Casa da Memória, pode ser entendida como um vetor nos processos de criação no seu sentido mais amplo. A casa da memória, um microcosmo de complexidades, confirma a confissão de Ilya Prigogine sobre sua concepção de ciência. Dentre as quais destacamos:
1. Uma Arqueologia dos Saberes da Pesca (Tese). Sérgio Cardoso de Moraes. Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN. 2005.
2. As lições do vivo: a natureza e as ciências da saúde (Tese). João Bosco Filho, Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN. 2010.
3. Uma pedagogia da Fraternidade Ecológica (Tese). Samir Cristino de Souza, Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN. 2009.
4. Paisagens sonoras, tempos e formação (Tese). Silmara Lídia Marton. Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN. 2008.
5. Uma Ecologia de Base Complexa (Tese). Wyllys Abel Farkat Tabosa. Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN. 2007.
6. Literatura como escola de vida: a propósito das narrativas da tradição (Dissertação). Carlos Aldemir Farias da Silva. 2003.
7. O menino é o pai do homem: raízes crianceiras do conhecimento (Dissertação). Paula Vanina Cencig. 2008.
8. Lagoa do Piató: a educação como uma obra de arte (Dissertação). (Ivone Priscilla de Castro Ramalho. Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN. 2012.
9. Compreensão da natureza e formação do biólogo (Dissertação). Thiago Emmanuel de Araújo Severo. Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN. 2013.
10. Areia Branca Piató: imagens na cabeça, retratos no papel (Monografia de Graduação em Jornalismo). Ednalda Soares. 2007.
11. Narrativas de autoformação próximas à natureza (Monografia de Graduação em Pedagogia). Louize Gabriela Silva de Souza. 2010.
12. Alfabetização ecológica: desafios para uma educação planetária (Monografia de Graduação em Pedagogia). Williane de Sena Barbosa. 2009.
13. Filho de pedagogo, pedagogo é? Zélia Nogueira e sua história de formação (Monografia de Graduação em Jornalismo). Daliana Gonçalves Onofre da Silva. 2012.
14. Histórias da tradição: o artesanato do pensamento complexo (Monografia de Graduação em Ciências Sociais). Geísa Pereira Alves. 1998.
Por fim ao recusar o perfil de um intelectual despolitizado, fragmentado e endogamico, aprendemos com Ceiça a não temer o que enuncia nos Ciclos e Metamorfoses (p. 164), e que requer a instauração de uma crítica e autocrítica: a ausência de referências nos textos de natureza diversas dos próprios pesquisadores: receio da endogamia? Humildade ou orgulho científico?
Respondendo não ter as respostas naquele momento, encontramos no percurso narrativo da Complexidade, Saberes Científicos e Saberes da Tradição, mais uma amostra dos princípios Expandir e Consolidar: pesquisadores/autores do Grecom ex-orientandos em sua quase totalidade -, compartilham e dialogam com um panteão de intelectuais, cientistas e filósofos - pensadores da complexidade que a posteriori terá a oportunidade de conhecer pessoalmente e nos oferecer também o privilégio dessa partilha através do itinerário do Grecom, por esses quase 22 anos.
É possível nessas passagens identificar argumentos, noções que certamente foram contaminados pela sua criatividade, ousadia, impertinência intelectual, nos processos de orientações coletivas ou individuais, ou ainda nos contextos diversos em que temos a oportunidade de compartilhar de sua sabedoria. Ao incluir e transformar os pesquisadores do Grecom em seus parceiros ou cúmplices das e nas ideias, instala não um podium de verticalização. Ao contrário, inaugura uma outra o que é do seu feitio - e que estou chamando aqui de uma horizontalidade epistemológica.
Nesse sentido cabe por acréscimo ampliar o universo das Cosmologias. E reconhecer o Grecom e o Piató mais especificamente o porto de Areia Branca Piató -, como laboratórios de observação abertos, à construção de um diálogo entre saberes científico e saberes da tradição, cujo metabolismo resulta numa produção de conhecimentos plurais, que pode ser representada pela produção sobre o Piató, tendo por matriz a pesquisa e publicação Lagoa do Piató, Fragmentos de uma história (a segunda, também denominada afetivamente de O livro azul, 2 edições.
NOTAS
Nota 1: Tributo que me foi interditado quando da sua recusa INCONDICIONAL em ser homenageada pela UFRN como Professor Emérito título conferido por uma instituição de ensino a seus professores já aposentados, que atingiram altíssimo grau de projeção e reconhecimento no exercício de suas atividades acadêmicas.Volver1
Nota 2 Trecho da conferencia O destino da humanidade, realizada no dia 17/set/2010 na Praça Cívica do Campus/UFRN, Natal/RN, para um público de aproximadamente 8 mil pessoas. Volver2
Nota 3 Este texto, com modificações, faz parte do livro de Humberto Mariotti As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Editora Palas Athena, 2000. Volver3
Nota 4. Disponível em http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Direito-a-Educa%C3%A7%C3%A3o/declaracao-mundial-sobre-educacao-superior-no-seculo-xxi-visao-e-acao.html Volver4
Nota 5. Disponível em https://genivaldacravo.wordpress.com/2009/01/26/ii-forum-da-unesco-sobre-ciencia-e-cultura/ Volver5
Nota 6. In: A Declaração de Veneza e o desafio Transdisciplinar. Revista Narradores e Intérpretes. PUC-SP. Volver6
Nota 7. Documentos disponíveis em http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:hg0-4kIFVT4J:www.orion.med.br/index.php/46-transpessoalidade/unipazce/unipazce%3Fstart%3D8+ & cd=1 & hl=pt-BR & ct=clnk & gl=br & client=firefox- Volver7
Nota 8. ALMEIDA, Maria da Conceição. Ciências da Complexidade e Educação. Razão apaixonada e politização do pensamento. Natal, EDUFURN, 2012. Volver8
Nota 9. Elogio da metamorfose. Artigo de Edgar Morin. http://www.ihu.unisinos.br/noticias/28829-elogio-da-metamorfose-artigo-de-edgar-morin. O Instituto Humanitas Unisinos IHU. Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS, ISSN 1981-8769 (impresso). Revista do Instituto Humanitas Unisinos IHU. ISSN 1981-8793 (online). Disponível em <https://genivaldacravo.wordpress.com/2009/01/26/ii-forum-da-unesco-sobre-ciencia-e-cultura/ Volver9
Nota 10. ALMEIDA, Maria da Conceição. Memorial. Texto apresentado como requesito parcial para obtenção do título de Professor Titular da UFRN. Natal, 2012. No prelo.Volver10
Nota 11. O indivíduo é um objeto ao mesmo tempo indivisível e poroso (...) Boris Cyrulnik, neurologista, psiquiatra, psicanalista, foi um dos fundadores do Grupo de Etologia Humana e dirige um grupo de investigação na Faculdade de Medicina de Marselha. Autor de numerosas obras, das quais o Instituto Piaget já publicou: Memória de Macaco, Palavras de Homem; Sob o Signo do Afeto; O Nascimento de Sentido; Nutrir os Afetos e Do Sexto Sentido; O que é Filosofia? Gilles Deleuze e Felix Guattari; Filosofia Mestiça Michel Serres; Volver11
Nota 12. A palavra deriva do termo grego κόσμος (kosmos), que literalmente significa "bem ordenado" ou "ornamentado" e metaforicamente "mundo", e é contrária ao conceito de caos (feio ou desordenado). Hoje, a palavra é geralmente usada como sinônimo para "Universo". A palavra "cosmético" se origina da mesma raiz. Em muitas línguas eslavas como o russo, polonês, búlgaro e sérvio, a palavra kosmos (космос) também significa "espaço sideral. é um termo que designa o universo em seu conjunto, toda a estrutura universal em sua totalidade, desde o microcosmo ao macrocosmo. O cosmo é a totalidade de todas as coisas deste Universo ordenado, desde as estrelas, até as partículas subatômicas. Pode ser estudado na Cosmologia. O astrônomo Carl Sagan define o termo cosmos como sendo "tudo o que já foi, tudo o que é e tudo que será". O filósofo grego Pitágoras foi o primeiro a utilizar o termo "cosmos" para referenciar o Universo, talvez querendo se referir ao firmamento de estrelas. Volver12
Nota 13. ALMEIDA, Maria da Conceição. Memorial. Texto apresentado como requesito parcial para obtenção do título de Professor Titular/UFRN. Natal, 2012. No prelo. Volver13
Nota 14. Site Grecom http://www.grecom.ce.ufrn.br/. Volver14
Nota 15. Artigo Charles Baudelaire e a arte da memória. Roberta Andrade do Nascimento. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext & pid=S1517-106X2005000100004>. Uma outra concepção de tempo foi elaborada por Fernand Braudel (In: CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: UNESP, 1999). Para aquele historiador, são três os tempos da história e do histórico: 1 o da ordem dos acontecimentos (ou eventos), representa o tempo do vivido e cronológico; 2 o tempo de curta duração, aquele das permanências relativas, e 3 um tempo de longa (longuíssima: longue durée), e diz repeito aos tempos geográfico, econômico e antropológico. É o tempo das temporalidades plurais - estrutural / conjuntural / fatual -, das permanências profundas. A reputação de Braudel decorre em parte dos seus escritos, mas principalmente de seu sucesso em fazer da escola dos Annales o mais importante motor da pesquisa histórica em França, e em grande parte do mundo, após a década de 1950. Como principal líder da escola historiográfica dos Annales nas décadas de 1950 e 1960, exerceu enorme influência na escrita da História na França e em outros países a partir de então. Braudel tem sido considerado um dos maiores dos historiadores modernos que têm enfatizado o papel dos fatores socioeconômicos em grande escala na pesquisa e escrita da História. Ele também pode ser considerado como um dos precursores da teoria dos sistemas-mundo. Volver15
Nota 16. Na mitologia grega, Métis (em grego: Μῆτις, "habilidades"), é a deusa titânica, da saúde, proteção, astúcia, prudência e virtudes. Filha de Tétis e Oceano. Foi a primeira esposa de Zeus e foi esta forma de inteligência que permitiu a ele conquistar o poder: métis, a astúcia, a capacidade de prever todos os acontecimentos. Métis tem o poder de se metamorfosear, ela assume todas as formas, assim como Tétis e outras divindades marinhas. É capaz de virar animal selvagem, formiga, rochedo, tudo o que quiser. Forneceu Zeus a bebida que fez Cronos regurgitar todos os filhos que havia engolido; sendo consagrada com a alcunha A mais célebre das Oceânides.Volver16
Nota 17. Ceiça Almeida, anotações das palavras de E. Morin por ocasião da conferencia A cidade e o século. 04/06/1999. Volver17
Nota 18. Fragmento do texto da Comunicação apresentada no I Colóquio de Estudos da Complexidade Diálogos, Vida e Complexidade. Promoção Universidade Estadual da Paraíba/UEPB Campus 1. Campina Grande/PB, 12 a 14/set/2012. Volver18
Referências
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2. ALMEIDA, Maria da Conceição. Complexidade, saberes científicos e saberes da tradição. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2010. (Coleção Contexto da Ciência) [ Links ]
3. ALMEIDA, Maria da Conceição. Memorial. Texto apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Professor Titular da UFRN. Natal, 2012. No prelo. [ Links ]
4. ALMEIDA, Maria da Conceição; FERNANDES, Wani. 2. ed. Lagoa do Piató: fragmentos de uma história. Natal: EDUFRN, 2006. [ Links ]
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11. MARIOTI, Humberto. Os cinco saberes do pensamento complexo: pontos de encontro entre as ogras de Edgar Morin, Fernando Pessoa e outros escritores. Disponível em: <http://www.humbertomariotti.com.br/imagens/trabalhosfoto/312002_cinco%20saberes.pdf>. Acesso em: 30 ago 2016. [ Links ]
12. MORIN, Edgar. Elogio da metamorfose. Revista Unisinos. Disponível em:< http://www.ihu.unisinos.br/noticias/28829-elogio-da-metamorfose-artigo-de-edgar-morin>. Acesso em: 30 ago 2016. [ Links ]
13. MORIN, Edgar. Memória roda viva: Edgar Morin. Disponível em:<http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/ 49/entrevistados/edgar_morin_2000.htm>. Acesso em: 30 ago 2016. [ Links ]
14. NICOLESCU, Barsarab. O manifesto da Transdisciplinaridade. Tradução de Lucia Pereira de Souza. São Paulo: Triom, 1999. [ Links ]
15. VEJA, Alfredo Pena, NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. O pensar complexo: Edgar Morin e a crise da modernidade. Rio de Janeiro, Editora Garamond, 1999. [ Links ]












