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Revista de Odontopediatría Latinoamericana

versión On-line ISSN 2174-0798

Rev Odontoped Latinoam vol.14  Bogotá dic. 2024  Epub 02-Abr-2025

https://doi.org/10.47990/vhavtm63 

Revisiones Narrativas

Uma revisão crítica da literatura das atuais diretrizes pós-traumáticas na dentição decídua.

Gabriela Jerez Delgadillo1 
http://orcid.org/0009-0007-4428-9706

Juliana Sayuri Kimura2 
http://orcid.org/0000-0003-0711-7167

¹ Especialista en Odontopediatría, MSc,Universidad de Valparaíso, Chile.

2 Especialista en Odontopediatría, PhD, FUNDECTO, Universidad de Sao Paulo


Resumo

A cicatrização ideal dos tecidos lesionados depende de vários fatores, incluindo as orientações pós-traumáticas. Por esse motivo, o objetivo deste estudo foi realizar uma análise crítica das atuais orientações pós-trauma na dentição decídua. A estratégia de busca foi conduzida em agosto-setembro de 2021, nas bases de dados MEDLINE/PubMed; SCOPUS; BVS; ProQuest; Science Direct utilizando os termos descritos no DeCS/MeSH, dos últimos 5 anos, sem restrição de idioma. Onze artigos foram selecionados e os seguintes tópicos foram analisados: higiene bucal, antissépticos, medicamentos, atividade de risco, dieta/nutrição, hábitos de sucção, complicações, acompanhamento e sequelas associadas. O uso de escovas macias e de digluconato de clorexidina sem álcool, a limitação da prescrição de medicamentos, a dieta branda, a suspensão dos hábitos de sucção e as sequelas pós-traumáticas na dentição permanente foram os principais achados. Estudos parecem ser necessários para verificar a eficácia do aconselhamento pós-traumático real e para padronizar as instruções dadas após a lesão dentária traumática (LDT) na dentição decídua, a fim de melhorar o prognóstico a curto e longo prazo.

Palavras-chave: Trauma dentário; Dente decíduo; Criança; Odontopediatria

RESUMEN

Resumen: La cicatrización óptima de los tejidos lesionados depende de varios factores, entre ellos las orientaciones postraumáticas. Por esta razón, el objetivo de este estudio fue realizar un análisis crítico de las orientaciones actuales post-trauma en dentición primaria. La estrategia de búsqueda fue realizada en agosto-septiembre de 2021, en MEDLINE/ PubMed; SCOPUS; BVS; ProQuest; Science Direct bajo los términos DeCS/MeSH, en los últimos 5 años, sin restricción de idioma. Se seleccionaron 11 artículos y se analizaron los siguientes temas: higiene oral, antisépticos, medicamentos, actividad de riesgo, dieta/nutrición, hábitos de succión, complicaciones, seguimiento y secuelas asociadas. El uso de cepillos suaves y digluconato de clorhexidina sin alcohol, la limitación de la prescripción de medicamentos, la dieta blanda, la suspensión de los hábitos de succión y las secuelas postraumáticas en la dentición permanente fueron los principales hallazgos. Parece necesario realizar estudios para verificar la eficacia de la orientación postraumática real y estandarizar las instrucciones dadas tras lesiones dentales traumáticas (LDT) en la dentición primaria con el objetivo de mejorar el pronóstico a corto y largo plazo.

Palabras clave: Traumatismo de los dientes; Diente primario; Niño; Odontología pediátrica

Abstract

The optimal healing of the injured tissues depends on several factors, including the post trauma orientations. For this reason, the objective of this study was to perform a critical analysis of the actual guidelines post-trauma on primary dentition. The search strategy was performed in August-September 2021, in MEDLINE/PubMed; SCOPUS; BVS; ProQuest; Science Direct under the terms DeCS/MeSH, within the last 5 years, without language restriction. Eleven articles were selected, and the following topics were analyzed: oral hygiene, antiseptics, medications, risk activity, diet/nutrition, sucking habits, complications, follow-up and associated sequelae. The use of soft brushes and alcohol-free chlorhexidine digluconate, limitation of medication prescription, soft diet, suspension of sucking habits and post-traumatic sequelae in the permanent dentition were the main findings. It seems to be necessary studies verify the effectiveness of the actual post- trauma orientation and to standardize the instructions given after traumatic dental injuries (TDI) in the primary dentition with the aim of improving the short -and long- term prognosis.

Key words: Tooth injuries; Primary tooth; Child; Pediatric dentistry

Introdução

Lesões dentárias traumáticas (LDTs) são comuns em crianças entre 0 e 6 anos de idade1-3, sendo maiores entre 2 e 3 anos de idade 2,4. A incidência de LDT na dentição decídua varia entre 1% a 3%(5), atingindo uma prevalência de 22% a 30%1,5,6. É considerada um problema global de saúde pública7,8. As principais causas de LDT são quedas não intencionais, colisões e atividades recreativas associadas ao início de engatinhar, caminhar e correr9,10. Por outro lado, os acidentes de trânsito estão associados a fraturas faciais graves11.

As LDTs são definidas como qualquer lesão nos tecidos duros ou moles dentro e/ou ao redor da cavidade oral2. A abordagem terapêutica dependerá da precisão do diagnóstico clínico e radiográfico12, da capacidade de cooperação da criança e da atitude dos pais em relação ao tratamento3.

A cicatrização ideal dos tecidos lesionados depende de vários fatores, como manejo da LDT, instruções pós-traumáticas13 e prevenção de lesões futuras9. Por estas razões, é importante verificar se as recomendações pós-traumáticas reais são eficazes na prevenção da perda prematura de dentes decíduos traumatizados.

O objetivo deste estudo foi realizar uma análise crítica das atuais diretrizes pós- traumáticas na dentição decídua.

Metodologia

A busca foi desenvolvida com base na seguinte questão P.E.O: População (Dentição dentição decídua), Exposição (Lesões dentárias traumáticas), Desfecho (Indicações atuais de pós-traumáticas). A questão de pesquisa foi: Quais as orientações atuais após lesões dentárias traumáticas na dentição decídua?

Critérios de elegibilidade

A amostra considerou estudos realizados em humanos, sendo os critérios de inclusão: estudos clínicos (séries de casos, coortes, estudos clínicos transversais, randomizados) que avaliaram a abordagem do trauma dentoalveolar na dentição decídua. Adicionalmente, foram considerados estudos que coletaram informações disponíveis, como diretrizes clínicas e revisões sistemáticas.

Os critérios de exclusão foram: estudos realizados em adultos ou adolescentes, que não descrevessem indicações pós- traumáticas ou que não estivessem disponíveis na íntegra na base de dados. Não foram incluídos aqueles com dados anteriores a 5 anos da data da busca.

Estratégia de pesquisa

Embora este trabalho seja uma revisão da literatura, a estratégia de busca foi realizada de forma sistematizada. A busca bibliográfica foi realizada entre os meses de agosto e setembro de 2021, nas seguintes bases de dados: MEDLINE/PubMed, SCOPUS, BVS, ProQuest e Science Direct. Para busca de possíveis artigos foram utilizados termos DeCS (“Tooth lesions”, “Primary tooth”), MeSH term (“Tooth lesions”, “Primary tooth”) e palavras-chave relacionadas ao trauma dentoalveolar e dentição decídua. Além disso, as listas de referências dos artigos selecionados foram revisadas manualmente para identificar estudos potencialmente relevantes que possam ter sido esquecidos durante as buscas iniciais nas bases de dados eletrônicas. Nenhuma restrição linguística foi aplicada.

Os títulos e resumos de todas as referências foram revisados. As duplicatas foram removidas e os artigos que atenderam aos critérios de inclusão foram selecionados com base em seus títulos e resumos.

A busca e análise dos artigos foram realizadas por um revisor (G.J).

Resultados

No total, foram identificados 1.527 artigos nas bases de dados e, após eliminação das duplicatas (n=156), restaram 1.371 artigos para uma primeira seleção. Uma avaliação minuciosa dos títulos e resumos resultou na exclusão de 1.158 artigos. Foi realizada uma revisão do texto completo de 213 artigos recuperados, e esse processo levou à exclusão de 202 estudos. Ao final, 11 artigos (1 estudo de coorte, 1 estudo observacional, 2 relatos de casos, 4 diretrizes clínicas, 1 revisão sistemática, 2 revisões de literatura) foram retidos para as análises finais (Figura 1).

Os principais resultados foram resumidos nas seguintes tabelas: Instruções que levam em consideração a higiene bucal e o uso de antissépticos (Tabela 1), Instruções que levam em consideração o uso de medicamentos (Tabela 2), Instruções que levam em consideração dieta/alimentação (Tabela 3), Outras instruções (Tabela 4).

Figura 1 Resumo da estratégia de busca segundo critérios PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses). 

Tabela 1 Instruções de higiene bucal e uso de antissépticos. 

Publicação Principais resultados
Higiene Bucal Antissépticos orais
Malmgren et al14 Escovação suave Aplicação tópica de digluconato de clorexidina 0,1% sem álcool 2 vezes ao dia durante 7 dias.
Day et al3 Escovação suave ou uso de cotonete Aplicação tópica de digluconato de clorexidina 0,1% sem álcool 2 vezes ao dia durante 7 dias.
Levin et al15 Higiene bucal meticulosa Enxágue com digluconato de clorexidina 0,12% sem álcool por 7 a 14 dias. Uso tópico em crianças pequenas.
Holan et al16 Higiene bucal meticulosa Aplicação tópica de digluconato de clorexidina 0,1% sem álcool 2 vezes ao dia durante 7 dias.
Lessa et al17 Instrução de higiene bucal Nenhum.
Chatzidimitriou K. et al18 Escovação suave Enxaguante bucal sem álcool com digluconato de clorexidina 0,1%.
Chipana-Herquinio et al19 Higiene bucal meticulosa Nenhum.

Tabela 2 Orientações quanto ao uso de medicamentos (antibióticos/analgésicos/antiinflamatórios) 

Publicação Principais resultados
Antibióticos Analgésicos Antiinflamatórios
Malmgren et al 14, 20 Não há evidências de uso sistêmico. Paracetamol: tratamento da dor aguda em LDT (luxação intrusiva/lateral e fratura radicular) Ibuprofeno: tratamento da dor aguda em LDT (luxação intrusiva/lateral e fraturaradicular)
Holan et al16 Use em caso de luxações graves e danos significativos aos tecidos orais. Não há evidências de uso sistêmico. Não há evidências de uso sistêmico.
Mehrabi et al21 Evidência limitada de uso sistêmico. Comprometimento de saúde geral. Não há evidências de uso sistêmico. Não há evidências de uso sistêmico.
Day et al3 Use apenas em LDT associa- dos a lesões de tecidos moles e outras lesões. Necessi- dade de intervenção cirúrgica significativa. Comprometi- mento de saúde geral. Paracetamol: tratamento da dor aguda em LDT (luxação intrusiva/lateral e fratura radicular) Ibuprofeno: tratamento da dor aguda em LDT (luxação intrusiva/lateral e fratura radicular)

Tabela 3 Orientações quanto à dieta/alimentação. 

Publicação Principais resultados
Malmgren et al 14, 20 Dieta macia por 10 dias.
Day et al3 Cuidado na alimentação
Holan et al16 Dieta macia por vários dias
Chatzidimitriou et al18 Dieta macia por 14 días.

Tabela 4 Outras instruções 

Publicação Principais resultados
Malmgren et al14 Relatar possíveis consequências nos dentes permanentes. Restrição de bicos artificiais por 7 dias
Day et al3 Relatar possíveis consequências nos dentes permanentes Supervisão de um adulto durante atividades potencialmente perigosas. Alertar sobre possíveis complicações como: inchaço, aumento da mobilidade, fístula e sinais de infecção.
Goswami et al22 Informar a importância do acompanhamento subsequente no prognóstico da LDT.
Özgür et al23 Informar a importância do acompanhamento subsequente no prognóstico da LDT. Relatar possíveis consequências nos dentes permanentes.
Bossú et al13 Informar a importância do acompanhamento subsequente no prognóstico da LDT.

Discussão

Esta revisão bibliográfica coletou um total de 11 estudos relacionados às instruções dadas aos pais após lesões dentárias traumáticas na dentição decídua. Apenas 4 deles eram estudos clínicos, nos quais esta informação foi fornecida parcial 17,19,23 e/ou completamente18. Atualmente, o aconselhamento pós-traumático é baseado no consenso de especialistas especialistas na área; no entanto, a sua eficácia não foi abordada em estudos clínicos.

Isto é relevante considerando que se afirma que o prognóstico da LDT está relacionado com as diretrizes de intervenção pós- traumática 9,13. Portanto, é necessário garantir que essas medidas sejam adequadas para promover a cicatrização ideal dos tecidos lesionados, bem como alcançar a padronização em temas como: higiene bucal, uso de antissépticos orais, uso de medicamentos (antibióticos/ analgésicos/anti-inflamatórios), dieta, manejo dos hábitos de sucção (nutritivos/ não nutritivos), restrição de atividades de risco, complicações associadas, relevância do acompanhamento e consequências futuras na dentição permanente.

Diretrizes para higiene bucal e uso de antissépticos orais

Quanto às instruções de higiene bucal, elas não são muito específicas na educação dada aos tutores, nem é enfatizada a relação com a cicatrização tecidual. Apenas um estudo de Lessa et al. 2020 17 expressa a necessidade de realização de educação relacionada à instrução de higiene bucal após consulta de emergência. Porém, não são especificados o tipo de escovação,frequência ou duração da higiene bucal. Alguns autores concordam sobre a importância do uso de escova macia3,14,18 em lesões dentárias traumáticas.

A prescrição de anti-sépticos orais parece ser uma questão universal. Dos 7 estudos que apresentam orientações relacionadas à higiene bucal, mais da metade referem- se ao seu uso tópico 3,14-16 e/ou como enxaguante bucal15,18. Quanto às suas concentrações, variam entre 0,1% e 0,2%. Vários estudos concluem que a eficácia no controlo da placa bacteriana é semelhante a 0,1%-0,12% ou 0,2%24-26. Deve-se recomendar seu uso tópico com cotonetes e/ou gaze em vez de indicar seu uso como enxaguante em menores de 6 anos devido ao risco de ingestão da solução de digluconato de clorexidina.

Apenas 2 autores mencionam que a frequência e duração 16,18 do uso do digluconato de clorexidina sem álcool fica a critério dos pais. Existe um aparente consenso sobre o regime de duas vezes ao dia durante 7 3,14-16 ou 14 dias15, tempo estimado para a reparação das fibras gengivais16.

Prescrição de medicamentos.

Sobre esta questão, parece haver consenso de que o uso de medicamentos deve ser limitado. O uso de antibióticos sistêmicos após atendimento de emergência por trauma dentário tem evidências limitadas ou insuficientes13,14,21. Existem algumas indicações específicas para seu uso em pacientes com estado médico geral comprometido3,21, necessidade de intervenção cirúrgica3, luxações dentárias graves e danos significativos aos tecidos orais3,16. Porém, alguns autores Holan et al. 2019 16 e Day et al. 2020 3 não mencionam o tipo de luxação ou o dano aos tecidos bucais

O uso de analgésicos e antiinflamatórios foi relatado coincidentemente por Malmgren et al. 2017 14 e Day et al. 2020 3, indicado para luxações laterais/intrusivas e fraturas radiculares que podem estar associadas a dor intensa. No entanto, não existem diretrizes farmacológicas quando apenas os tecidos moles estão envolvidos.

Faltam recomendações para prescrição de antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios quanto à indicação, dose, frequência e duração do tratamento, ficando a critério do profissional. Por isso é necessária uma avaliação individualizada do paciente, considerando a gravidade das lesões e o risco de contaminação bacteriana. É importante chamar a atenção para o fato de que o uso de antibióticos deve ser rigoroso, devido ao crescente aumento da resistência aos antibióticos em todo o mundo27. Em relação aos analgésicos, limitar seu uso por no máximo 3 dias, período de maior dor 28,29, reavaliando o paciente se persistir após esse período para não mascarar outra fonte de dor.

Instruções de dieta/alimentação.

A dieta/alimentação é mencionada apenas em 5 estudos, não parecendo ter grande relevância na cicatrização dos tecidos envolvidos. Todos os autores concordam em mudar a dieta para uma “dieta branda”3,14,16,18,20, entendida como aquela que consiste em alimentos de fácil digestão, pobres em fibras, cozidos e de consistência macia30. A duração deste regime varia entre 10 e 14 dias 14,16,18,20, sem relação com a gravidade das lesões dentárias traumáticas associadas. Não são dadas recomendações em relação à temperatura que os alimentos devem ser ofertados para promover a cicatrização dos tecidos afetados. Essas instruções devem ser consideradas importantes porque a literatura mostra que estímulos quentes ou frios podem influenciar na cicatrização pulpar devido ao efeito da temperatura no metabolismo celular31.

Restrição de hábitos de sucção e atividades de risco

Os hábitos de sucção nutritivos e não nutritivos são mencionados apenas por Malmgren et al. 2017 14 que restringe o uso de chupetas e mamadeiras por 7 dias devido à necessidade de repouso do dente afetado, permitindo assim a reparação das fibras periodontais lesionadas. Vale ressaltar que estes hábitos de sucção prolongados podem estar associados ao desenvolvimento de maloclusões, como mordidad aberta anterior e overjet aumentado que aumentam o risco da criança sofrer traumatismo dentário 32,33. Nenhum autor faz referência ao manejo e/ ou suspensão da sucção digital.

Em relação às atividades de risco, apenas um autor indica a necessidade de supervisão parental de atividades potencialmente perigosas3. Isso chama a atenção considerando que as principais causas de LDT estão associadas a quedas involuntárias ao engatinhar, caminhar e correr, colisões durante atividades recreativas ou prática de esportes 9,10. Por este motivo, é necessário orientar os pais de crianças maiores e colaboradoras sobre a importancia da utilização de protetores bucais na prática de esportes e/ou atividades de risco como: futebol, hóquei, ciclismo ou outros. Além disso, evitar maus hábitos como morder objetos, cubos de gelo e/ou brinquedos, além de reforçar a importância da supervisão de bebês e crianças por adultos, e destacar o uso de cadeirinha no transporte de menores34.

Complicações no dente decíduo traumatizado e consequências na dentição permanente.

Menos da metade dos autores comentam sobre complicações que requerem observação do cuidador, como inchaço, aumento da mobilidade, fístula e sinais de infecção3. De forma mais consensual, a maioria dos autores dá importância ao relato da necessidade de seguimento do LDT, devido à sua relação com o prognóstico a curto e longo prazo 13,22,23.

Apenas 45% dos estudos 3,13,14,22,23declaram que é necessário explicar aos pais as possíveis consequências na dentição permanente. Deve-se levar em conta que alterações graves podem ocorrer nos dentes sucesores permanentes em consequência de traumas orofaciais em idade precoce35. Estas sequelas estão frequentemente relacionadas a alterações do esmalte com comprometimento estético; entretanto, algumas sequelas graves podem levar à perda do sucessor permanente 35,36 dependendo de seu estágio de formação no momento do trauma no dente decíduo. Fratura alveolar, intrusão e avulsão são citadas como os tipos de lesões que podem causar sequelas em sucessores permanentes, principalmente se a lesão ocorrer antes dos 3 anos de idade 35,37. As sequelas observadas ao nível da coroa e raíz do sucessor permanente estão associadas à ocorrência de LDT aos 2 e 4 anos de idade, respectivamente35.

Apenas metade dos autores indica que os controles devem ser realizados até que o dente decíduo traumatizado tenha esfoliado e o dente permanente tenha irrompido na cavidade oral 3,13,22,23. Os controles devem considerar o monitoramento de possíveis sequelas em dentes decíduos traumatizados, para realizar prontamente o tratamento adequado e assim prevenir sua perda precoce. O dente permanente também deve ser monitorado para acompanhar seu processo de erupção assim como verificar o momento oportuno para intervenção de alguns tipos de sequelas como por exemplo a dilaceração de coroa ou raiz.

Por fim, é necessário chamar a atenção para a importancia dessas orientacões pós trauma, bem como a forma que essas orientações são entregues aos pais. A consulta odontológica de emergência é um momento estressante para todos os indivíduos. Por esta razão, estas instruções devem ser dadas não apenas verbalmente, mas também por escrito, como um panfleto, para facilitar o acesso à informacão, bem como a compreensão do adulto responsável.

Conclusão

Esta revisão crítica mostra que são necessários estudos que verifiquem a eficácia das orientações pós-traumáticas fornecidas aos responsáveis, juntamente com a sua padronização, com o objetivo de melhorar o prognóstico da lesões dentárias traumáticas a curto e longo prazo.

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Recebido: 23 de Julho de 2024; Aceito: 30 de Agosto de 2024; Publicado: 13 de Novembro de 2024

Conflitos de interesse

Não há conflitos de interesse por parte de nenhum dos autores.

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